Quanto o Universo me paga para não estar no Facebook

Duas cur­tas adver­tên­cias: [1] sou tão super­fi­cial quanto qual­quer um; [2] claro que um dia vou capi­tu­lar: claro que um dia vou fazer parte da rede social mais popu­lar do planeta.

Isso não muda o fato de que o uni­verso me paga, dia após dia, para não ceder ao Face­book. Falo, é claro, do uni­verso offline do café com bolo de fubá, da tra­ves­sia de fer­ry­boat, da casa alu­gada na praia, do boli­nho de carne seca comido no bar, de espe­rar que o amigo saia final­mente da sala de desem­bar­que, da cor­te­sia na fila do cor­reio, das pes­soas que impri­mem livros e das que os com­pram, das ruas de Mor­re­tes, dos últi­mos pas­to­res de ove­lhas da Itá­lia, da velha senhora que é tia de alguém e que mora sozi­nha entre mor­ros arre­don­da­dos no inte­rior de Minas Gerais e faz a pró­pria fari­nha de milho num mon­jolo movido a córrego.

Incri­vel­mente, esse uni­verso me veste, me ali­menta, faz água cair do céu e faz o vento var­rer meus cabe­los no alto da mon­ta­nha como num comer­cial de sham­poo. Ele me manda livros, car­tões pos­tais, cho­co­late e batata frita, e me mas­sa­geia las­ci­va­mente as cos­tas na cacho­eira. Como um apai­xo­nado que não se sabe mode­rar, o uni­verso me manda gente que me ofe­rece café, que me faz comida, que me chama de irmão, que me toca a mão, que me ouve cho­rar, que se mara­vi­lha com as mes­mas coi­sas, que dorme comigo, que colhe comigo cogu­me­los, que me pre­sen­teia com CDs, que me serve chá de capim-​​cidreira, que me traz gar­ra­fas de bom vinho, que me dá flores.

Dia após dia, em todos os seus dia­le­tos, o uni­verso me repete uma mesma frase:pegue o que você precisar.

“Brabo,” o uni­verso me diz, “pegue o que você precisar”.

Ele pede uma única coisa em troca, e o que ele pede é tre­men­da­mente exi­gente: que eu con­ti­nue a dese­jar aquilo que con­si­dero desejável.

É claro que o mundo de abra­ços e de café e de pura cone­xão entre as pes­soas que desejo não existe fora da minha cabeça, mas repito: o uni­verso não cessa de me pagar para con­ti­nuar sonhando com ele. E é com essa pro­pina que ele vai me impe­dindo de dese­jar o Facebook.

O Face­book sabe que é com frequên­cia difí­cil para mim estar onde estou, e ele quer me con­for­tar com a impres­são de que estou em outro lugar. O Face­book sabe que às vezes é difí­cil para mim estar com quem estou, e ele quer me con­for­tar com a lem­brança de que tenho cone­xões muito reais em outro lugar. O Face­book sabe que mui­tas vezes não tenho paci­ên­cia ou cora­gem de mover-​​me de onde estou para onde gos­ta­ria de estar, e ele quer me con­for­tar com a sen­sa­ção de ter trans­posto a distância.

Meu desa­fio pes­soal mas antigo foi sem­pre expe­ri­men­tar a rea­li­dade sem sub­ter­fú­gios: estar onde estou. A solu­ção, quando há, sem­pre foi mover-​​me para onde não estou.

O Face­book me con­vida inces­san­te­mente a fazer o con­trá­rio: a não estar onde estou e a não mover-​​me para onde não estou– e seria tal­vez mais fácil ceder ao con­vite se ele não for­çasse a barra cha­mando essa doce imo­bi­li­dade de cone­xão. Natu­ral­mente, é pre­ci­sa­mente essa moda­li­dade de cone­xão aquela que quero, e tal­vez seja a única que expe­ri­mento. Como tudo mundo, quero obser­var a beleza do uni­verso sem comprometer-​​me com seus desa­fios; quero admi­rar gente de longe sem ter de pagar os ris­cos de uma rede viva e com­plexa de rela­ções. Minha vida seria mais fácil se os cofres do cora­ção não trans­bor­das­sem daquilo que o uni­verso me dá coti­di­a­na­mente para con­ti­nuar a não con­si­de­rar essa con­di­ção (veja aqui o comer­cial) como desejável.

