Você pode estar morrendo, e não sabe!

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“A estrada mais segura para o Inferno é a gradual – a ladeira suave, com chão suave, sem curvas acentuadas, sem avisos de quilometragem e sem placas indicativas de sinalização.”

C. S. Lewis

A Bíblia nos instrui de muitas maneiras quanto ao perigo da acomodação. Três metáforas poderosas são usadas para abrir nossos olhos.

Ela usa a metáfora militar. Nos adverte a vigiar. A sentinela pode durante a noite quando o sono e a quietude se juntam, ceder ao sono e a sensação de segurança. Mas quando está mais comodamente tranquilo é quando está mais próximo da morte! (1)

Temos também a metáfora da limpeza. Limpem-se, lavem-se diz o profeta Isaías. A sujeira que não é limpa todo dia, gruda no corpo e se torna uma segunda pele, quando não produz mau cheiro e doenças de todos os tipos. (2)

A Bíblia ainda fala da vida cristã como um treinamento rigoroso e disciplinado. É preciso treinar forte, pois o embate é exigente e duro. Se você não tiver sangue no olho, o mundo e sua maldade endêmica farão o que quiser de você. (3)

A mensagem é clara: zona de conforto é zona da morte. E ela pode se instalar em qualquer espaço de nossa vida.

Zona de conforto é distração. É ir atrás do que chama a atenção dos nossos olhos, é  sair do difícil caminho do foco. São os inimigos de Neemias querendo conversa fiada.

Zona de conforto é acreditar que semente boa pode crescer sozinha e sem nutrição em mundo de cardos e abrolhos.

Zona de conforto é preguiça de continuar fazendo os mesmos esforços todos os dias simplesmente porque não há nenhum glamour neles, ou talvez porque ficaram mais difíceis. É você se encolhendo um pouco cada dia.

Zona de conforto é achar que o pecado é inofensivo, que podemos nos entreter com ele, sem que nos derrube. É Davi ficando em casa em dias de guerra.

Zona de conforto é fazer o mínimo necessário quando se poderia fazer com excelência. É se contentar que tudo funcione, mesmo que mal e porcamente.

Zona de conforto é ceder ao comportamento de manada. É aderir ao politicamente correto. Olhar para quem transige seus princípios. Em vez de continuar olhando para Jesus.

Zona de conforto é o líder que não faz nada que lhe dê medo, que foge do desafio, que procura sempre e desesperadamente lugares conhecidos onde já esteve.

Zona de conforto é o casamento que virou um café frio, onde não se pensa mais em como agradar, onde os sacrifícios são mais escassos e tudo que acontece é previsível.

Zona de conforto é o pregador que não é mais profeta, mas um perfeito estudioso de marketing. Sempre busca o aplauso e o tapinha nas costas depois da proclamação. É aquele que não fala mais em pecado, e juízo final.

Zona de conforto é escolher modelos de vida que não nos desafiam, mas nos conformam a mediocridade.

Zona de conforto é se esconder atrás do “eu não consigo” para não mudar comportamentos enraizados em situações que gritam por transformação.

Zona de conforto é sempre procurar um culpado pela minha miséria na família, na profissão, e na vida.

Zona de conforto é onde você está morrendo! Não se ache esperto por estar fazendo corpo mole e não ser flagrado. Fique preocupado. O mal está vindo em míssil teleguiado.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

(1) Mateus 26:41

(2) Isaías 1:16

(3) I Coríntios 9:25-27

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Por que os filhos de cristãos fogem da igreja?

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“Ele fará que o coração dos pais volte para seus filhos e o coração dos filhos volte para seus pais.  Do contrário, eu virei e castigarei a terra com maldição.”

Malaquias 4:6

Sempre me intrigou a ojeriza com que alguns filhos de crentes reagiram ao evangelho exposto a eles dentro de casa.

Antes de simplesmente chamá-los de rebeldes, o que seria fácil e conveniente, quero descobrir para meu próprio benefício e de outros parceiros que se preocupam com a vida espiritual de seus filhos, quais os fatores familiares mais distanciam os filhos dos crentes da igreja.

É curioso, como muitos desses pródigos em sua maioria não rejeitou a fé, mas rejeitam de forma hostil a comunidade cristã.

Depois de conversar com muita gente, gostaria de sugerir algumas respostas, que certamente não são científicas, já que não sou pesquisador, mas apenas ouvinte atento e privilegiado. Afinal são mais de 23 anos de ministério em tempo integral.

