Por mais rock n roll, na igreja e no mundo!

Enquanto preparo meu café da tarde, olho de soslaio para o programa de música que passa  na TV. Especial com uma banda bizarra chamada Slipknot.

Os integrantes vestem máscaras parecidas com aquelas do Jasom do clássico de terror Sexta feira 13. Típicos da classe média americana. Inclusive, entre eles um garoto volumoso que deve ser freqüentador assíduo do Big Mac com fritas grandes. As canções são puro ritmo e rifes de guitarra pesado.

Depois de vários gritos guturais na plataforma, o líder do grupo levanta o dedo do meio para a platéia. Faz isso com uma atitude, e tantas vezes que dá para pensar que ele está voltando de uma grande conquista dos tempos romanos, o desfile do triunfo.

Falo para minha esposa: isso é tudo que sobrou de transgressão no rock n roll? Rebeldes de butique!

Atitude roque em rou é a atitude de quem não se conforma. Da contracultura. Nunca antes na história da música, fomos tão vendidos e superficiais.

Nossa transgressão é falsa. É direcionada para ninguém, a qualquer um diferente ou causa irrelevante.

A quem pode atingir aquele dedinho do meio? Até as vovós sentadas em sua cadeira de balanço fazem isso!

Qual o valor de esculachar alguém porque gosta de música diferente da nossa?

Qual a relevância do direito a fumar maconha em lugares públicos? Bater em cachorro morto não traz mudança de nada, só evidencia nossa covardia.

Tivemos protestos em todo o país. Um show de democracia, fora do ambiente controlado das eleições, mas a participação do “roque em rou” foi imperceptível. Talvez estivessem negociando cachês para os próximos showmícios.

A rebeldia é necessária. Jesus foi um rebelde. Mas é preciso descobrir as estruturas que precisam ser detonadas. Transgredir no melhor sentido é descobrir a ferida e colocar o dedo bem ali.

Transgredir o narcisismo que espreita tudo que se faz.

Transgredir a máquina econômica que transforma tudo em negócio.

Transgredir a lei da gravidade dos instintos.

Transgredir o sofá que nos faz assentar abaixo da linha da mediocridade.

Então volto o olhar para minha tribo: a igreja cristã, e o que vejo?

Nossa maior transgressão foi poder tocar música pós moderna nos cultos, bater palmas, colocar bateria na plataforma e nos vestirmos como gente normal!

É muita subcultura para minha cabeça!

“Seremos a geração que dança!”  Não seremos a geração que se preocupa com seus irmãos que sofrem pela fé em mais de cinqüenta nações?

“Tira o pé do chão!” Ah é? Quem sabe não tiramos a cabeça do chão e pensamos em projetos que signifiquem comida, educação, abrigo e tudo que já temos para os outros?

“Adoração 24 horas” Quem sabe caráter 24 horas, ou amor 24 horas, ou talvez 24 horas de doação de sangue nos hemocentros de nossa cidade?

Que a vontade de transgredir possa converter-se na vontade de transformar, o que é muito melhor do que essa vontade de nada.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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