Por que os filhos de cristãos fogem da igreja?

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“Ele fará que o coração dos pais volte para seus filhos e o coração dos filhos volte para seus pais.  Do contrário, eu virei e castigarei a terra com maldição.”

Malaquias 4:6

Sempre me intrigou a ojeriza com que alguns filhos de crentes reagiram ao evangelho exposto a eles dentro de casa.

Antes de simplesmente chamá-los de rebelde, o que seria fácil e conveniente, quero descobrir para meu próprio benefício e de outros parceiros que se preocupam com a vida espiritual de seus filhos, quais os fatores familiares mais distanciam os filhos dos crentes da igreja.

É curioso, como muitos desses pródigos em sua maioria não rejeitou a fé, mas rejeitam de forma hostil a comunidade cristã.

Depois de conversar com muita gente, gostaria de sugerir algumas respostas, que certamente não são científicas, já que não sou pesquisador, mas apenas ouvinte atento e privilegiado. Afinal são mais de 23 anos de ministério em tempo integral.

Fator número 1: Uma obsessão com a perfeição. Os filhos afastados muitas vezes precisaram desempenhar um desempenho ilibado diante dos membros da igreja, sem poderem expor suas dúvidas e dificuldades. A perfeição as vezes estava ligada ao uso de certas roupas, a aparência de dedicação adulta e ao uso de um vocabulário “santificado”. A preocupação se restringia apenas a conduta e o coração não era tratado.

Fator número 2: Incapacidade para rir e divertir-se. Ora, o ativismo incansável, a seriedade extrema, a dificuldade para aceitar a troça e o divertimento como parte da vida, contribuem para feridas posteriores. De certa forma um assassínio da infância.

Fator número 3: Falta de evangelização. Presume-se que quem está dentro da igreja entende tudo o que se fala. Não há dentro de casa uma discussão clara dos conteúdos do evangelho, nem uma ênfase direta na escola bíblica dominical sobre a necessidade de conversão. Contar histórias bíblicas não significa necessariamente a mesma coisa que evangelizar.

Fator número 4: Os pais manifestavam uma atitude de quem estava sempre certo e os filhos sempre errados. Eles não eram modelo de quebrantamento e humildade. A disciplina se assemelhava a rigidez militar. Muitos dos afastados, manifestaram cansaço com uma inflexibilidade quanto a horários e atitudes. Também falaram de que faltava afeto na cobrança de comportamentos aceitáveis.

Fator número 5: Cruzada moral contra as preferências típicas da juventude.  Aqui podemos colocar corte de cabelo, adereços e música. A liderança acabava se prestando ao papel de reprimir a individualidade dos jovens misturando conservadorismo com mensagem do evangelho. O texto preferido sempre foi de que os jovens não podiam “escandalizar” os mais velhos.

Muitas vezes o alvo preferido da crítica das pregações eram os vícios juvenis e raramente os pecados dos mais velhos.

Outro dia ouvi o sarcasmo de uma pessoa afastada da igreja dizendo: “As irmãs do círculo de oração pintaram e bordaram na juventude, e agora que pela provecta idade não podem mais agitar, só querem saber das reuniões de oração. ”

Lembro do Ezequiel filho do Pastor Antenor, que criado em um ambiente de alta exigência comportamental, quando completou seus 18 anos e pode se sustentar longe do domínio paterno, assumiu os comportamentos mais condenados na sua igreja. Começou a fumar e a beber sem limites, namorar meninas que não tinham a fé como parte da sua vida e frequentar festas desregradas semanalmente. Uma proclamação de independência.

Fator 6: O ativismo vazio. Famílias típicas da igreja, raramente desfrutaram de tempo de qualidade juntos. Em alguns lugares nem sequer uma refeição. O funcionamento da família era de três turnos de trabalho. Alguns sequer separavam um dia de descanso, quanto mais dias de férias. Os filhos acabaram vendo a igreja como uma competidora que lhes roubava o que restava dos pais.

O quanto cada questão dessas tem de impacto, é uma discussão que nós deveríamos trazer para nossas comunidades. Eu não quero que minha família e igreja sejam um obstáculo para a jornada de fé de meus filhos.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério

Ser cristão não é ser um cara legal. (4)

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Se você lesse os evangelhos pela primeira vez, como você definiria Jesus?

Certamente, você não o descreveria como um cara legal! Isso porque depois de filtrarmos tudo que nos escandalizava no filho de Deus, nós transformamos o projeto de discipulado de Jesus em bom mocismo.

