Muitas palestras e nenhuma plateia.

Aprenda a falar em público.

Como falar bem e sem medo.

Oratória em poucas lições.

Há cursos em profusão ensinando a falar, enquanto necessitamos urgente, de ensino sobre ouvir.

A impressão que tenho, é que vivemos um tempo de muitas palestras e nenhuma plateia.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça, disse Cristo aos seus seguidores. A palavra entre os homens é como semente, precisa cair em terra boa, descansar ali, até que gere frutos.

Você não lê mais artigos, você lê manchetes e ato contínuo responde a elas como um especialista sobre uma frase tirada do contexto. Estamos acelerados e fanfarrões, por conseguinte achamos que o conhecimento escorre do Google diretamente para nossas cabeças. Ouvimos pela metade.

Tudo que não gera espasmos ou aumenta o nível de dopamina é descartado de nossa vida. Ninguém suporta um pouco de monotonia. Ouvimos com enfado.

Nenhum conhecimento de verdade chegará ao coração, sem a experiência do sentimento de primeira série, quando nos mostraram as primeiras sílabas e nos sentimos completamente desesperados. E o mundo está cheio de mistérios para o maior conhecedor entre os homens. Ouvimos apressadamente.

Estamos manipulados para atendermos a quem está falando por não mais de 30 segundos, ao final dos quais nossa mente voa procurando um novo lugar para pousar por mais 30 segundos. Ouvimos por pouco tempo.

Os jornalistas que tanto criticamos são a nossa cara. Não têm mais curiosidade, suas perguntas são discursivas e não inquiridoras. São escravos de suas teses, mesmo que a realidade faça pouco caso delas. Ouvimos achando que já sabemos o que estão falando.

Tudo vira uma guerra de egos, até a conversa mais despretensiosa na esquina da rua acaba em demérito do outro. Como nos vídeos do YouTube: Lucas humilha Mateus! Se não humilhar não tem graça. Ouvimos para vencer.

Milhares de abas do navegador abertas diante de você e tudo acaba morrendo antes de nascer. Se a semente não cai na profundidade do solo não há futuro para ela. Ouvimos de tudo e acabamos não ouvindo nada.

Escondido por trás do ouvir há uma série de virtudes fundamentais: há humildade, há inteligência, há sabedoria, há pensamento, há reflexão, há interesse. Talvez justamente porque está escondido, e não se pode ostentar, é que ninguém quer escutar.

E o que restou desse abandono da arte de ouvir é um mundo gritando seus monólogos aos quatro ventos em um desespero de solidão e hostilidade. Só uma volta a velha arte de ouvir bem, pode abrir a porta da possibilidade de convívio fraterno entre os homens.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

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