Contra a máfia III: gente compassiva.

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A foto acima é de um médico que acaba de perder sua paciente de 19 anos. Ele sai do plantão e vai até a rua para chorar a perda. O colega é quem capta a cena com respeitosa distância. Logo após ele se recompõe e retorna ao trabalho. Esse médico ainda tem um coração.

A alma calejada é um dos piores episódios que podem acontecer ao homem. Anestesiado, ele perde a capacidade de chorar ou de se indignar com aquilo que faz os outros sofrerem. É quase um estado de psicopatia.

Nos evangelhos é possível vermos um contraste que ilumina nosso entendimento:

Jesus…

“Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor.”  (1)

Fariseus…

“Mas essa ralé que nada sabe da lei é maldita.” (2)

Existem pelo menos quatro maneiras de perdermos a sensibilidade:

Desobedecer a Deus.

A perda dos sentidos espirituais tem a ver com rebeldia. Se você age como se Deus não existisse, acaba sentido como se Deus não existisse! Uma parte muito grande dos evangélicos hoje, procura perceber a presença de Deus através da música, o que não é má idéia, mas pode trazer uma superficialidade na espiritualidade se não vier acompanhada de uma disposição de atender a direção de Deus para a vida. Quanto mais ouço a Deus, mais Ele fala comigo, quanto mais ele fala comigo, mais o sentimento de intimidade vai crescendo entre Ele e eu.

Fugir da dor.

O discípulo de Jesus é chamado a um relacionamento saudável com a dor. Ele não é masoquista, não procura a dor, e também não é hedonista, ele não vive sob o princípio do prazer.

Infelizmente muitos ocidentais caíram no segundo erro. A obsessão com a felicidade parece negar a realidade da dor.

As crianças não vão mais a funerais para não serem “traumatizadas” com a perda.

Os adultos preferem não ir a hospitais, pois “não gostam”. Ora quem pode gostar de hospitais?

Os velhos são abandonados para morrerem sozinhos, pois a sociedade não aprecia contemplar o seu futuro.

Então o que resta é gente que fantasia um mundo despoluído do incômodo do sofrimento.

Sentir e não agir.

Toda vez que a minha alma desperta ou é tocada, não posso silenciar a voz que me fala. Não é suficiente chorar.

Compadecer-se é envolver-se com a dor do outro. É orar por ele, tocá-lo, visitá-lo, dar-lhe de comer, falar uma palavra de esperança.

Sentir e não agir promove uma atitude de espectador da vida. Aquele tipo de pessoa que sabe expor bem os problemas, pode teologizar muito bem, pode até pregar com emoção, criticar os outros, mas a conseqüência na vida é zero.

A pessoa se mantém dentro do seu castelo a uma distância segura das pessoas. Afinal envolver-se tem um custo emocional alto, que o digam os cuidadores de almas.

Mas aqui cabe uma palavra de advertência aos líderes cristãos: cuide-se que ao liderar gente você não acabe se guardando das pessoas dando-lhes apenas seu “trabalho”, mas mantendo-se distante da alma e da dor delas. Há muitos profissionais, Deus nos guarde de sermos um deles.

O humor desalmado.

O antigo ensino familiar dizia que a dor alheia precisava ser respeitada. Mas esse ensino perdeu-se no caminho, não porque fosse ruim, apenas porque era antigo.

A cultura do espetáculo transformou tudo em show, até a dor alheia. O humor tão próprio da humanidade se desumanizou entre o cidadão médio. Tudo por mais um vídeo ou foto que alimente o Facebook ou o Whatsapp, enquanto a vida segue clamando pela minha participação.

Deus guarde a nossa alma.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1) Mateus 9:36

(2) João 7:49

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