Ser cristão não é ser um cara legal. (4)

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Se você lesse os evangelhos pela primeira vez, como você definiria Jesus?

Certamente, você não o descreveria como um cara legal! Isso porque depois de filtrarmos tudo que nos escandalizava no filho de Deus, nós transformamos o projeto de discipulado de Jesus em bom mocismo.

“Que benção ele é, não tem boca pra nada!”

Nós brasileiros gostamos desse perfil cara legal. A gente tem uma dificuldade entranhada de admitir conflitos, agravado por uma versão água com açúcar do evangelho.

Para nós o conflito é o fim do mundo. Então tudo fica velado, escondido, debaixo do tapete, embora esteja ali pra gente tropeçar a qualquer momento.

A especialidade da nossa cultura é a facada pelas costas, os sussurros ao pé do ouvido, conspirações em quartos fechados regado a muitos sorrisos e tapinhas amigáveis. Somos traiçoeiros.

E a gente precisa atravessar os conflitos pra que o relacionamento siga adiante. Não entender a natureza dos conflitos ou fugir deles é condenar o relacionamento a morte.

Precisamos entender que todo o conflito é bom! Ele define caminhos, posturas e expectativas. É difícil aprender isso, quando são muitos anos acostumados a guerras surdas. Mas é isso que vemos na Escritura e precisamos nos reeducar.

Jesus sempre tratou os conflitos. Até mesmo os mais espinhosos. Ele não fingia que não via, e quando as pessoas não queriam mais diálogo, ele simplesmente ia embora.

Quando os discípulos disputavam quem iria ser o primeiro, o mais importante entre eles, Jesus entrou em cena. Ele não se fez de vítima, nem fez que não viu. Ali havia algo fundamental a ser tratado. Era a mentalidade de poder contra a mentalidade de serviço. E seu tratamento foi gráfico. Ele pegou uma bacia e lavou os pés dos discípulos para mostrar que quem é maior no Reino, serve aos outros.

Não importa qual seja o resultado. É melhor o conflito tratado, do que o conflito escondido.

O conflito escondido gera distanciamento. Quando estamos incomodados por dentro, não queremos conversar, estar próximos. Sabe aquela pessoa que não chega mais perto de você e você não entende? É um conflito velado!

O conflito escondido gera divisão. Pois quando não falo para quem precisa ouvir, eu falo com quem não tem nada a ver com o assunto e acabo arregimentando aliados. Transformo uma diferença em uma disputa.

O conflito escondido gera desânimo. Ambientes de trabalho vão abaixo, as pessoas dão o mínimo necessário quando na linguagem futebolística “o vestiário está rachado”.

Querer ser um cara legal tem um custo alto demais!

Quando a igreja começou a alcançar os gentios, ela não sabia o que da lei eles deveriam obedecer e o que deveriam deixar de lado. Foi depois de intenso debate que eles definiram uma posição. Nesse caso o conflito trouxe unidade de visão.

Isso, não quer dizer que você vai querer resolver tudo. Existem coisas pequenas demais, que podemos deixar passar. Você não vai mudar o temperamento de uma pessoa, por exemplo. Quem é falante vai ser sempre falante. Quem fala pouco, sempre falará pouco e pensará bastante.

O próprio Jesus evitou algumas questões, como a herança entre irmãos. Ele não era um homem bomba com a faca entre os dentes sempre que interpelado sobre alguma questão. Deixamos isso para o Ratinho e afins.

Eu sugiro a você três perguntas para saber se uma demanda vale a pena o enfrentamento:

Quero manter esse relacionamento no futuro?

Minha cabeça está fria para falar?

Essa questão vai afetar o andamento da minha vida lá na frente?

Eu posso lhe garantir que toda vez que tratamos nossos conflitos, embora possa ser motivo de angústia e aflição para alguns, nossos relacionamentos avançam e se definem. Mesmo quando não chegamos a um acordo.

Veja o que aconteceu com Paulo e Barnabé. Eles discordaram sobre dar uma segunda chance a João Marcos.  Não chegaram a um ponto em comum naquele momento. Embora Paulo, anos mais tarde tenha cedido, eles naquele momento decidiram não andar mais juntos. Foi melhor do que acabarem se devorando nos bastidores.

É “concordar em discordar”.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

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