O profeta Jonas somos nós!

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Essa é uma série de reflexões sobre o singular livro de Jonas. Uma história amada nas escolas dominicais e feita sob medida para lembrar para sempre. O que pouco se faz, é entender o quanto esse livro tem a nos dizer hoje, para além de uma história marcante.

Ele fala conosco e sobre nós. Somos todos chamados para as bordas do mundo, nas fronteiras onde a luz se encontra com as trevas. No terreno assustador onde nosso jargão de crente não é muito bem entendido e não há garantia de boa vontade, com em um “amém” no dia de domingo, e os cultos cheios de gente bem arrumada e recendendo a perfume da Natura.

Jonas somos nós fugindo de nossa missão das maneiras mais óbvias e sutis também. É uma chacoalhada na pasmaceira do crente comum, que regra geral quer prosperar, resolver seus problemas familiares, curar suas doenças e nada mais.

UM POUCO DE CONTEXTO

Os Assírios, cuja capital era Nínive, era um povo assustador. Após capturarem seus inimigos costumavam cortar as duas pernas e um braço para poderem sacudir diante da multidão o corpo moribundo. Eles forçavam os amigos e parentes levarem a cabeça de seus entes queridos em uma estaca em um desfile, arrancavam a língua dos prisioneiros, despedaçavam corpos puxando-os com cordas para expor a pele e os restos mortais dependurados nas muralhas de suas cidades. Queimavam adolescentes vivos. Aqueles que sobreviviam a destruição de suas cidades eram destinados a sofrer formas violentas e cruéis de escravidão.

Assustador não? Qual a possibilidade de sucesso dessa missão? Certamente, a mesma de um punhado de judeus teimosos no primeiro século enviados por todo mundo sem dinheiro, sem internet e sem apoio do estado a pregar o evangelho.

O texto é de certa forma irônico: Jonas dispôs-se, mas para fugir! É preciso entender nossas fugas, e delas nos arrependermos para estarmos onde Deus quer.

JONAS FUGIU. A IGREJA FOGE. VOCÊ FOGE.

Na minha experiência tenho visto, oito tipos de pessoas que fogem da missão.

OS DEGUSTADORES DE SERMÕES: estes gourmetizaram a fé. Querem um grande pregador no púlpito de sua igreja. Procuram no Youtube vídeos de grandes pregadores, se envolvem em discussões intermináveis na internet, mas nunca pregam para ninguém. Eles gostam de sustentar a falácia de que “não importa o que falamos, apenas o que somos” para justificar sua omissão.

OS QUERO QUEROS: eles têm sempre uma oração a pedir, mas não oram por ninguém. Alguns dizem: falta poder nessa igreja! Eles esqueceram que Deus os abençoou para eles serem bênção para outros.

OS SAUDOSISTAS: Para estes Deus ficou preso no tempo, e eles querem voltar para lá. Só que o tempo não para e o reino avança. É preciso olhar adiante. Existem coisas melhores e piores, mas o que acontece de Deus, acontece no coração, não em um lugar. Já foi dito que toda comunidade tem três tipos de pessoas, os movedores, os movíveis, e os inamovíveis. Os saudosistas são inamovíveis.

OS TRIBALISTAS: esses gostam da igreja porque ela representa a turminha legal. Por favor se quiser lugar entra na fila! Eles têm medo de pessoas problemáticas na igreja. Querem uma confraria de iguais, selecionar o tipo de pessoa que vão alcançar. Hoje, na maioria das igrejas evangélicas em que você chegar como forasteiro, pouco se achegarão a você, pois esqueceram porque estão lá.

OS NOVOS MONGES: se eles pudessem ficariam o dia inteiro cantando louvores e adoração. Eu quero mais Senhor! Vivem de congresso em congresso, sempre buscando uma nova experiência. Eles amam o monte da transfiguração, mas o monte é circunstancial, a missão é que é essencial.

OS CONSUMIDORES INSATISFEITOS: estes estão sempre apontando para os serviços que não recebem na igreja. Eles próprios não resolvem problema nenhum, e acabam ocupando as preocupações da liderança da igreja.

OS DESIGREJADOS: para eles a igreja é um plano falido. Alguns fizeram parte de verdadeiros hospícios de esquisitices feitas em nome de Deus. O equívoco é achar que é possível ser cristão fora de uma comunidade. Em um grupo de pecadores, é impossível não se decepcionar. O que nos une é a graça, não a perfeição.

OS FARISEUS: para estes a igreja é uma plataforma a mais para que eles se sintam superiores aos outros. Quando governam igrejas atraem gente cheia de justiça própria e pregam lei sem a graça. Tornam-se os sabotadores da própria missão que dizem fazer.

A missão é a alma da igreja. Igrejas que perdem essa visão acabarão dando lugar aqueles que tem coração aberto para ouvir o que Jonas tem a nos dizer.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

 

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