Fator número 1: Uma obsessão com a perfeição. Os filhos afastados muitas vezes precisaram apresentar um desempenho ilibado diante dos membros da igreja, sem poderem expor suas dúvidas e dificuldades. A perfeição as vezes estava ligada ao uso de certas roupas, a aparência de dedicação adulta e ao uso de um vocabulário “santificado”. A preocupação se restringia apenas a conduta e o coração não era tratado.

Fator número 2: Incapacidade para rir e divertir-se. Ora, o ativismo incansável, a seriedade extrema, a dificuldade para aceitar a troça e o divertimento como parte da vida, contribuem para feridas posteriores. De certa forma um assassínio da infância. Hugh Hefner fundador da revista Playboy revela em sua biografia: “Eu era um garoto muito idealista e muito romântico em um lar reprimido do meio-oeste metodista. Não havia demonstração de afeto de qualquer tipo, e eu fugia em direção a sonhos e fantasias produzidos pela música e os filmes da década de 30.”

Fator número 3: Falta de evangelização. Presume-se que quem está dentro da igreja entende tudo o que se fala. Não há dentro de casa uma discussão clara dos conteúdos do evangelho, nem uma ênfase direta na escola bíblica dominical sobre a necessidade de conversão. Contar histórias bíblicas não significa necessariamente a mesma coisa que evangelizar.

Fator número 4: Os pais manifestavam uma atitude de quem estava sempre certo e os filhos sempre errados. Eles não eram modelo de quebrantamento e humildade. A disciplina se assemelhava a rigidez militar. Muitos dos afastados, manifestaram cansaço com uma inflexibilidade quanto a horários e atitudes. Também falaram de que faltava afeto na cobrança de comportamentos aceitáveis.

Fator número 5: Cruzada moral contra as preferências típicas da juventude.  Aqui podemos colocar corte de cabelo, adereços e música. A liderança acabava se prestando ao papel de reprimir a individualidade dos jovens misturando conservadorismo com mensagem do evangelho. O texto preferido sempre foi de que os jovens não podiam “escandalizar” os mais velhos.

Muitas vezes o alvo preferido da crítica das pregações eram os vícios juvenis e raramente os pecados dos mais velhos.

Outro dia ouvi o sarcasmo de uma pessoa afastada da igreja dizendo: “As irmãs do círculo de oração pintaram e bordaram na juventude, e agora que pela provecta idade não podem mais agitar, só querem saber das reuniões de oração. ”

Lembro do Ezequiel filho do Pastor Antenor, que criado em um ambiente de alta exigência comportamental, quando completou seus 18 anos e pode se sustentar longe do domínio paterno, assumiu os comportamentos mais condenados na sua igreja. Começou a fumar e a beber sem limites, namorar meninas que não tinham a fé como parte da sua vida e frequentar festas desregradas semanalmente. Uma proclamação de independência.

Fator 6: O ativismo vazio. Famílias típicas da igreja, raramente desfrutaram de tempo de qualidade juntos. Em alguns lugares nem sequer uma refeição. O funcionamento da família era de três turnos de trabalho. Alguns sequer separavam um dia de descanso, quanto mais dias de férias. Os filhos acabaram vendo a igreja como uma competidora que lhes roubava o que restava dos pais.

O quanto cada questão dessas tem de impacto, é uma discussão que nós deveríamos trazer para nossas comunidades. Eu não quero que minha família e igreja sejam um obstáculo para a jornada de fé de meus filhos.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério

Ser cristão não é ser um cara legal. (4)

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Se você lesse os evangelhos pela primeira vez, como você definiria Jesus?

Certamente, você não o descreveria como um cara legal! Isso porque depois de filtrarmos tudo que nos escandalizava no filho de Deus, nós transformamos o projeto de discipulado de Jesus em bom mocismo.

“Que benção ele é, não tem boca pra nada!”

Nós brasileiros gostamos desse perfil cara legal. A gente tem uma dificuldade entranhada de admitir conflitos, agravado por uma versão água com açúcar do evangelho.

Para nós o conflito é o fim do mundo. Então tudo fica velado, escondido, debaixo do tapete, embora esteja ali pra gente tropeçar a qualquer momento.

A especialidade da nossa cultura é a facada pelas costas, os sussurros ao pé do ouvido, conspirações em quartos fechados regado a muitos sorrisos e tapinhas amigáveis. Somos traiçoeiros.

E a gente precisa atravessar os conflitos pra que o relacionamento siga adiante. Não entender a natureza dos conflitos ou fugir deles é condenar o relacionamento a morte.

Precisamos entender que todo o conflito é bom! Ele define caminhos, posturas e expectativas. É difícil aprender isso, quando são muitos anos acostumados a guerras surdas. Mas é isso que vemos na Escritura e precisamos nos reeducar.

Jesus sempre tratou os conflitos. Até mesmo os mais espinhosos. Ele não fingia que não via, e quando as pessoas não queriam mais diálogo, ele simplesmente ia embora.

Quando os discípulos disputavam quem iria ser o primeiro, o mais importante entre eles, Jesus entrou em cena. Ele não se fez de vítima, nem fez que não viu. Ali havia algo fundamental a ser tratado. Era a mentalidade de poder contra a mentalidade de serviço. E seu tratamento foi gráfico. Ele pegou uma bacia e lavou os pés dos discípulos para mostrar que quem é maior no Reino, serve aos outros.

Não importa qual seja o resultado. É melhor o conflito tratado, do que o conflito escondido.

O conflito escondido gera distanciamento. Quando estamos incomodados por dentro, não queremos conversar, estar próximos. Sabe aquela pessoa que não chega mais perto de você e você não entende? É um conflito velado!

O conflito escondido gera divisão. Pois quando não falo para quem precisa ouvir, eu falo com quem não tem nada a ver com o assunto e acabo arregimentando aliados. Transformo uma diferença em uma disputa.

O conflito escondido gera desânimo. Ambientes de trabalho vão abaixo, as pessoas dão o mínimo necessário quando na linguagem futebolística “o vestiário está rachado”.

Querer ser um cara legal tem um custo alto demais!

Quando a igreja começou a alcançar os gentios, ela não sabia o que da lei eles deveriam obedecer e o que deveriam deixar de lado. Foi depois de intenso debate que eles definiram uma posição. Nesse caso o conflito trouxe unidade de visão.

Isso, não quer dizer que você vai querer resolver tudo. Existem coisas pequenas demais, que podemos deixar passar. Você não vai mudar o temperamento de uma pessoa, por exemplo. Quem é falante vai ser sempre falante. Quem fala pouco, sempre falará pouco e pensará bastante.

O próprio Jesus evitou algumas questões, como a herança entre irmãos. Ele não era um homem bomba com a faca entre os dentes sempre que interpelado sobre alguma questão. Deixamos isso para o Ratinho e afins.

Eu sugiro a você três perguntas para saber se uma demanda vale a pena o enfrentamento:

Quero manter esse relacionamento no futuro?

Minha cabeça está fria para falar?

Essa questão vai afetar o andamento da minha vida lá na frente?

Eu posso lhe garantir que toda vez que tratamos nossos conflitos, embora possa ser motivo de angústia e aflição para alguns, nossos relacionamentos avançam e se definem. Mesmo quando não chegamos a um acordo.

Veja o que aconteceu com Paulo e Barnabé. Eles discordaram sobre dar uma segunda chance a João Marcos.  Não chegaram a um ponto em comum naquele momento. Embora Paulo, anos mais tarde tenha cedido, eles naquele momento decidiram não andar mais juntos. Foi melhor do que acabarem se devorando nos bastidores.

É “concordar em discordar”.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

Fora com os adivinhos (3)

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“O sábio é conhecido por seu discernimento; palavras agradáveis são convincentes.”

Provérbios 16:21

Eu saía apressado e fardado para jogar o futebol semanal com a turma da igreja quando meu filho caçula, me grita no meio do caminho: Pai, pai, posso ir contigo!

– Só se tu já estiveres pronto!

– Eu tô pai!

– Então entra no carro.

No meio do caminho, um detalhe importante me veio a mente.

– Filho, tu falaste pra tua mãe, que tu ia sair comigo?

– Não, mas ela vai saber…

– Não filho, vamos voltar e avisar. Ela não vai saber, e certamente vai pensar muita bobagem quando te chamar e não te ver.

O que aconteceu com meu filho, acontece a todo momento em organizações e em todas as esferas. É a crença cega no poder de adivinhação das pessoas. É achar que as pessoas são Sherlock Holmes capazes de achar evidências onde todos silenciaram.

O bom relacionamento depende de nossa capacidade crescente de romper o silêncio e nos comunicarmos.

O silêncio dá espaço para a imaginação, e pela minha experiência a nossa imaginação é inclinada a criar filmes de terror.

Nesse caso, a diferença entre a paz de espírito e um estado emocional miserável está apenas a uma informação de distância.

Você pode mudar tudo dessa maneira:

  1. Nunca perca uma oportunidade de falar às pessoas o que foi bem feito!

Outro dia eu estava esperando pra ser atendido em uma papelaria, e a pessoa que me precedia pediu ao atendente que lhe escrevesse o endereço de e-mail em um papel pois ele precisava enviar mais alguns documentos para imprimir.

O atendente rabiscou em um papel e lhe alcançou. O homem logo reagiu.

– Que letra feia! Faltou à aula de caligrafia? Não te ensinaram a escrever?

O atendente ficou meio sem jeito, enquanto o homem resmungava e pegava seu material.

Eu fiquei curioso e perguntei a ele depois que ele saiu:

– Esse cara é teu amigo?

O atendente respondeu que não.

Eu continuei curioso e perguntei:

– Que material ele estava preparando?

– Currículo para recolocação no mercado de trabalho, me disse o atendente.

Não consegui resistir e comentei:

– Com esse jeito, não é de admirar que ele esteja procurando emprego. Quem suporta tamanha grosseria!

Falta gente que diga: Bem feito! As pessoas estão toda hora duvidando e pisando em terra movediça nos relacionamentos e elas precisam mais do que ouvir o que está errado, precisam encorajamento para aquilo que está certo.

Muita gente desanima seus filhos apenas comentando o que eles fazem de errado, mas a melhor educação é a que reforça o que é bem feito!

  1. Toda vez que você ficar em dúvida sobre algum assunto: PERGUNTE!

Se é algo realmente importante para a confiança e a sequência do relacionamento, você tem direito a saber.

Mas se dirija a quem pode realmente lhe responder. É muito comum a gente semear desconfiança em quem não tem nada a ver com o assunto, em lugar de esclarecer.

É fácil sair por aí falando de alguém: Ele não responde mensagens do WhatsApp!

Quando o certo seria você ir até a pessoa e manifestar sua dúvida:

Eu não entendi porque tu demoraste a responder à mensagem que te enviei.

  1. Quando você achar que algo não está bom, faça uma sugestão de mudança.

É comum a gente tomar tudo que é irritante como pessoal. A gente se acha o centro do universo e presume que aquela luz acesa sem necessidade foi ligada por alguém que conhece nosso cuidado e que calculou minuciosamente uma maneira de nos perturbar.

Ou talvez a única maneira que a gente aprendeu de tratar um problema seja reclamar.

Saiba, o que as pessoas precisam são saídas.

Um murmurador é como uma goteira fria caindo no seu pescoço durante um dia de inverno. Basta uma amostra pra gente correr.

Então você pode fazer assim:

“Eu percebi que tu deixaste a luz acesa, eu gostaria que você deixasse apagada toda vez que saísse. ”

Sem indiretas, sem rodeios, mas com muito respeito.

  1. Sempre que acontecer algum fato novo, comunique a todos os envolvidos.

Mudanças de horário, oportunidades, impedimentos, cancelamentos, propostas, dificuldades, investimentos.

As pessoas precisam saber.

  1. Seja absolutamente claro quanto as suas expectativas.

Se for preciso, escreva.

Chefe, diga ao novo empregado quais resultados ele precisa entregar.

Pai, diga ao filho, quais comportamentos são aceitáveis e quais não. Parte da educação é ser bem claro sobre o que se espera e porque se espera.

Esposa, certamente você gostaria que seu marido adivinhasse que ele precisa limpar a garagem neste sábado pois você está muito cansada, mas infelizmente ele não percebeu. Então, fale.

E lembre-se, a comunicação não acontece quando você fala, mas quando as pessoas entendem.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

Super-heróis e parasitas (2)

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Apesar de sermos ensinados a praticar o amor incondicional, isso não significa permissão para sacar irresponsavelmente da misericórdia alheia.

O Novo Testamento tem mais de 27 mandamentos de mutualidade, os populares “uns aos outros”. Isso quer dizer que relacionamento é uma construção conjunta.

É preciso nutrir, vitaminar, fortalecer os laços que pretendemos manter.

Há dois tipos de pessoas quanto a nutrição, os parasitas e os super-heróis.

Os parasitas só querem receber, os super-heróis, só querem se doar. Ambos acabam na solidão, pois o medo que carregam os mantém distante das pessoas.

Se você está enfrentando dificuldades de relacionamento, é hora de perguntar: ele está sendo bem nutrido?
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Questione-se…

  1. Tenho sido grato?

A guerra dos tronos é aqui. Todos acreditam ter direito ao trono de ferro e querem os outros como súditos.

Saia desse filme.

Agradeça todo bem que as pessoas lhe têm feito. Os pais de hoje só ensinaram aos seus filhos a parte dos direitos. É a receita do inferno.

Mas ainda dá tempo. Levante sua cabeça agora, e escreva três notas de agradecimento aqueles que estão na sua volta.

  1. Tenho sido presente?

Você não gosta de ir naquela festinha cujo ritual você sabe do começo ao fim? Não gosta da música que vai tocar? As pessoas que vai encontrar?

Acha tudo muito prosaico para sua sofisticação?

Saiba que quem lhe convidou entende sua presença como um gesto que diz: Você é importante para mim!

E essa mensagem sempre será a mais importante mensagem que existirá até o final dos tempos.

  1.  Tenho aberto as portas do porão?

Esse passo é um pouco mais arriscado!

É mais fácil falar…

Da nova série do Netflix.

Do jogo de ontem.

Do trendtopic do Twitter.

Da publicação do Facebook.

Das ideias profundas daquele livro cabeça.

Enquanto você passa incógnito entre as pessoas

Abrir as portas do porão é falar o que fere seu coração. O que lhe dá medo, o que faz você vibrar de emoção, os grandes desafios que você tem enfrentado, em que você tem tropeçado.

Quando somos estranhos um ao outro não nos conectamos.

  1. Tenho sido um Severino?

Observo o derrame de carinho que algumas pessoas recebem e constato que a razão maior é prontidão para servir, para ajudar.

Procure ser mais interessado do que interessante.

Não faça promessas, apenas entre em cena quando for necessário.

Quando as pessoas a sua volta estiverem em momentos de sequestro emocional, quando forem alvo de abuso, ou cegueira absoluta, entre em cena e faça o que precisa ser feito.

Em suma, resolva problemas das pessoas.

  1. Deixo as pessoas livres?

Cada pessoa tem seu ritmo, e sua limitação quanto ao que pode dar. Permita que o relacionamento cresça com naturalidade.

Não use lágrimas para trazer a pessoa para perto. Não acuse jogando um fardo de culpa sobre o outro com declarações que você sabe que são um exagero. Não fique em cima. Dê uma chance a saudade.

Procure sempre a leveza nas conexões. Quando confrontar, não fique pegando no pé. Fale e deixe viver e errar, se ele assim quiser.

  1. Promovo o bem que os outros me fazem?

Faça o marketing. Pratique a boa fofoca. Aproveite a ausência, e abra portas. Conte como você tem sido abençoado pela presença das pessoas na sua vida. Além de ajudar , fortalece a confiança.

A gente é viciado em falar mal dos outros.

A quem honra, honra.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

O enigma dos relacionamentos (1)

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A vida é relacionamento! Com mais de 630 mandamentos exigindo obediência da consciência, os judeus tinham uma pergunta recorrente aos seus rabinos: qual o mandamento mais importante da lei? Jesus resumiu tudo em dois: amar a Deus e ao próximo. Basicamente relacionamento.

Cansei de ouvir gente suspirar depois de muitas tentativas fracassadas de relacionamento: “nunca tive sorte”.

É mais fácil lidarmos com nossos fracassos atribuindo tudo a má sorte, ou aos outros, mas não há nada de sorte quando a questão é relacionamento!

Imagine que cada pessoa com a qual você começa a conviver na vida, abre uma conta afetiva zerada para você. É sua responsabilidade transformar esse saldo zerado em positivo. E a moeda que positivará essa conta é a confiança.

A gente procura confiança nos relacionamentos porque quer relaxar em mundo onde cruzamos esquinas com os músculos retesados. Porque queremos nos esparramar no sofá, tirar os tênis dos pés e falar o que transborda do coração. Quer ser politicamente incorreto sem ser censurado, falar bobagens sem medo de ferir suscetibilidades. Alguns chamam isso de lar, outros de amizade.

