Diga “não” à sofrência

Gênesis 29:31

Todo ser humano tem problemas de autoimagem, inclusive você. Geralmente os fracassos são o gatilho que dispara contra nossa confiança. E quem não fracassa muitas vezes nesta vida?

O craque que conduz a bola como quem flutua no campo e tem o poder de mantê-la colada no pé, pode desmoronar ao perder o pênalti decisivo.Nestes momentos, a certeza de alguém seguro de si mesmo se transforma amor de salvação. A fonte que acreditamos saciará nossa sede de garantias para viver.

No texto do Gênesis, a história de duas irmãs casadas com um mesmo homem descreve o desespero de Lia, aos ver-se preterida no coração do marido Jacó pela irmã Raquel que era estéril.Lia a cada novo filho esperava o afeto do seu marido, o que jamais aconteceu.

Leia como ela vai se iludindo:

“O Senhor viu minha infelicidade, e agora meu marido me amará.”

“O Senhor ouviu que eu não era amada e me deu outro filho.”

“Certamente desta vez meu marido terá afeição por mim, pois lhe dei três filhos!”

O drama de Lia, é vivido por muitos. Uma dinâmica perversa se desenvolve no relacionamento: quanto mais desprezados, mais nos apaixonamos pela confiança do outro manifesta no ato de pisar em nós. Parece louco, mas é muito comum.

Há toda uma cultura da sofrência na música popular que desfruta de forma masoquista o descaso do outro. Há quem busque o envolvimento com homens casados, com mulheres que não tem interesse ou decidem não esquecer o traidor. Colocamos nossa vida inteira na mão de um outro ser humano.

É a escolha de permanecer em relacionamentos que insistem em nos convencer de que tudo que fazemos está errado, ficar atados a patrões exploradores, aceitar como normal o achincalhamento com apelidos depreciativos, ou sermos ameaçados de abandono a todo momento.

Você tenta mudar pelo outro, cuidar-se pelo outro, desequilibrando as ordens sadias de relacionamento. Relacionamento saudável é reciprocidade, não exploração, não parasitismo. É dar e receber.

A boa nova é que um coração entregue a Deus, pode guardar-se dessa armadilha do coração inseguro. É nele que se forjam bons maridos, amigos e companheiros.Podemos confiar na sua provisão para nossa vida afetiva, ele é o Deus dos esquecidos.

Por sua graça, abandone esse gosto estragado por quem lhe despreza, espezinha e ameaça, você não precisa disso. Nele você não é mais escravo.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

Viciados em competição



“Saul feriu aos seus milhares, mas Davi aos seus dez milhares.”
II Samuel 18:7

Quem é o filho preferido?

Quem ganha mais?

Qual é a mulher mais bonita da festa?

Quem vai pegar o melhor lugar?

Quem é o mais espiritual?
O que fala em línguas, o que profetiza, o que tem mais gente na igreja?
Quem é mais ungido? Quem tem mais conhecimento?

A visão competitiva da vida é uma visão de carência. Que não acredita na generosidade do Pai, e crê que tudo na vida é escasso. “Se alguém recebe algo, está roubando de mim” pensam os viciados em competição.

Permaneço em estado de alerta, músculos retesados e pensamentos acelerados olhando constantemente para o lado, imaginando segundas intenções de quem conversa comigo e as possibilidades que não posso deixar passar.

Olhar a vida desse prisma cobra um preço devastador, uma vez que meu coração se acostuma a estar desconfiado das pessoas. No momento em que me sinto debaixo de grandes problemas, não procuro ajuda, afinal não consigo enxergar neste mundo a possibilidade do olhar solidário, afinal vejo o mundo como eu sou.

Sem perceber, como se fosse o próprio ar que respiro, sinto que a vitória de qualquer pessoa ao meu lado, não pode ser minha, não pode ser desfrutada, pelo contrário precisa ser minimizada, sofrida e esquecida dentro do meu coração. Ai, desse coração!

Cristo traz uma ruptura dessa matriz de pensamento. Ele revela que o Pai alimenta as aves do céu e veste lindamente os lírios do campo. Nos matricula na escola do serviço e nela nos ensina que devemos servir as pessoas em vez de passar a vida imaginando como tomar o que é delas. E garante que isso trará grande alegria para nosso coração. Tranquiliza nossa alma atormentada, revelando que esse mesmo Pai responde orações dos necessitados.

A metamorfose que ele veio trazer nos salva do vício da competição e nos ensina o prazer da cooperação. 

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério.

Muitas palestras e nenhuma plateia.

Aprenda a falar em público.

Como falar bem e sem medo.

Oratória em poucas lições.

Há cursos em profusão ensinando a falar, enquanto necessitamos urgente, de ensino sobre ouvir.

A impressão que tenho, é que vivemos um tempo de muitas palestras e nenhuma plateia.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça, disse Cristo aos seus seguidores. A palavra entre os homens é como semente, precisa cair em terra boa, descansar ali, até que gere frutos.

Você não lê mais artigos, você lê manchetes e ato contínuo responde a elas como um especialista sobre uma frase tirada do contexto. Estamos acelerados e fanfarrões, por conseguinte achamos que o conhecimento escorre do Google diretamente para nossas cabeças. Ouvimos pela metade.

Tudo que não gera espasmos ou aumenta o nível de dopamina é descartado de nossa vida. Ninguém suporta um pouco de monotonia. Ouvimos com enfado.

Nenhum conhecimento de verdade chegará ao coração, sem a experiência do sentimento de primeira série, quando nos mostraram as primeiras sílabas e nos sentimos completamente desesperados. E o mundo está cheio de mistérios para o maior conhecedor entre os homens. Ouvimos apressadamente.

Estamos manipulados para atendermos a quem está falando por não mais de 30 segundos, ao final dos quais nossa mente voa procurando um novo lugar para pousar por mais 30 segundos. Ouvimos por pouco tempo.

Os jornalistas que tanto criticamos são a nossa cara. Não têm mais curiosidade, suas perguntas são discursivas e não inquiridoras. São escravos de suas teses, mesmo que a realidade faça pouco caso delas. Ouvimos achando que já sabemos o que estão falando.

Tudo vira uma guerra de egos, até a conversa mais despretensiosa na esquina da rua acaba em demérito do outro. Como nos vídeos do YouTube: Lucas humilha Mateus! Se não humilhar não tem graça. Ouvimos para vencer.

Milhares de abas do navegador abertas diante de você e tudo acaba morrendo antes de nascer. Se a semente não cai na profundidade do solo não há futuro para ela. Ouvimos de tudo e acabamos não ouvindo nada.

Escondido por trás do ouvir há uma série de virtudes fundamentais: há humildade, há inteligência, há sabedoria, há pensamento, há reflexão, há interesse. Talvez justamente porque está escondido, e não se pode ostentar, é que ninguém quer escutar.

E o que restou desse abandono da arte de ouvir é um mundo gritando seus monólogos aos quatro ventos em um desespero de solidão e hostilidade. Só uma volta a velha arte de ouvir bem, pode abrir a porta da possibilidade de convívio fraterno entre os homens.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério