A alma evangélica é infantil demais

“O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para o outro…”

Efésios 4:14

O evangelho nos ensina que não devemos ser crianças, mas que precisamos ser como crianças para entrar no Reino dos céus. (1)

O quê?!

Sim você leu certo.

Como crianças na simplicidade, na espontaneidade, na abertura para o novo e aventura, mas não mimadas, distraídos com questões sem importância.

Lamentável, estamos invertendo tudo.

Desde que me conheço por cristão, a igreja evangélica se vê entretida com infantilidades.

Gastando pólvora em chimango. Perdendo tempo, e vendo o diabo onde ele não está, ou vendo em todo lugar, menos no lugar certo.

O diabo é velho e inteligente. Nós ficamos velhos e continuamos ingênuos.

Anos 80, as igrejas lutavam com questões como colocar bateria nos cultos, tocar música rock, e falar mal do boneco fofão que assolaria a cristandade brasileira para sempre! Enquanto isso perdíamos uma geração de jovens, ou estragaríamos a cabeça de quem permaneceu com legalismos improdutivos e caducos.

Anos 90, as igrejas combatiam a dança, porque o mundo entraria na igreja. Os “bananas de pijamas” e os filmes da Disney eram então o flagelo. Palestras e vídeos eram vendidos aos borbotões para os lares dos crentes. Enquanto isso a teologia da prosperidade entrava pela porta da frente das igrejas. Dançamos com Mamom e encontramos justificativas bíblicas.

O século XXI chega e a preocupação da igreja evangélica é impedir que os jovens usem piercings e tatuagens. Apesar de lermos a Bíblia todos os dias (será?), não conseguimos fazer a reflexão sobre o que caducou do Antigo Testamento e o que permanece.

Há pouco tempo, a Peppa Pig era uma ameaça a infância das crianças porque seu nariz se assemelhava a um pênis! Teve gente que conseguiu essa façanha. Freud explica.

Acreditamos em qualquer sensacionalista que traga uma informação tipo “teoria da conspiração”. Não verificamos fontes nem procedência das informações.

Enquanto isso falsos profetas, bispos, apóstolos, e patriarcas, vestindo ternos elegantes, falando linguagem empresarial ostentando e seduzindo o povo, não ouvem uma palavra de denúncia dos acovardados líderes que olham para eles com indisfarçada inveja e cobiça!

Como bem diagnosticou Ronaldo Lidório: nos últimos trinta anos a igreja evangélica trocou a santidade pela prosperidade.

Exemplo perfeito do que é engolir camelos e coar mosquitos. (2) OU se preferir brigar pelo banal e esquecer o essencial.

Cadê nossa preocupação com missões mundiais?

Onde está nosso compromisso com a igreja que sofre?

Onde estão nossas boas obras de amor em um país desigual?

Parem caçadores de demônios.

Leiam mais a Bíblia que carregam.

Vejam os temas que preocupavam os profetas, e verdadeiros apóstolos. Olhem para o Jesus nos evangelhos e vejam suas inquietações.

Estamos desperdiçando energia preciosa dando socos no ar.

E agora tenho que receber correntinha com informações sobre o jogo do “Pokémon Go”.

Pokemóns são demônios? Por favor, irmãos, vocês são mais inteligentes do que isso.

Acho até bom que as crianças possam pelo menos sair de casa e se mexerem em lugar de mofarem em quartos escuros. Profetadas são o verdadeiro mal.

Vamos ser adultos. Crentes, mas não crédulos. Vamos crescer para dentro!

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério

(1) Mateus 18:4 e Efésios 4:14

(2) Mateus 23:24

Não relaxe

“Quem relaxa em seu trabalho, é irmão do que o destrói. ”

Provérbios 18:9

Os melhores homens não são derrotados pelos pecados mais óbvios.

Eles estão preparados para monstros terríveis, vigílias prolongadas, florestas ameaçadoras e noites frias.

Eles já têm no seu portfólio batalhas épicas e inesquecíveis.

Podem testemunhar o poder de Deus para preparar para guerra, fazer brotar água no deserto, derrubar gigantes com uma pedra certeira, derrotar um povo e receber provisões na boca de um corvo.

Mas as vitórias homéricas, cegam para as grandes ameaças.

E não existe ameaça mais insignificante do que o relaxamento.

Há uma expressão comum entre nós: relaxamento natural.

Somos tomados lentamente pela convicção que os avanços, os progressos a vida espiritual equilibrada chegam naturalmente nesse mundo de ervas daninhas, espinheiros e ruínas.

É a derrota que vem de dentro para fora.

O homem que orava intensamente pedindo sabedoria e graça já não mostra a dependência de antes, preferindo a agitação da adrenalina.

O líder que cuidava de cada pessoa ouvindo, interessando-se e aconselhando, apenas entrega tudo na conta do sucesso que passou.

O pregador da palavra fresca agora requenta pensamentos surrados e experiências antigas, quando não toma emprestado o machado de outrem, mais frequentemente do que deveria.

O marido da palavra escolhida, do momento preparado, de olhos faiscante, agora sem ajuda dos hormônios dos três primeiros anos, é prisioneiro da rotina modorrenta e previsível.

Então o mal, entra, permanece e mata.

Como Davi que não foi para a guerra, subitamente nos sentimos vulneráveis e a mercê das forças que guerreiam contra nossa alma.

As paixões atacam sem defesa.

O relaxamento nos destruiu em silêncio.

E desse lado do céu, todo relaxamento será castigado.

Não canse de cuidar de si mesmo e dos outros.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

Ver de perto e ver de longe

Não se perca nos detalhes. Eles dizem alguma coisa, mas estão longe de dizer tudo.

Você precisa ter visão panorâmica.

Ver de longe. A proximidade as vezes cega.

A vida familiar é a principal vítima da falta de perspectiva. Embora não seja a única.

Os irmãos de Jesus e o povo de Nazaré, custaram a ver a Cristo como o Homem.

Afinal, haviam jogado bolinha de gude com ele, andado de carrinho de rolimã, soltado pipa no outono e visto ele tirar um tampão do dedo jogando futebol em uma sexta-feira de verão escaldante.

Eles andaram tão perto dele, que nem perceberam sua grandeza.

Às vezes a família é a última fronteira do reconhecimento.

Astigmatismo puro.

Enxerga-se maravilhas na casa do vizinho, enquanto o diamante bruto está apenas alguns metros de distância.

Você pode azedar por falta de perspectiva.

Alguns precisam perder tudo para entender que tinham tudo.

A batalha dos ajustes cotidianos, das negociações por espaço, das implicâncias viciosas, da resposta automatizada pode esconder a contrapartida do cuidado, da preocupação, do serviço mútuo, da companhia silenciosa, da história construída.

Você briga com seu marido e joga no holofote da alma aquela hostilidade de hoje de manhã. Você é tomada pelo pensamento: ele é um homem tosco!

Naquela manhã, você teve um curto-circuito mental, e esqueceu que na noite anterior, ele foi buscar um cobertor porque você estava com frio, e trouxe o medicamento para sua dor de cabeça.

Mas sua mente congelou. Ele agora é apenas um brucutu.

Sequestrados pela ira, nós não queremos os argumentos da razão e da sabedoria. Precisamos legitimar a raiva. Ter a certeza de que estamos certos.

Então um dia você soma essa playlist do dia a dia e conclui: esse casamento foi um erro!

Isso mataria qualquer relacionamento, pois a verdade é que não somos uma coisa só, somos muitos, no mesmo dia.

Sou forte para dizer não a um filho, e fraco para andar de avião.

Sou capaz de discernir problemas das pessoas, mas completamente descapacitado para me localizar em qualquer cidade.

Sou gentil pela manhã, e uma patrola pela tarde.

Como serei visto? Como verei as pessoas?

É preciso escolher ver de perto e ver de longe! Para ver toda a história.

O mesmo Pedro que faz a confissão teologicamente correta: “Tu és o Cristo, filho do Deus vivo. ”  É o mesmo que diz a Jesus: “Não conheço esse homem”.

Quem é o verdadeiro Pedro?

Jesus sabia que eram os dois.

Foi isso que possibilitou que ele se tornasse o grande líder dos apóstolos após a ressurreição.

Se as pessoas florescerão ao seu redor ou não, dependerá da sua capacidade de ver de perto e ver de longe.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.