Palmas para o sol?

As férias que gasto diante da praia, e com a família entre chimarrão e algumas incursões no mar são de longe, as coisas que mais renovam minha alma.

Esse ano tive uma experiência de adoração inusitada na beira da praia.

Quando o sol lindamente se pôs, como que engolido pelo mar, a praia irrompeu em um sonoro aplauso.

Fui tomado de surpresa.

Nunca tinha visto aquilo. É possível que seja comum em outros lugares. Não sei.

Perguntei a minha esposa: o que está acontecendo?

Ela respondeu: estão aplaudindo o sol!

No dia seguinte voltamos à praia e novamente o mesmo ritual.

Dessa vez eu acompanhei entusiasticamente a aclamação.

Minha esposa comentou: tem crente que diz que isso é paganismo! A velha adoração romana do Sol Invictus.

Pode ser, eu comentei, mas eu aplaudi ao Criador do sol, pois o que Ele faz todos os dias é um espetáculo merecedor de reverência.

Não pude evitar pensar: ali juntos na mesma praia paganismo e consciência do evangelho. Adoradores da criação e adoradores do Criador. Será fácil distinguir um do outro? Naquele momento certamente não.

Tudo depende da consciência com que você faz o que faz.

Um princípio que os evangélicos já deveriam ter aprendido.

Tempos atrás uma publicação evangélica foi condenada pela justiça a conceder direito de resposta a Procter and Gamble por  acusá-la sem provas de prática do satanismo. Através de  denúncia eles instruíam os crentes a não usar produtos dessa marca, pois correriam sério risco espiritual. Além de acusar sem provas, contribuíram para enfraquecer a já débil consciência crente.

Lembro do boneco do fofão, aquele personagem dos anos 80, que fazia parte da Turma do Balão Mágico (por alguns chamado de Balaão Mágico), foi acusado de conter uma espada amaldiçoada que teria o objetivo de encapetar as crianças.

Até hoje a Coca-cola é vista com suspeita e vítima de uma série de lendas evangélicas sobre seus gastos com objetivos do mal.

Será que isso poderia afetar minha vida espiritualmente?

Sinceramente, ao ouvir preocupações dessa ordem, parece que para o cristão médio, a vitória de Cristo sobre principados e potestades, foi uma vitória fraquinha que está sujeita a abalos por qualquer objeto, marca ou desenho com objetivos secretos.

Ora, Paulo, trata desse assunto na sua primeira carta aos Coríntios. As pessoas da igreja queriam saber se podiam comer carne sacrificada aos ídolos. A resposta de Paulo é inequívoca: depende de como você vai olhar aquela carne.

Se você enxerga como carne, coma com a consciência tranqüila. Se você enxerga como sacrifício pagão, não coma.

Nenhum objeto material ou natural é em si, profano ou sagrado. É o coração que santifica ou polui algo. Por isso lemos: todas as coisas são puras para os puros.

Outro dia ao sair da casa de um membro da igreja, ela me disse apontando para uma “espada de São Jorge”:

Pastor, vou jogar fora essa porcaria! Eu perguntei: por quê? Essa planta é uma criação de Deus. Algum coração a transformou em objeto de adoração, mas antes de qualquer coisa ela é uma criação de Deus.

O mesmo acontece todos os anos com a árvore de Natal e em alguns lugares até com a Cruz.

Alguns podem contra argumentar que tiveram más experiências com coisas dedicadas ao capeta. Ora, é o medo que dá poder as coisas de nos fazer mal.

Por isso, o discípulo de Jesus deveria ter uma consciência cada vez mais forte.  Uma consciência que entende que maior é o que está em nós, do que o que está no mundo. Santificando tudo que o cerca, em lugar de viver uma paranóia que é  péssimo testemunho de quem segue a Cristo. Pois temer coisas consagradas ao diabo, é uma debilidade mental que precisa ficar cada dia mais para trás.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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