“Pai, será que ele não vai se ofender com essas brincadeiras que tu estás fazendo? ” Me perguntou Tomás, meu filho caçula quando visitávamos a casa de uma família muito especial em Gramado.

“Não, meu filho, fica tranquilo. Nós somos amigos.” Respondi.

Nossa conta afetiva estava para lá de positiva.

O Brasil é uma cultura que aposta no abuso da boa-fé das pessoas para vencer na vida. Isso faz com que muitas pessoas já comecem os relacionamentos conosco com um saldo negativo.

As pessoas te observam a todo momento, sem que você perceba. A boa-fé é um pássaro arisco.

Você precisa sofrer o tempo de prova, tolerar a desconfiança.

Será necessário aprender o valor de falar e fazer. Você disse que iria, e foi, você disse que faria e fez, você disse que ajudaria, e ajudou. Cada inconsistência é uma mentira, cada mentira um saque afetivo.

As pessoas poderão perdoar, mas não confiarão. E se não confiarem a porta estará fechada para você. Você estará por perto, mas estará fora.

Será necessário ser claro em suas intenções. As pessoas percebem quando você está “comendo o mingau pelas beiradas”.

Será preciso humanidade. Mostrar a pessoa de verdade que vive dentro dessa cabeça. Escancarar sua imperfeição, pois todos os perfeitos são impostores.

Será necessário não ferir ninguém de propósito. Uma porta aberta não significa o direito de você entrar com os pés embarrados.

E então quando isso acontecer e seu saldo for muito positivo, as pessoas caminharão além do dever, lhe darão cheque em branco, ouvirão o que você diz, e o recomendarão para os outros efusivamente.

A vida será melhor.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

Nossos altares nos controlam

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“Seguiram ídolos inúteis, tornando-se eles mesmos inúteis.”

II Reis 17:15

“Consagraram-se àquele ídolo vergonhoso e se tornaram tão repugnantes quanto aquilo que amaram. ”

Oséias 9:10

O que o ateu, o pagão e o cristão tem em comum? Todos são adoradores.

Existe neles algo ou alguém que é objeto supremo de seu amor, respeito e dedicação.

E nossos altares nos controlam. Controlam nossos sentimentos, pensamentos, conta bancária e agenda.

Pense no pagão cujo coração é controlado pelo futebol. Ele é torcedor do Flamengo, como poderia ser torcedor de qualquer outro clube do Brasil, inclusive meu Grêmio.

Sua alegria ou tristeza durante a semana, depende dos resultados do clube no final de semana. É mais do que futebol como eles dizem. Não deveria nos causar espanto quando sua tristeza se transforma em fúria de morte em direção ao adversário que ameaça a estabilidade de sua relação. Sim, meus amigos, é um adorador em guerra santa.

A semana inteira é gasta pensando em como será a próxima partida, em como cornetear o adversário ou lendo comentários sem fim que em suma dizem a mesma coisa com diferentes palavras. Suas conversas acabarão sempre convergindo para isso. Pouco ou nada mais fará com que seus olhos brilhem.

Ele gasta seu dinheiro comprando produtos oficiais, associando-se ao clube, acompanhando o clube onde ele estiver e inevitavelmente dispensará qualquer compromisso que seja conflitante com a partida de futebol aguardada.

Você pode substituir o futebol pelo que quiser. Pode ser o sexo, o trabalho, a comida e até a família. A tragédia é que esse altar, ao mesmo tempo em que controla também abate com uma demanda sem fim de sacrifícios espirituais até finalmente esgotar nossa alma. Ele não nos alimenta, ele se alimenta de nós.

É preciso derrubar os altares pagãos!

É necessário colocar cada coisa no seu lugar, começando pelo tempo. Ouço a todo momento as pessoas comentarem que não tem tempo para orar, para ler a Palavra, para meditar, enfim para o silêncio da alma! Carregam um livro debaixo do braço, que não conhecem, nem fazem qualquer empenho para conhecer. Repetem chavões irrefletidos dos enfadonhos cultos que pregadores passam o tempo inteiro mandando falar blá blá blá para o irmão da direita, enquanto eles pensam algo melhor para dizer.

Chega dessa mentira! Diga as coisas como são: “eu decidi que não era importante orar, refletir e estar presente para Deus. Acredito que outras coisas podem me alegrar mais o coração!” Talvez esse confronto com a verdade do coração seja o começo de algo.

