Três segredos bíblicos para uma igreja unida

A experiência de união com a comunidade de fé é comparada pelo salmista com a unção de Deus, e refresco no deserto. (1)

Jesus disse que seria um fator de atração da igreja. (2)

Mas como chegar lá sem comprometer a Palavra?

Alguns estudiosos de origem americana, escreveram livro sugerindo que as igrejas deveriam se reunir em segmentos de identificação cultural. Igrejas de negros, brancos, roqueiros, sambistas, jovens e qualquer que seja sua tribo.

Creio que essa ideia comprada por muitos é uma traição ao espírito do evangelho. A diversidade dos discípulos que Jesus escolheu, a natureza da igreja que se formou em Antioquia e a metáfora do corpo de Cristo deixam muito claro que a grande liga da igreja deve ser realmente as questões espirituais. Para não ser que em um lugar que todos pensam iguais transformemos o evangelho em confraria de iguais.

Igrejas multiculturais representam o céu na terra, expressam o “venha o Teu Reino” que é descrito em Apocalipse como “gente de toda língua, povo e raça”.

Qual é o cimento que nos une? Qual é a nossa liga? O que faz com que vivamos em união?

Três caminhos bíblicos:

  1. A oração corporativa.

Deve ser tão intensa, variada e desenvolvida esta prática na igreja a ponto de se tornar um porto seguro ao qual recorremos sempre para recarregar nossa força espiritual.

Jesus mesmo declarou que a oração conjunta tinha um poder especial. Especule o quanto quiser do porquê, mas o fato é que o hábito de orar com os irmãos é um meio de graça escolhido por Deus para nos abençoar. Infelizmente somos pródigos em seminários, estudos, reuniões de decisões, mas fracos na oração conjunta. Talvez algumas programações que realizamos fossem muito mais bem-sucedidas se fossem precedidas de oração importuna e não burocrática. Oramos em muitas reuniões apenas para bater o ponto. Do tipo: vamos cumprir a obrigação logo e nos ocupemos do que interessa. A oração corporativa tem poder de unir corações em compaixão e propósito. Não poderia ser tão descuidada, apressada e leviana.

Sabe aqueles momentos em que ninguém se entende na igreja? Pare tudo, e ore com a igreja até que tudo mude.

  1. Pensar como corpo.

Precisamos nos desintoxicar do pensamento mundano de “o que eu ganho com isso?” e trocar pelo “o que o corpo ganha com isso?” Isso será uma subversão do pensamento individualista que reina, divide e nos afasta.

É preciso praticar a alegria com os que estão alegres. É preciso livrar os sistemas de organização da igreja de todo ranço competitivo que trazemos em cada canto da alma.

Requer-se abandonar sonhos de usar os irmãos para a própria fama ministerial.

Mas acima de tudo a igreja começa a pensar como corpo quando sua prioridade são aqueles que não podem defender a si mesmos. Os enfraquecidos, os doentes, as crianças, os velhos, os deficientes e os pobres.

Uma igreja que não tem pensamento, atenção e investimento para estes, jamais será uma igreja unida, até porque suas prioridades distam daquelas que seu cabeça estabeleceu!

  1. Olhar fixamente para Jesus.

A igreja que não está apaixonada por Jesus, que não o considera de fato e de verdade a pessoa mais inteligente do mundo jamais poderá conviver. Para isso é necessário que como o apóstolo Paulo fez, Jesus Cristo seja exposto em cada pregação. Que os evangelhos sejam repetidamente desvendados diante do povo e que até as crianças saibam de cor a mensagem da cruz. É necessário que haja experiência no povo de morte e ressurreição existencial no casamento, no trabalho ou seja qual for a dimensão da vida.

É simples, mas não é fácil. Todo pêssego suculento tem seu caroço. Todo abacaxi doce tem sua casca grossa.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1) Salmos 133

(2) João 17

(3) Apocalipse 7:9-12

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