Deixem os pastores chorarem

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3 pastores evangélicos de diferentes tradições se suicidaram no último ano. Não tenho dificuldade de imaginar o drama deles, e meu coração chora o que todas essas mortes significam. Tenho 24 anos de ministério em tempo integral, 22 deles em uma mesma igreja. Olhamos todos os dias para o abismo da alma humana: hipocrisia, adultério, inveja, mesquinharia, ódios disfarçados de teologia. Ali vemos os outros e a nós mesmos em nossa trilha redentiva em direção ao dia em que Ele enxugará dos nossos olhos toda lágrima.

Aprendi cedo com alguns mestres a ser humano.  Admita sua dor, descanse, peça ajuda foi o que eles me ensinaram. Por isso sobrevivi a funerais em série da minha comunidade, as expectativas adoecidas dos outros, meus sonhos despedaçados, minha limitação ministerial, tentativas de manipulação e o pecado que insistentemente me assedia em uma regularidade infalível.

Os evangélicos não gostam muito de falar de sentimentos que não estejam ligados a vitória, triunfo, bênçãos e prosperidade, até mesmo os mais ortodoxos teologicamente. É um problema masculino, agravado pela natureza do trabalho do pastor. Viver nos extremos da vida. Esse caos se alimenta de uma porção de mentiras devastadoras:

Descansar é errado.

Viver em vitória é não ter sentimentos negativos.

O cristão não pode ficar deprimido.

Preciso demonstrar que nada me afeta.

Sentir dor é fraqueza e pecado.

Um homem com Deus pode resolver todos seus problemas sozinho.

Eu me conheço bem.

Minha família tem que ser perfeita.

Ninguém vai entender.

Os pastores também caem na cilada de dar conselhos rasos e corrigir sentimentos a todo momento. Alguns talvez arrancariam os salmos de vez da Bíblia. Quando o pastor é corajoso o suficiente para dizer que está triste, que sente depressão, que está decepcionado, uma avalanche de críticas se derramam sobre ele. Um cala boca com frases surradas: um homem de Deus não pode sentir isso. Toma vitória em nome de Jesus.

Se por um lado ele não encontra um contexto sadio para compartilhar o coração, toda a maneira de pensar da igreja joga culpa nesse homem quando ele vai procurar um psicólogo sedento por uma oportunidade na qual possa derramar sua alma. É triste dizer, mas as vezes os psicólogos são mais compassivos que a igreja.

Os salmos têm o poder de derrubar esses mitos que dilaceram a alma.

Eles são um presente de Deus para a igreja. Todos os notáveis da história da igreja se deliciaram no estudo deste livro. Lutero, Spurgeon, Bonhoeffer e Lewis são alguns dos grandes que escreveram livros.

Jesus utilizou-se deles, orou os salmos e como Bonhoeffer diz “Segundo o testemunho da Bíblia, Davi, o rei ungido do povo eleito de Deus, prefigura Cristo. O que lhe sucede acontece por causa daquele que está nele e que descenderá dele, Jesus Cristo. Isso não lhe era segredo, pois era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que colocaria um dos seus descendentes em seu trono. Prevendo isso, falou da ressurreição de Cristo (Atos 2:30)… Portanto, as mesmas palavras de Davi são palavras do Messias vindouro. As orações de Davi foram oradas com Cristo ou, melhor, Cristo mesmo orou através daquele que o precedeu.”

Em tempos de platitudes e banalidades sem fim, um mergulho anual tem sido um refresco indescritível para meu ministério.

Os salmos trazem a palavra de nossa alma, que não conseguimos trazer a boca. Quando sequestrados pela agitação do coração, nos faltam palavras que o saltério nos entrega em abundância.

Eles nos ensinam a sermos brutalmente sinceros em nossas orações. Há na oração daqueles homens tudo que há no coração do ser humano, e que são por assim dizer eclesiasticamente incorretos. Dúvida, cinismo, gratidão, vingança, confissões, medo, decepção e depressão.

Os salmos nos ajudam a entendermos o que acontece no nosso coração. É como se sentássemos na sala de aconselhamento de Deus, à medida que vamos falando tudo que estamos vivendo fica mais claro para nós.

Através deles ficamos aliviados em saber que os homens de fé não são de maneira nenhuma diferentes dos homens comuns na experiência das afeições da existência, com a singular diferença de que eles ousam viver cada uma de suas emoções na presença de Deus. Eles não separam a psiquê da teologia. Eles colocam a Deus no olho do furacão da alma e gritam, esperneiam, se indignam, e choram igualzinho ao que você também gostaria de fazer.

A maioria dos que leem esse texto não são pastores, a vocês uma última palavra: cuide do seu pastor. Deixe de vê-lo como uma máquina de ministrar que não possui sentimentos. Não chegue perto dele apenas quando precisa. E lembre que ele necessita do seu carinho e encorajamento. Deixe ele chorar.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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A criança que queres matar és tu, néscio!

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Vivi, para ler adolescentes imberbes, que não sabem o que é sofrer, nunca cuidaram de uma criança, jamais estiveram perto de quem chorou a perda de um filho, nem leram muito sobre o assunto a não ser o que o Gregório Duvivier diz e o professor marxista da universidade ensina, levantarem a bandeira do aborto.

Poderia esperar indiferença, mas militância jamais.

O contraditório é que a defesa do aborto venha hoje no pacote de quem gosta de proteger os oprimidos: os negros, mulheres e homossexuais, mas não conseguem enxergar a vítima no bebê indefeso.

Uma criança no ventre de uma mulher é muito mais do que um ser vivo, ele é a representação da vulnerabilidade, da dependência, do indefeso, daquele que não pode nos dar nada a não ser sua presença. Aquele cuja vida nos convida a aprender o que significa amar sem contrapartidas.

Portanto defender a morte dessa criança é a despeito de todos os recursos de eufemismos e lógica diabólica, pisotear na humanidade na sua representação básica: o feto. E quem acha normal opinar sobre a morte de bebês precisa ouvir o grito da consciência daqueles que estão vivos para poder dizer: assassinos!

Creio que eles ainda são minoria, mas são uma minoria barulhenta e aparelhada e combativa.

O culto a Moloque, nascido entre os amonitas (que não por acaso foi uma nação que se desfez na poeira dos séculos), cuja essência era a exigência do sacrifício de crianças em troca de prosperidade material, manifesta-se à esquerda e à direita.

À direita, entre os consumistas que abandonam o lar e esquecem seus filhos na escolinha, e acham que dar tudo a um filho é dar-lhe coisas, à esquerda o novo paganismo que acha bonita e defensável toda tolice que se oponha ao cristianismo arremetendo-se em sua loucura em direção da morte.

O aborto não é de maneira alguma uma questão periférica, é uma questão paradigmática, uma porta que uma vez aberta, traz consigo uma legião de crueldades.

Ela é também o velho incapaz e de fraldas que um dia você provavelmente será, dependendo da boa vontade dos seus filhos para receber sua aposentadoria e lembrar de leva-lo ao médico. Mas seu filho terá aprendido de você que os vulneráveis não têm importância, que você pode roubá-los desde que eles não saibam, que podes esquecer deles porque seu grito não é mais ouvido.

Ela é o deficiente, sem a força de trabalho, sem família, sendo jogado na rua porque não tem nada o que dar para sociedade.

É o homem doente, que não tem plano de saúde, que está desempregado e que esgotou todos os recursos pessoais em busca da cura.

Ela é toda e qualquer criatura humana que em razão do contexto se torna um obstáculo a comodidade, aos planos estabelecidos, a conveniência pessoal. Você um dia será isso, para alguém.

A criança no ventre da mãe que queres matar és tu, néscio.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.