É necessário investir seus recursos. Deixe essa bobagem de sonho de consumo. Dura menos de 24 horas. Jesus foi muito objetivo. Onde você coloca seu dinheiro, ali seus afetos prosperam. Gaste e gaste-se por toda causa que Deus está interessado.

Sonhe com o Reino de Deus implantado. Sonhe as coisas impossíveis de Deus nascendo bem diante dos seus olhos. Engaje-se com seus superpoderes na realização destas coisas, em lugar de cumprir um ritual desgastado.

Depois de feito tudo isso, o coração irá para o lugar certo!

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério

Exercícios para fugir da arrogância

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Não há mal, mais democraticamente distribuído entre os humanos do que o orgulho.

É suficiente que eu tenha a mais alguns centímetros de altura, alguns zeros na conta bancária, um sucesso ou outro, capacidade de armazenamento intelectual para que eu me sinta superior aquele que anda ao meu lado, e por isso deseje um tratamento de maior distinção.

A pessoa mais pobre coitada aos nossos olhos esconde dentro de si a chispa do orgulho pulsante, que espera apenas uma oportunidade para se manifestar.

Se é fácil encontrar o orgulho, não se encontra a humildade procurando por ela. Encontra-se procurando pela realidade, pois a arrogância é um narcótico que distorce a realidade, cria um mundo sem qualquer relação com a verdade, um universo artificial onde tudo gira ao meu redor.

Ao criar uma pessoa falsa, é fácil prever conflitos que seriam perfeitamente contornáveis vindo para ficar na nossa vida.

Quero convidar você a fazer exercícios de humildade para manter o orgulho em níveis superáveis.

Veja o que você pode fazer:

1.Preste serviços considerados subalternos.
Limpar banheiros, lavar a louça, arrumar as camas, cozinhar para os outros, fazer faxina são todos trabalhos muito mal pagos em nossa sociedade, mas que nos ajudam a lembrar que a vida depende do que não é glamoroso. E o que seria de nós sem eles. Fazer esse serviço, nos ajuda a lembrar.

2.Deixe os outros terem a última palavra. Quando um debate de ideias entra naquele clima de luta pelo poder, nada mais profundamente abençoador do que permitir que o outro tenha a última palavra. Eu sei do que falo.

3.Cale quando fizer algo bem feito. Fazemos questão de que todos saibam de que a ideia brilhante foi nossa, que nós colaboramos. Deixe tudo cair no esquecimento e descanse na presença daquele que tudo sabe.

4.Pergunte. Assuma que você é ignorante. E de quebra você ainda aprende algo que não sabe.

5.Peça ajuda. Em lugar de tentar manipular, ou de reclamar ou de se vitimar, fale com quem sabe e resolva seu problema.

6.Fale com jeito. É a melhor maneira de socializar, de se colocar no mesmo nível de importância dos outros. Especialmente com quem está abaixo de você na hierarquia, seja onde for.

7.Não ande só com sua turma. Todo ser humano tem sua própria beleza concedida por Deus. Se você é um intelectual que adora o conhecimento, seria bom uma jornada na vida de um mecânico para aprender a respeitar outros universos.

8.Não se exiba. Se alguém vem falar de algo que você já sabe, você pode ficar quieto e desfrutar da alegria da descoberta do outro sem ter que dizer “eu já sabia”.

9.Opine menos e pesquise mais. Ninguém precisa, nem deve ter opinião formada sobre tudo, mas todos devem ter convicção do que sabem, e do que não sabem.

10. Deixe os outros ocuparem os holofotes. Ouça as pessoas. Se você quiser diminuir para que os outros cresçam, essa é a melhor maneira. Nada comunica importância aos outros do que os ouvir.

11.Cumprimente. Mesmo que seus pais nunca tenham lhe ensinado, ou que o seu humor não dê muito apoio. Cumprimentar é o ato mais básico que significa: você existe para mim!

Pratique humildade. Você precisa, seu soberbo!

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

O que nunca lhe disseram sobre o amor

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Amar. Verbo que procura o bem da outra pessoa.
É um caminho de vida. Que orientará nossas máximas e mínimas decisões.
Ou é o amor, ou o caixão antecipado. Zumbi. Morto vivo.
E como é doce ouvir todo mundo falando bem do amor, do pregador ao apresentador de televisão.
Vim aqui para desarrumar essa alegre unanimidade.
Vim falar do lado B do amor conforme visto na vida do nosso Senhor Jesus.
Quatro faces que precisamos lembrar para vivermos sem chororô.