Paulo Brabo em A Forja Universal

Todo fim é um novo começo

Vi no blog do Maurício Zágari

Sou aficcionado por filmes. Gosto muito de ir ao cinema, desfrutar de uma história bem elaborada, me emocionar com um bom Chaplin e me indignar com Michael Moore. Na maioria das vezes, admito sem nenhuma vergonha, consumo a sétima arte como mero entretenimento, não é pecado. Mas, muitas vezes, há longas-metragens que me levam para além da diversão e me fazem pensar, refletir, tirar lições de vida. E, para desconstruir completamente minha reputação de intelectual, faço uma grave confissão: gosto muito de uma tocante comédia romântica chamada “Grande Menina, Pequena Mulher” (foto), com Dakota Fanning e a falecida Brittany Murphy. É a história de duas vidas destruídas emocionalmente, por razões diferentes, que acabam encontrando no amor fraterno entre elas aprendizado, apoio afetivo e novas perspectivas. Mas é a última frase do filme que me lembra sempre de uma importante realidade. Diz: “Toda história tem um final. Mas, na vida, todo final é apenas um novo começo” (no vídeo abaixo, aos 2:57). E, ao longo da minha peregrinação sobre a Terra, tenho descoberto que essa é uma verdade bíblica.

Quando morremos, somos ensinados pela sociedade ateia que chegou nosso fim, mas as Escrituras mostram que é apenas um novo começo. Quando encerra-se a vida pecaminosa de Zaqueu, tem início uma etapa melhor e mais perfeita. Quando a adúltera ouve “nem eu te condeno”, percebe que uma nova era desponta em sua jornada. Quando Rute se vê desamparada é quando começa a mais importante fase de sua vida. Quando Paulo entra em profunda depressão por descobrir que tudo o que defendera por toda a sua vida era um erro, ocorre o nascimento do grande apóstolo de Cristo. Quando Cleopas e o outro discípulo do caminho para Emaús usam o tempo verbal no passado para se referir à obra do Mestre é que percebem no partir do pão que aquele tempo verbal era um equívoco. Quando os apóstolos pensam que Jesus está morto, acabado, terminado, são surpreendidos por sua ressurreição, o que marca o início da era cristã. E, em nossas trajetórias, as coisas também acontecem assim: fins e recomeços, fins e recomeços, fins e recomeços.

O término da escola é o início da faculdade. O término da faculdade é o início do mercado de trabalho. O término de um emprego é o início de outro. O término da vida profissional é o início da aposentadoria. E assim em todas as áreas: o fim do noivado é o início do casamento. O fim da vida a dois é o início da vida de pai. O fim da quimioterapia é o início da recuperação. O fim da tristeza é o início da alegria. Fins e recomeços, fins e recomeços, fins e recomeços… assim é a vida.

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O grande problema surge quando não conseguirmos compreender isso. A tendência natural do homem (inclusive do cristão) é viver intensamente as perdas, sem se dar conta de que elas marcam fases novas e potencialmente maravilhosas de sua vida. Por isso sofremos tanto e tão mais do que precisaríamos: pois não enxergamos que o momento em que chegamos ao que parece ser um beco sem saída na verdade é apenas uma esquina. Tudo o que temos de fazer é dobrá-la e seguir em frente. Só que, como conhecemos em parte e não nos lembramos que os caminhos de Deus são mais elevados que os nossos caminhos, nos desesperamos, nos deprimimos, nos abatemos. Meu irmão, minha irmã, preste muita atenção ao que vou dizer: se você está vivendo o que parece ser o fim, se não está vendo escapatória, se aparentemente tudo acabou… lembre-se que “na vida, todo final é apenas um novo começo”.

É por isso que Jesus enfatizou tanto no Sermão do Monte a importância de viver o momento. O hoje. O agora. Pois ele sabia que o homem tem a tendência natural de se preocupar excessivamente com o amanhã e antecipar sofrimentos. Só que Cristo sabe, desde antes da fundação do mundo, que “na vida, todo final é apenas um novo começo”. Então ele se vira para nós e diz palavras que já lemos tantas vezes que parece que não são mais verdade. Só que são. Leia, por favor, uma vez mais, o trecho a seguir, de Mateus 6 – desta vez saboreando palavra a palavra. Aplicando o que o Senhor afirma à sua situação de vida. E entendendo que esta realidade é um fato assegurado pelo Deus do universo:

“Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal“.

Basta ao dia o seu próprio mal. Isso significa que hoje o dia pode ser mau, ter cara de fim, cheiro de término, aparência de beco sem saída, cores de tristeza pela falta de perspectiva. Mas, na realidade, se o choro durar uma noite, essa noite representa a passagem do hoje para o amanhã. E o amanhã nos presenteia com a magnífica perspectiva de que a alegria vem. De que o fim não representava o fim, mas sim um novo começo.

Jesus ama você

Já enfrentei uma profunda tristeza, por razões que não vêm ao caso. Em muitos momentos me abati. Achei que era o fim. Chorei. Sofri. Rasguei a alma diante de Cristo. Achei que só me restava encostar num canto e ali ficar. Mas Deus virou-se para o homem de pouca fé que sou e disse, como a Elias: “Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo”. E hoje digo a você, não por teoria, mas ainda sentindo na pele a queimadura de quem viveu essa realidade: o fim nunca é o fim. Para quem caminha com Jesus, “todo final é apenas um novo começo”. Sua vida parece ter chegado a um fim, meu irmão, minha irmã? Então prepare-se: creio piamente que algo novo, desafiador, magnífico e que cumpre os planos do Senhor está para começar.

Obrigado, Pai, pelo teu amor tão incompreensível. Tão maior do que nossa visão limitada. Tão maior do que tudo. Para sempre, obrigado pelo teu amor – que transforma cada fim… em um novo começo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

O Deus que dança

Caio Fábio 

Meu pai não dançava, e não apenas porque a muleta o impedia, mas porque na família dele a dança não era tão celebrada, embora alguns dos meus tios gostassem de um arrasta pé à moda cabocla.

Minha mãe dançava menos ainda. Filha da Mãe Velhinha, protestante, puritana, com mania de limpeza, com ódio de festa, e seu trauma com um marido mulherengo, minha vovó não poderia nem sequer se imaginar dançando. Daí minha mãe jamais ter dançado, exceto depois de velha, e já puxada por mim como brincadeira.

Eu cresci sem dançar, embora, aí pelos 7 anos, eu adorasse tentar bailar. Dancei a primeira vez já aos 12 anos, quando, forçado por uma namoradinha, me vi diante de um “ou dança, ou dança”.

Então dancei pra não dançar. E gostei…

Dali em diante passei a dançar, até que conheci, em Manaus, aos 15 anos, alguns dos melhores dançarinos de salão que eu já tinha visto dançar.

Celsinho foi um amigo que me soltou na dança. Ele era habilidoso, e me tirou a timidez de rebolar machamente, de me deixar levar pelo som, de emprestar o corpo à musica, e de deixar a musica fazer possessão da alma, transformando isso em movimento e forma: estética em movimento e sincronia.

Então me soltei, e, durante anos dancei com imenso prazer, todos os dias, às vezes quase o dia inteiro, e, com certeza, todas as noites.

Eu tinha prazer em dançar!

Depois veio a conversão e o dançar entrou na lista das coisas mundanas que deveriam sair de minha existência. E, assim, nunca mais dancei, até que chegou dezembro de 1998, quando voltei a dançar, embalado também pelas agonias de meus desastres e tristezas, bem como da vergonha pública provocada pela exposição no malfadado “Dossiê Caymam”.

Dancei, dancei e dancei. Dancei como índio quando se prepara para a guerra. Escolhi seguir o ritmo das percussões quando dançava. E me abandonava, de olhos fechados, à tirania e à possessão que a musica exerce sobre aquele que entrega sua alma ao ritmo e o corpo ao movimento provocado pela força da musica.

E como me fez bem!

Depois disso não mais deixei e nem pretendo deixar de dançar com minha mulher. Dançamos em casa, dançamos sozinhos, dançamos em casamentos, em festas, e dançamos em pistas dançantes…

A minha pergunta é: por que os cristãos não dançam?

Como? Se o primeiro milagre aconteceu numa festa, se a volta do pecador a Deus é como uma festa com dança, se o convite do reino é para um casamento com festa, se Jesus vivia em festas e banquetes, e também se a Escritura inteira sempre relaciona a vinda da Graça à sociedade, com danças de virgens, folguedos na praça, canções de amor, e vinho de alegria?

Ora, até os judeus da idade da pedra da revelação, dançam. Dançam religiosamente; e dançam por mera alegria.

Mas os cristãos não dançam. Ora, de onde vem isto?