“Que benção ele é, não tem boca pra nada!”

Nós brasileiros gostamos desse perfil cara legal. A gente tem uma dificuldade entranhada de admitir conflitos, agravado por uma versão água com açúcar do evangelho.

Para nós o conflito é o fim do mundo. Então tudo fica velado, escondido, debaixo do tapete, embora esteja ali pra gente tropeçar a qualquer momento.

A especialidade da nossa cultura é a facada pelas costas, os sussurros ao pé do ouvido, conspirações em quartos fechados regado a muitos sorrisos e tapinhas amigáveis. Somos traiçoeiros.

E a gente precisa atravessar os conflitos pra que o relacionamento siga adiante. Não entender a natureza dos conflitos ou fugir deles é condenar o relacionamento a morte.

Precisamos entender que todo o conflito é bom! Ele define caminhos, posturas e expectativas. É difícil aprender isso, quando são muitos anos acostumados a guerras surdas. Mas é isso que vemos na Escritura e precisamos nos reeducar.

Jesus sempre tratou os conflitos. Até mesmo os mais espinhosos. Ele não fingia que não via, e quando as pessoas não queriam mais diálogo, ele simplesmente ia embora.

Quando os discípulos disputavam quem iria ser o primeiro, o mais importante entre eles, Jesus entrou em cena. Ele não se fez de vítima, nem fez que não viu. Ali havia algo fundamental a ser tratado. Era a mentalidade de poder contra a mentalidade de serviço. E seu tratamento foi gráfico. Ele pegou uma bacia e lavou os pés dos discípulos para mostrar que quem é maior no Reino, serve aos outros.

Não importa qual seja o resultado. É melhor o conflito tratado, do que o conflito escondido.

O conflito escondido gera distanciamento. Quando estamos incomodados por dentro, não queremos conversar, estar próximos. Sabe aquela pessoa que não chega mais perto de você e você não entende? É um conflito velado!

O conflito escondido gera divisão. Pois quando não falo para quem precisa ouvir, eu falo com quem não tem nada a ver com o assunto e acabo arregimentando aliados. Transformo uma diferença em uma disputa.

O conflito escondido gera desânimo. Ambientes de trabalho vão abaixo, as pessoas dão o mínimo necessário quando na linguagem futebolística “o vestiário está rachado”.

Querer ser um cara legal tem um custo alto demais!

Quando a igreja começou a alcançar os gentios, ela não sabia o que da lei eles deveriam obedecer e o que deveriam deixar de lado. Foi depois de intenso debate que eles definiram uma posição. Nesse caso o conflito trouxe unidade de visão.

Isso, não quer dizer que você vai querer resolver tudo. Existem coisas pequenas demais, que podemos deixar passar. Você não vai mudar o temperamento de uma pessoa, por exemplo. Quem é falante vai ser sempre falante. Quem fala pouco, sempre falará pouco e pensará bastante.

O próprio Jesus evitou algumas questões, como a herança entre irmãos. Ele não era um homem bomba com a faca entre os dentes sempre que interpelado sobre alguma questão. Deixamos isso para o Ratinho e afins.

Eu sugiro a você três perguntas para saber se uma demanda vale a pena o enfrentamento:

Quero manter esse relacionamento no futuro?

Minha cabeça está fria para falar?

Essa questão vai afetar o andamento da minha vida lá na frente?

Eu posso lhe garantir que toda vez que tratamos nossos conflitos, embora possa ser motivo de angústia e aflição para alguns, nossos relacionamentos avançam e se definem. Mesmo quando não chegamos a um acordo.

Veja o que aconteceu com Paulo e Barnabé. Eles discordaram sobre dar uma segunda chance a João Marcos.  Não chegaram a um ponto em comum naquele momento. Embora Paulo, anos mais tarde tenha cedido, eles naquele momento decidiram não andar mais juntos. Foi melhor do que acabarem se devorando nos bastidores.

É “concordar em discordar”.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

Fora com os adivinhos (3)

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“O sábio é conhecido por seu discernimento; palavras agradáveis são convincentes.”

Provérbios 16:21

Eu saía apressado e fardado para jogar o futebol semanal com a turma da igreja quando meu filho caçula, me grita no meio do caminho: Pai, pai, posso ir contigo!

– Só se tu já estiveres pronto!

– Eu tô pai!

– Então entra no carro.

No meio do caminho, um detalhe importante me veio a mente.