1. Quem ama se decepciona.
A coisa mais difícil dos casamentos é vencer o luto das expectativas desfeitas no primeiro ano.
Você nunca imaginou que sua esposa acordaria com aquele cabelo de quem levou um choque na tomada.
Você nunca pensou que criar filhos envolveria noites acordado, fraldas cheias de cocô, e que eles tomassem rumos que você não sonhou para eles.
Seria perfeito se não fizéssemos tantas expectativas, mas o fato é que fazemos.
E quem faz expectativas, sempre se decepciona. Eu disse sempre.
Nossas expectativas são fruto de uma sede que temos por amor infinito, que só se encontra na casa do Pai. Mas insistimos em encontra-lo em cônjuges, igrejas, pastores e melhores amigos.
Se não aceitamos a decepção, nos recolhemos a casa da amargura e não saímos mais de lá pelo resto da vida. Nossas expectativas são um peso insuportável e idolatria da pior espécie.
Aprenda a amar. Vença a decepção.

2. Quem ama, é amador e jamais será profissional.
O amor que damos e recebemos é obra de principiante. É uma construção recente que precisamos consultoria para seguir em frente.
Por isso que todo o relacionamento é também um aprendizado onde encontramos em contato com nossa pobreza e nossa riqueza pessoal. E raramente essas duas coisas combinam com a outra pessoa.
Quando dois medos iguais se encontram é um Deus nos acuda.
Pense no medo de ser traído. Os dois se entregam e se fecham em constante desconfiança sobre o que está acontecendo do lado de lá. Confio desconfiando. Falo, mas faço verificação.
Até o ponto da ruptura e da entrega é uma longa caminhada.

3. Quem ama, sangra.
Seus amigos e parceiros atravessarão longos vales. E se você se importa estará perto deles participando dos seus sofrimentos. Você sangrará junto com eles. Não poderá rir totalmente porque uma parte sentirá dor. Às vezes não haverá muito o que fazer a não ser estar presente e orar.
A perda do controle faz a situação se tornar uma assombração paralisante.
Faz dois anos que um casal de nossa igreja descobriu que seu jovem filho estava com câncer.
Durante esses anos oscilamos, talvez sem que eles soubessem o tanto que foi, junto com eles nos nossos estados anímicos. Ficamos esperançosos, estivemos angustiados, choramos escondido, oramos intensamente, perdemos a esperança, recuperamos a esperança.
Até que na semana passada nossa comunidade pode celebrar uma boa notícia em tantos meses de dor.
A luta não terminou, mas derrubamos um grande oponente. Estamos mais perto.
Sangramos muito, mas estamos mais humanos e crentes.

4. Quem ama, se encolhe.
A cama de casal talvez seja a melhor metáfora do que eu quero dizer.
Precisei aprender a dormir com minha esposa. Eu era um esparramado.
Todo espaço que eu recebia eu ocupava. Nós somos assim.
Mas para amar, você precisa se encolher para que o outro possa continuar próximo de você.
Ou talvez ir embora, como quando com 17 anos eu deixei minha casa, sem que meus pais tentassem me impedir, para nunca mais voltar e estudar teologia.
Se Deus não se restringisse, não poderia existir eu.
Se você não se controla, não sobra sorvete para os outros.
Se você não cala a boca e escuta, nunca haverá diálogo.
Se você não faz o que os outros gostam de fazer, acabou-se a amizade.
Se você não abre mão do restaurante todo dia, não há dinheiro para o inglês do filho.

O grau em que isso é doença ou virtude, fica na conta do aprendizado de cada um.
Mas temos um Mestre sensacional.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Não permita que o bem que há em ti adoeça!

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Que sua vontade de ajudar não se transforme na louca tentativa de solucionar o problema de todos.

Que a tua capacidade de se maravilhar pela excelência alheia não se transforme em inveja amarga.

Que a tua mansidão não perca o rumo e se transforme em paz ao custo da consciência.

Que a tua coragem não te transforme em cachorro louco, brigando com tudo e com todos. Nem toda guerra é sua guerra.

Que a tua cultura e instrução não perca o senso de serviço, e vire puro esnobismo.

Que tua capacidade de amar não perca o foco, e seja puro narcisismo.

Que teus questionamentos necessários, não percam de vista a fronteira da confiança, e deixem você à deriva em um mar de incertezas.

O discípulo gaudério.