A viagem é longa, mas o roteiro básico é esse: o ascetismo que dominou setores da igreja, inibiu o estético e o artístico; a dicotomia gerada pela absorção do gnosticismo, produziu uma separação entre o material e o espiritual; o sacerdotalismo judaico, revivido pelo sacerdotalismo romano, com muitas absorções dos cultos pagãos, criou a ambiência do ‘misterioso sem movimento’; os movimentos de santificação pela via das mortificações, impediam qualquer que fosse a expressão de afeto e toque; e a chegada do puritanismo protestante, e seus filhotes comportamentais e legais, os pentecostais legalistas, consumaram a obra de paralisia do corpo em relação a nada que não seja sinal de comunicação, expressão de funcionalidade física e profissional, e minimamente no ato conjugal moderado e sóbrio.

Mas dançar? Jamais! Essa coisa de se mexer ao sabor dos contornos de uma música ou melodia, e de se entregar a movimentos coordenados e em harmonia com outro corpo, é algo que ofende o paganismo greco-romano-anglo-saxão-puritano, e que constituiu a parede emocional e cultural do protestante e do evangélico, até mais do que do católico.

Pela dança se celebra a alegria da vida, e tudo que é alegria de viver, é gratidão a Deus.

Dançar não só é gostoso, como também pode até mesmo conduzir a pessoa a uma espécie de êxtase. Não raramente me sinto arrebatado quando danço com sinceridade.

A dança é bela, linda, fascinante, mas só será sensual se quem dançar estiver gerando uma energia sensual; ou se o observador estiver com o olhar contaminado pela cobiça.

Dançar, no entanto, é extravasar a alma mediante uma linguagem supra-racional, e que pode ser pura expressão de ser e sentir.

Todavia, esse dançar não é acontece na “boquinha da garrafa”. Ele é portal dos sentidos e acontece nas fronteiras dos extra-sentidos. Portanto, não se inspira enquanto rebola subindo e descendo até a “boquinha da garrafa”.

Quando leio os evangelhos vejo cada vez mais Jesus se movendo conforme as ondas e melodias de cada musica histórica que o afetava como fado de enfermidade, como danças de curas, como balés de milagres, como poesia de mensagens, como plasticidade cênica incomparável; e como presença certa em muitos jantares e banquetes, não importando a casa, mas apenas a recepção.

Tudo em Jesus tem arte, estética, movimento, poesia, melodia e ritmo. E Suas histórias são cheias de imagens e parábolas de festa, dança e convites a banquetes divinos e casamentos.

Para Jesus até os anjos dançam e bailam quando uma consciência volta a si e se entrega ao amor do Pai.

A grande ironia é que o Evangelho da dança, do banquete, da festa, das bodas, dos beijos de reconciliação, e do bom humor e das histórias até irônicas, virou o Cristianismo e seus filhos, os quais são contra toda alegria que não seja explicitamente litúrgica, que são contra a alegria do corpo, que são contra o bailar livre da alma e do corpo como expressão de gratidão explosiva ou como mera expressão de gáudio humano e sadio.

Quem reclama muito disso hoje em dia são as mulheres dos homens crentes, que dizem que “não é bom”, porque o maridão crente não aprendeu a dançar.

Dançar pode ser terapêutico para tudo, inclusive para a vida sexual, sem falar que é um dos mais eficazes desopilantes psicológicos.

Jesus disse que os jejuns e tristezas seriam normais quando o Noivo (Jesus) fosse tirado dos discípulos. Mas isso seria apenas por “um pouco”, e, outra vez, em apenas um outro “um pouco”, e eles O veriam; e, dessa vez, sua alegria ninguém poderia tirar.

Para mim um dos maiores sinais de cura humana, psicológica, cultural, e de grande libertação acontecerá no dia em que eu vir os crentes dançando pela alegria de dançar, fazendo isto como celebração da vida, conforme Jesus ensina no espírito do Evangelho, o qual se estriba em Sua própria atitude frente às celebrações humanas e ante as simples alegrias desta vida.

O que os cristãos da religião precisam saber é que as danças da Nova Jerusalém não serão Piquiniques Evangélicos, mas ao contrário, serão celebrações de todas formas de expressão de vida que existirem nos povos.

Quem não gosta, melhor é que vença esse preconceito, pois, o convite eterno é para a Festa do Cordeiro.

Nele, em quem meu ser dança,

E se Jesus fosse neopentecostal

Felipe Almada no blog Fé e Razão.

Vi no Pavablog

Se Jesus fosse neopentecostal, não venceria satanás pela palavra, mas teria o repreendido, o amarrado, mandado ajoelhar, dito que é derrotado, feito uma sessão de descarrego durante 7 terças-feiras, aí sim ele sairia. (Mt 4:1-11)

Se Jesus fosse neopentecostal, não teria feito simplesmente o “sermão da montanha”, mas teria realizado o Grande Congresso Galileu de Avivamento Fogo no Monte, cuja entrada seria apenas 250 Dracmas divididas em 4 vezes sem juros. (Mt 5:1-11)

Se Jesus fosse neopentecostal, jamais teria dito, no caso de alguém bater em uma de nossa face, para darmos a outra; Ele certamente teria mandado que pedíssemos fogo consumidor do céu sobre quem tivesse batido pois “ai daquele que tocar no ungido do senhor” (MT 5 :38-42)

Se Jesus fosse neopentecost al, não teria curado o servo do centurião de cafarnaum à distância, mas o mandaria levar o tal servo em uma de suas reuniões de milagres e lhe daria uma toalhinha ungida para colocar sobre o seu servo durante 7 semanas, aí sim, ele seria curado. (Mt 8: 5-13)

Se Jesus fosse neopentecostal, não teria multiplicado pães e peixes e distribuído de graça para o povo, de jeito nenhum!! Na verdade o pão ou o peixe seriam “adquiridos” através de uma pequena oferta de no mínimo 50 dracmas e quem comesse o tal pão ou peixe milagrosos seria curado de suas enfermidades. (Jo 6:1-15)

Se Jesus fosse neopentecostal, ele até teria expulsado os cambistas e os que vendiam pombas no templo, mas permaneceria com o comércio, desta vez sob sua gerência. (MT 21:12-13)

Se Jesus fosse neopentecostal, quando os fariseus o pedissem um sinal certamente ele imediatamente levantaria as mãos e de suas mãos sairiam vários arco-íris, um esplendor de fogo e glória se formaria em volta dele que flutuaria enquanto anjos cantarolavam: “divisa de fogo varão de guerra, ele desceu a terra, ele chegou pra guerrear”. E repetiria tal performance sempre que solicitado. (Mt 16:1-12)

Se Jesus fosse neopentecostal, nunca teria tido para carregarmos nossa cruz, perdermos nossa vida para ganhá-la, mas teria dito que nascemos para vencer e que fazemos parte da geração de conquistadores, e que todos somos predestinados para o sucesso. E no final gritaria: receeeeeeebaaaaaa! (Lc 9:23)

Se Jesus fosse neopentecostal, não teria curado a mulher encurvada imediatamente, mas teria a convidado para a Escola de Cura para o aprender os 7… veja bem, os 7 passos para receber a cura divina. (LC 13:10-17)

Se Jesus fosse neopentecostal, de forma alguma teria entrado em Jerusalém montado num jumento, mas teria entrado numa carruagem real toda trabalhada em pedras preciosas, com Poncio Pilatos, Herodes e a cantora Maria Madalena cantando hinos de vitória “liberando” a benção sobre Jerusalém. E o povo não o receberia declarando Hosana! Mas marchariam atrás da carruagem enquanto os apóstolos contariam quantos milhões de pessoas estavam na primeira marcha pra Jesus. (MT 21:1-15)

Se Jesus fosse neopentecostal, ao curar o leproso (Mc 1:40-45), este não ficaria curado imediatamente, mas durante a semana enquanto ele continuasse crendo. Pois se parasse de crer.. aiaiaiai

Se Jesus fosse neopentecostal, não teria expulsado o demônio do geraseno com tanta facilidade, Ele teria realizado um seminário de batalha espiritual para, a partir daí se iniciar o processo de libertação daquele jovem. (Mc 5:1-20)

Se Jesus fosse neopentecostal, o texto seria assim: “ Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um pobre entrar no reio dos céus” (Mt 19:22-24)

Se Jesus fosse neopentecostal, não teria transformado água em vinho, mas em Guaraná Dolly. (Jo 2:1-12)

Se Jesus fosse neopentecostal, ele teria sim onde recostar sua cabeça e moraria no bairro onde estavam localizados os palácios mais chiques e teria um castelo de verão no Egito. (Mt 8:20)

Se Jesus fosse neopentecostal, Zaqueu não teria devolvido o que roubou, mas teria doado seu ao ministério. (Lc 19:1-10)

Se Jesus fosse neopentecostal, não pregaria nas sinagogas, mas na recém fundada Igreja de Cristo, e Judas ao traí-lo não se mataria, mas abriria a Igreja de Cristo Renovada.

