Carnaval

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“O amor não pratica o mal contra o seu próximo.”

Romanos 13:10

DISCÍPULO = DISCIPLINA

O discípulo é chamado a disciplina do discipulado. Ele já é novo homem, mas ainda precisa ser. Cristo começou o treinamento para a vida. Ele vai aprender a falar, a pensar e sentir como um cidadão do Reino. O livro dessa escola já conhecemos, e as disciplinas serão a teologia, o amor, a oração e o serviço. É uma vida disciplinada.

A história nos conta como os povos bárbaros se tornaram civilizados e ordeiros a partir do contato com o evangelho. Antes disso, o instinto determinava suas ações e o mundo que eles criaram era caótico. O encontro com o cristianismo afeito a disciplina que havia preservado o que de bom existia na cultura greco-romana revolucionou aquelas sociedades, que pasmem deram origem ao grupo de países que hoje admiramos: a Europa.

A segunda geração de pentecostais é outra testemunha histórica do quanto a disciplina do evangelho trouxe a pessoas da classe baixa a capacidade de prosperarem, construírem famílias e trabalharem para o bem comum. Seus pais educados pela escola de Cristo, deixaram a embriaguez, o desperdício e a criminalidade aprenderam a amar suas esposas e a respeitarem seus filhos.

CARNAVAL = DESCONTROLE

O carnaval é uma liturgia cultural centenária que expressa e forma o caráter do brasileiro. É a opção do descontrole como sendo seu caminho de redenção. São proverbiais as muitas histórias de pessoas que desapareciam durante a festa, para voltarem na quarta-feira de cinzas completamente exauridos da farra sem freios.

Os dados não mentem.

No carnaval do Rio de Janeiro de 2017 foram atendidas 15.943 solicitações por meio do telefone 190, das quais 2.154 foram para atender a ocorrências de violência contra mulher, representando 14% das chamadas no período.

Denúncias de violência sexual aumentaram 88% no carnaval de 2017.

Segundo Gisele Pereira:

“Na tradição católica o carnaval é, portanto, o momento de permissividade que antecede as interdições da quaresma. É quando se pode desfrutar dos prazeres da carne: na alimentação abundante e relações sexuais, sem “culpa”

O estímulo é dado pela sociedade, pela religião, pela música e pelo comércio que se alimenta da bagunça.

DESCONTROLE NÃO É LIBERDADE

Para a tragédia do nosso destino como nação, acreditamos que descontrole é liberdade, quando na verdade as mazelas do nosso cotidiano são consequência da libertinagem celebrada no carnaval. Ai de quem tentar criticar o carnaval publicamente. É um totem intocável, em nome do qual sociólogos, psicólogos, analistas sociais se calam amedrontados e coniventes.

Enquanto celebra seu descontrole, o brasileiro é vitimado por ele em demonstrados números de violência, promiscuidade, apropriação indébita e entorpecimento.

A beleza artística das escolas de samba e seus desfiles hollywoodianos, somados ao arremedo de alegria que é a folia, escondem a essência da história do brasileiro. Viver passivamente em um cenário desanimador o ano inteiro, pensando em quatro parcos dias nos quais poderá deixar tudo para trás.

A história de nosso povo seria diferente, se pudéssemos na verdade arrazoar obsessivamente como transformar essas terras em uma nação boa de se viver o ano inteiro em lugar de apenas trabalhar para esquecer.

ALEGRIA É DIFERENTE DE FOLIA

“Hoje eu vou tomar um porre, não me socorre porque eu tô feliz.” diz o samba da União da Ilha do Governador.

A folia é a alegria do entorpecimento, do frisson da música e da entrega dos sentidos ao movimento frenético. É a mesma que produz a depressão pós-carnaval, porque não tem sustento no bem-estar da alma.

A alegria de verdade se mantém com suas próprias pernas. Está enraizada no solo do espírito. Vem de impulsos afetos e sonhos no lugar certo.

Não acredito que o Carnaval vai acabar algum dia no Brasil, mas creio que os cristãos podem e devem se abster com convicção dessa festa. O carnaval viola a lei do amor, pois o amor não é livre, do contrário não seria amor. Como diria Camões “é estar-se preso por vontade”. Participar dela é pisotear aquilo que Cristo fez por nós. Ele é a nossa alegria, e nosso prazer.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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