O mito da família evangélica perfeita

Começo de conversa. Não há na Bíblia, nenhuma família modelar.

O homem segundo o coração de Deus? Nem vamos falar, talvez como exemplo do que não se deve fazer.

Talvez o pai da fé, Abraão? Hum, gerações repetindo o mesmo pecado. Deixa pra lá.

Quem sabe a família do nosso Senhor Jesus Cristo? Nem eles se salvam, pois no princípio não acreditavam no irmão.

Bom, tendo isso posto, ataquemos o problema em nossas plagas.

As primeiras vítimas desse mito são os recém-casados. O despreparo para o choque de dois mundos que é o primeiro ano do casamento, faz com que eu encontre gente muito desanimada após a cerimônia. Desiludida. Sempre digo a todos eles: “é assim mesmo”.

Os pais também são incluídos. Eles esperam que seus filhos sejam músicos e grandes líderes dentro da comunidade. Se são pastores a pressão interna e da comunidade é ainda mais insana. São feitos planos esperando um roteiro de conto de fadas. Acredita-se que é possível controlar as almas dos filhos.

Só que a realidade morde. Nossos filhos brigam, afastam-se da igreja, os casais se desentendem alguns minutos antes da Santa Ceia, esgotamento mental e decisões sobre ministério estremecem relacionamentos. E como se não fosse suficiente o conflito em si, tem a pressão de disfarçar tudo para o povo para que eles vejam como somos perfeitos.

Além disso o desejo da família perfeita é de certa forma um narcisismo que faz de alguns exibicionistas vaidosos e cuja ajuda tem sempre um tom de condenação e superioridade que se distancia totalmente da compaixão que o nosso Senhor nos ensinou. Não é de se admirar que Deus permita problemas para recuperarmos o tom humilde que deve caracterizar os filhos de Deus.

Alguns pastores são compassivos pela metade. São capazes de estender a mão amiga ao povo da igreja quando peca, mas são implacáveis em relação aos seus próprios filhos quando eles não contemplam sonhos pessoais de ministério.

Ah, se aquela foto linda do Facebook pudesse falar…

O terrível efeito colateral dessa obsessão evangélica, é que quando os problemas acontecem dificilmente há uma procura por ajuda. Parece que quem enfrenta problemas é um estranho na igreja. Só que não.

Adultério, casamento misto, incompatibilidade de gênios são só a ponta do iceberg de uma série de comportamentos insanos.

Vamos nos conformar então com um testemunho abaixo da média? Não definitivamente não. Mas não vamos fingir. Mil vezes, não. Mas às vezes, deixar nossos filhos errar, pode fazer um bem tremendo a eles. Ou nós mesmos termos a coragem de dizer: “não está tudo bem.”

Glória a Deus pelos irmãos que voam alto como as águias, mas a grande maioria usa as asas de cera de Ícaro. Não queremos ser seguidores destes.

Vamos investir em encontros de casais, aconselhamento pré-matrimonial, formação de conselheiros capacitados e principalmente, criar uma cultura que se concentra no crescimento e não na perfeição. Vamos tirar esse fardo que Jesus não colocou sobre nós.

Uma mentira evangélica, não é mais válida porque é evangélica. Só a verdade liberta.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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