Menos picaretas na liderança

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É certo que a Bíblia ensina que no meio do trigo sempre haverá o joio, mas se tivéssemos uma abordagem de liderança mais fiel as Escrituras, talvez tivéssemos menos picaretas ocupando púlpitos e espaços importantes em nossas igrejas.

Das qualificações exigidas nas epístolas pastorais (Tito, I e II Timóteo) para o governo da igreja, 90% delas se relacionam ao caráter: autocontrole, viver sabiamente, ser hospitaleiro, não beber vinho em excesso, não ser violento, ser amável, pacífico e desapegado do dinheiro entre outras. Relacionado a capacidade ou dons somente uma qualidade exigida: apto para ensinar. O que nos faz concluir que liderança cristã é basicamente sobre caráter e só perifericamente sobre carisma ou dons especiais.

Isso tem muito a dizer a todos nós que ocupamos cargos de liderança: deveríamos gastar mais tempo na procura de uma vida que evidenciasse esses traços de caráter, deveríamos procurar e formar esse tipo de liderança entre nós, deveríamos ter contentamento quando de alguma forma não temos dons destacados de administração e oratória que são a minoria, deveríamos viver sem ressentimento com aqueles que os possuem e aprender deles, mas ter fé nas Escrituras e saber que uma igreja local silenciosa e ausente dos holofotes, mas saudável na liderança pode como foi no passado da igreja primitiva, influenciar o mundo e alcançar as pessoas pela graça de Deus.

As vezes desconfio que essas expectativas mercadológicas de que os líderes dentro da igreja devem ser um fenômeno em gerenciamento e eloquência, não tem jogado muitos pastores no pântano da depressão!

Quantos pastores daquela época sabemos pelo nome? Poucos, no entanto, sua influência se fez sentir, sem maiores recursos em todo império romano durante aproximadamente 250 anos que antecederam a ascensão de Constantino.
Vejamos o que diz o sociólogo não cristão Rodney Stark no seu livro “O Crescimento do Cristianismo”:

“O cristianismo serviu de movimento de revitalização que surgiu em resposta à miséria, ao caos, ao medo e à brutalidade do mundo urbano greco-romano […] o cristianismo revitalizou a vida em […] cidades, proporcionando novas normas e novos tipos de relações sociais capazes de lidar com muitos problemas urbanos urgentes. A cidades repletas de moradores de rua e de pobres, o cristianismo ofereceu caridade, bem como esperança. A cidades repletas de recém-chegados e desconhecidos, o cristianismo ofereceu uma base imediata para vínculos pessoais […] A cidades dilaceradas por conflitos étnicos violentos, o cristianismo ofereceu uma nova base para a solidariedade social. E a cidades que enfrentavam epidemias, incêndios e terremotos, o cristianismo ofereceu serviços […] efetivos.”

Eu recomendaria, como pretendo fazer da minha parte, que você ensinasse cada uma dessas qualificações explicitadas nas cartas de Paulo para liderança, uma a uma, para que possamos ser um número a menos entre tantos escândalos e abusos dentro daquilo que se chama igreja evangélica.

Infelizmente, nosso jeito de operar, tem sido atrativo para pessoas com uma boa lábia, mas sem o mínimo lastro de caráter, chegar, impressionar e pregar.

Repito, igrejas sem glamour, desconhecidas, mas fiéis e sadias podem fazer uma diferença exponencial no mundo.

Que o Senhor nos ajude.

Um abraço quebra costelas

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