Qual é o futuro dessa multidão de narcisos?

“nos perderemos entre monstros da nossa própria criação.”

Legião Urbana

Há dois mil anos atrás na história…

Herodes era rei da Palestina entre 47 a. C e 4 a. C. Um homem de muitos predicados. Bom administrador conseguiu manter aquele barril de pólvora que era Israel naqueles tempos, em paz. Em tempos difíceis reduziu impostos para que o povo pudesse sobreviver. Foi um grande empreendedor, e reconstruiu o templo de Jerusalém com grande majestade, conquistando o coração dos judeus mais empedernidos que questionavam sua autoridade por ter sangue idumeu em suas veias.

No entanto era vaidoso e narcisista. Não admitia nenhum relacionamento que não fosse de admiração. Assassinou sua esposa, e sua mãe Alexandra. Seu filho maior Antípater, e outros dois dos seus filhos também foram assassinados em razão de suas suspeitas de traição.

A simples possibilidade de um rei divino entre os judeus o lançou em um empreendimento de matança de meninos de dois anos para baixo em Israel conforme o relato do evangelho de Mateus. (1)

Em seus últimos suspiros, ordenou que todos os seus inimigos fossem assassinados no dia de sua morte para que não houvesse alegria pelo seu passamento entre o povo.

O narcisismo além de ridículo, é cruel. Somos tão fascinados com a própria imagem hoje quanto foi Herodes ontem. A única diferença é o poder. Mas o que pode acontecer a uma multidão de narcisos ensandecidos?

Podemos esperar que amizades maduras e profundas se tornarão cada vez mais escassas. O narcisismo não admite relação que não seja marcada pela adulação. No conceito dessa geração, amigos de verdade não podem falar nada desagradável.

É um raciocínio simplista, usado até por pessoas inteligentes, infectadas pelo fascínio de sua própria imagem.

Podemos esperar um abismo crescente entre indivíduos na sociedade ocidental apesar do ensino constante sobre tolerância. Aí está um tema contraditório. Enquanto se ensina tolerância, cultiva-se uma atitude fascinada com a própria imagem. Sem ignorar as diversas razões para o desenvolvimento da homossexualidade, digo que uma grande parcela do fenômeno atual tem a ver com personalidades narcisistas. A paixão por si mesmo leva a atração pelo igual.

O casamento heterossexual sofrerá ainda mais, pois homens e mulheres são dois universos que precisam de reconciliação e não disputas de poder.

Nossos filhos serão ingovernáveis, pois como ouvi de minha sogra: “se todos forem príncipes e princesas nesta sociedade, daqui alguns anos não restará quem possa ser governado.” É muita majestade!

Podemos esperar um acentuado bullying em relação ao feio e ao velho. Em breve teremos a geração mais amargurada da história, pois não consegue conviver com rugas insolúveis e as perdas naturais do envelhecimento. Os feios serão cada vez mais segregados afinal a imagem é a chave para todas as portas de emprego e oportunidades em geral.

Podemos esperar como já vemos hoje o crescimento de um certo tipo de ateísmo, já que Deus é “Totalmente outro”, um intruso no nosso faz de contas de soberania neste universo.

Sim, não precisa ser gênio para antever o que virá. Talvez sobre nós mesmos, a não ser que…

Ouçamos com seriedade as verdades antigas e eternas da chamada do Senhor de renúncia do eu e do morrer para viver. Nada a não ser a entrega radical do nosso “eu” no discipulado nos retirará da água que sobe no nosso pescoço nestes dias.

Quem tiver olhos para discernir, veja.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1) Mateus 2

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