Carta aberta as mães pós-modernas

Mãe, não entregue seus olhos nas mãos do seu filho, para que ele veja por você.

Esses olhos já viram muita coisa que talvez leve muito tempo para que essa criança chegue a enxergar.

Não, o fato de ele mexer nessas geringonças tecnológicas com a habilidade que um craque domina uma bola, não faz dele um gênio e muito menos um sábio capaz de navegar através da vida sem sua colaboração.

Ele é surpreendentemente inteligente, mas também carrega a tolice da ingenuidade. Precisa de alguém que grite em sua consciência como um potente alto falante a realidade dolorida.

Eu sei que você não suporta ver aqueles olhos marejados por qualquer razão, mas não esqueça que foram as lágrimas que irrigaram as mais arraigadas lições que você aprendeu. Isso não mudou, apesar do modelo de celular mudar de seis em seis meses.

Não acredite cegamente em tudo que ele diz. Faça auditorias surpresas. Sim, a despeito de toda abertura que você fez depois da ditadura dos seus pais, ele ainda encontra motivos para mentir.

Às vezes não quer ver você exasperada por situações perigosas, outras vezes quer apenas espaço, e às vezes acha que você não entende nada mesmo.

Por favor, também não entregue suas mãos em serviço escravo para ele. Eu garanto que ele vai detestar o fato de ter sido aleijado na sua total capacidade de se virar.

E por favor suba naquele pedestal da sala de sua casa e tire seu filho dali. É um peso insuportável para ele carregar. Aceite que ele é humano. Não o faça prisioneiro dos seus sonhos carentes. Ele pode se matar para realizar, talvez mentir para você ficar feliz e pior ainda poderá chutar o balde mesmo, só para poder experimentar a liberdade. E isso vai doer demais.

Ah, não dispute queda de braço com seu filho. Isso não é um jogo de poder. Ele é melhor do que você nisso, lhe sobra tempo e energia. A palavra é como semente. Deixe ela morrer. Deixe. O broto vai nascer por si só.  Não é preciso acrescentar “eu tinha razão” e o “eu disse”. Pode matar como veneno.

Depois de ter feito tudo isso, aceite que o melhor é sempre insuficiente para os filhos em certa época da vida. Seja apenas escrava da sua consciência diante de Deus, não da aprovação do seu filho. Mães carentes podem acabar fazendo muito mal. Cuide-se antes de cuidar.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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