– Filho, tu falaste pra tua mãe, que tu ia sair comigo?

– Não, mas ela vai saber…

– Não filho, vamos voltar e avisar. Ela não vai saber, e certamente vai pensar muita bobagem quando te chamar e não te ver.

O que aconteceu com meu filho, acontece a todo momento em organizações e em todas as esferas. É a crença cega no poder de adivinhação das pessoas. É achar que as pessoas são Sherlock Holmes capazes de achar evidências onde todos silenciaram.

O bom relacionamento depende de nossa capacidade crescente de romper o silêncio e nos comunicarmos.

O silêncio dá espaço para a imaginação, e pela minha experiência a nossa imaginação é inclinada a criar filmes de terror.

Nesse caso, a diferença entre a paz de espírito e um estado emocional miserável está apenas a uma informação de distância.

Você pode mudar tudo dessa maneira:

  1. Nunca perca uma oportunidade de falar às pessoas o que foi bem feito!

Outro dia eu estava esperando pra ser atendido em uma papelaria, e a pessoa que me precedia pediu ao atendente que lhe escrevesse o endereço de e-mail em um papel pois ele precisava enviar mais alguns documentos para imprimir.

O atendente rabiscou em um papel e lhe alcançou. O homem logo reagiu.

– Que letra feia! Faltou à aula de caligrafia? Não te ensinaram a escrever?

O atendente ficou meio sem jeito, enquanto o homem resmungava e pegava seu material.

Eu fiquei curioso e perguntei a ele depois que ele saiu:

– Esse cara é teu amigo?

O atendente respondeu que não.

Eu continuei curioso e perguntei:

– Que material ele estava preparando?

– Currículo para recolocação no mercado de trabalho, me disse o atendente.

Não consegui resistir e comentei:

– Com esse jeito, não é de admirar que ele esteja procurando emprego. Quem suporta tamanha grosseria!

Falta gente que diga: Bem feito! As pessoas estão toda hora duvidando e pisando em terra movediça nos relacionamentos e elas precisam mais do que ouvir o que está errado, precisam encorajamento para aquilo que está certo.

Muita gente desanima seus filhos apenas comentando o que eles fazem de errado, mas a melhor educação é a que reforça o que é bem feito!

  1. Toda vez que você ficar em dúvida sobre algum assunto: PERGUNTE!

Se é algo realmente importante para a confiança e a sequência do relacionamento, você tem direito a saber.

Mas se dirija a quem pode realmente lhe responder. É muito comum a gente semear desconfiança em quem não tem nada a ver com o assunto, em lugar de esclarecer.

É fácil sair por aí falando de alguém: Ele não responde mensagens do WhatsApp!

Quando o certo seria você ir até a pessoa e manifestar sua dúvida:

Eu não entendi porque tu demoraste a responder à mensagem que te enviei.

  1. Quando você achar que algo não está bom, faça uma sugestão de mudança.

É comum a gente tomar tudo que é irritante como pessoal. A gente se acha o centro do universo e presume que aquela luz acesa sem necessidade foi ligada por alguém que conhece nosso cuidado e que calculou minuciosamente uma maneira de nos perturbar.

Ou talvez a única maneira que a gente aprendeu de tratar um problema seja reclamar.

Saiba, o que as pessoas precisam são saídas.

Um murmurador é como uma goteira fria caindo no seu pescoço durante um dia de inverno. Basta uma amostra pra gente correr.

Então você pode fazer assim:

“Eu percebi que tu deixaste a luz acesa, eu gostaria que você deixasse apagada toda vez que saísse. ”

Sem indiretas, sem rodeios, mas com muito respeito.

  1. Sempre que acontecer algum fato novo, comunique a todos os envolvidos.

Mudanças de horário, oportunidades, impedimentos, cancelamentos, propostas, dificuldades, investimentos.

As pessoas precisam saber.

  1. Seja absolutamente claro quanto as suas expectativas.

Se for preciso, escreva.

Chefe, diga ao novo empregado quais resultados ele precisa entregar.

Pai, diga ao filho, quais comportamentos são aceitáveis e quais não. Parte da educação é ser bem claro sobre o que se espera e porque se espera.

Esposa, certamente você gostaria que seu marido adivinhasse que ele precisa limpar a garagem neste sábado pois você está muito cansada, mas infelizmente ele não percebeu. Então, fale.

E lembre-se, a comunicação não acontece quando você fala, mas quando as pessoas entendem.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério