Contra a máfia I

Mafia

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto…”.

Rui Barbosa em discurso no Senado em 1914

Pobre Rui Barbosa,  descobriu no caminho do bem o que todos descobrem: o mundo é uma grande máfia.

Se houver possibilidade de grandes lucros ali se alojarão homens poderosos e organizados que controlarão cada detalhe do jogo.

Falando em jogo, é impossível não lembrar o futebol.

Semana passada, vieram à tona através do Estadão documentos que comprovam a venda de amistosos da seleção brasileira por parte da CBF a grupos de empresários. Ontem as tramoias da dona do futebol mundial. Nada que surpreenda, só que com provas contundentes.

Alguém tem dúvida da razão que impede a FIFA de adotar o ponto eletrônico e a revisão de lances através da televisão para auxiliar árbitros?

Ouvi de um médico que na faculdade muitos  professores admitem sem cerimônias que doenças como o câncer já poderiam ter sido resolvidas, se a indústria farmacêutica se preocupasse mais com a saúde do que com lucros astronômicos obtidos com a venda de drogas para a quimioterapia.

Ano passado a revista Superinteressante publicou um livro revista que mostra como a indústria alimentícia adiciona produtos aos alimentos para viciar o consumidor. Eu sempre desconfiei, pois nunca entendi a paixão das crianças por esses salgadinhos com cheiro horroroso de chulé.

São muitos exemplos, mas estes já bastam para nos enjoar da raça humana.

Mesmo assim, a esperança é um imperativo, uma arma.

Frágil, perigosa, mas eficaz.

O vício, a maldade e a perversidade espreitam a alma em desespero!

“Podem esses ossos secos da nação de Israel reviver?” Perguntou o Senhor ao profeta.

“Tu o sabes!” Foi a resposta que Ezequiel aprendeu com Deus a dar.

Há esperança para Nínive? Não, disse o profeta Jonas  fugindo para bem longe.

Há esperança para Pedro depois de uma negação?

Nem ele acreditava mais…

Haveria esperança para Saulo o terrorista?

Os apóstolos apostaram todas as fichas que ele fingia.

Barnabé ouviu um sussurro estranho que lhe dizia o contrário.

Há um gosto misterioso neste universo pela subversão de expectativas, que transgride a monotonia da lei da gravidade e das probabilidades. É o vento indomável do Espírito.

Você que é discípulo de Jesus não pode esperar dos homens, nem de si mesmo, sentenças definitivas, mas do Espírito que atua nos homens.

Spurgeon ao subir as escadas do púlpito do Tabernáculo Metropolitano, repetia a confissão: creio no Espírito Santo, creio no Espírito Santo, creio no Espírito Santo. Você também precisa fazer o mesmo enquanto caminha no vale de ossos secos da existência.

Quando a chama romântica já se apagou e nenhuma utopia conquista mais seu coração que virou uma muralha de gelo é hora de chamar a santa esperança.

Só a esperança pode nos mover para o extraordinário neste mundo, e só as Escrituras nos apontam a base sólida para a esperança. Ali onde os céus se abrem e a tocha sai da presença de Deus e  toca a boca suja de Isaías, nosso coração desesperado pode ser tocado.

Não há fogo em nenhum outro altar.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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