Se Jesus fosse neopentecostal, não diria que no mundo teríamos aflições, mas diria que teríamos sucesso, honra, vitória, sucesso, riquezas, sucesso, prosperidade, honra…. (Jo 16:33)

Se Jesus fosse neopentecostal, ele seria amigo de Pôncio Pilatos, apoiaria Herodes e só falaria o que os fariseus quisessem ouvir.

Certamente, Se Jesus fosse neopentecostal, não sofreria tanto nem morreria por mim nem por você… Ele estaria preocupado com outras coisas. Ainda bem que não era.

15 coisas que você deve deixar de lado para ser feliz

Vi no Facebook.

01. Deixe de lado sua necessidade de estar sempre certo;

02. Deixe de lado sua necessidade por controle;

03. Deixe de lado a culpa;

04. Deixe de lado sua conversa íntima de auto-defesa;

05. Deixe de lado as crenças limitadoras;

06. Deixe de lado as reclamações;

07. Deixe de lado o vício da crítica;

08. Deixe de lado a necessidade de impressionar os outros;

09. Deixe de lado a resistência à mudança;

10. Deixe de lado os rótulos;

11. Deixe de lado seus medos;

12. Deixe de lado suas desculpas;

13. Deixe de lado o passado;

14. Deixe de lado as ligações às coisas;

15. Deixe de lado o hábito de viver sua vida de acordo com as expectativas alheias.

Decálogo contra o “voto de cajado”

Paulo Nascimento, em Novos Diálogos

Vi e curti no Pavablog

Dedicado especialmente aos amigos pastores.

I. Não usarás do vosso poder pastoral para guiar a consciência dos fiéis, como um rebanho de idiotados, em benefício de qualquer candidato.

II. Não usarás as Sagradas Escrituras de forma capciosa, a fim de legitimar a candidatura de uns e demonizar a candidatura de outros.

III. Não venderás a tua consciência a candidato algum, em troco de recompensas materiais feitas à tua congregação.

IV. Não permitirás que teu púlpito deixe de ser plataforma de anúncio do Evangelho, para ser plataforma de propaganda partidária e eleitoreira, em tempo algum.

V. Não coagirás nem ameaçarás teus pastoreados que manifestarem inclinações políticas diversas das tuas.

VI. Reforçarás em todo tempo a total liberdade de consciência de teus pastoreados, em matéria de religião e política, ou em qualquer outra coisa.

VII. Instigarás tua congregação à ampliação sempre constante da consciência política, antes, durante e depois das eleições.

VIII. Auxiliarás os teus pastoreados a perceberem que a ação política é muito maior que o voto, estendendo-se a ações individuais, associativas, comunitárias, de movimentos sociais, e que tais ações são tão potentes quanto o voto para as mudanças que todos desejam para a pólis.

IX. Conduzirás tua congregação de um modo que a mesma seja politicamente pertinente na comunidade onde está inserida.

X. Terás vergonha na cara em todo o tempo, também nos tempos de eleição.

Se a mulher fosse feita apenas para procriar, Deus não criaria o clitóris

Marisa Lobo

Vi no Genizah.

Em minhas palestras sobre sexualidade da mulher ensino as mulheres para que serve o clitóris , e como sentir prazer sem tabus.
Muito tem se falado de sexo na igreja e é bom que a igreja se preocupe com esse assunto, pois muitas mulheres sofrem muito, por não saberem até onde podem ir, se podem, até onde se tem o direito de sentir prazer e etc. Há muitos tabus em cima da sexualidade da mulher que deve ser esclarecido com verdade e clareza a fim proteger a mulher e sua saúde mental.
Em minhas andanças pelo Brasil, vejo mulheres oprimidas por pregadores preconceituosos, que nem sequer sabem o que é sentir um orgasmo. Essa ignorância tem que acabar.
Recentemente, em uma de minhas palestras em uma grande Igreja no Brasil, uma mulher me disse que ouviu de um renomado pastor, que Deus apreciava tanto o sexo que envia anjos para observarem o ato. “Misericórdia!”, gritei. Fiquei imaginando a cena, você lá com o maridão e os anjos te olhando. Que coisa mais bizarra, parece voyeurismo. É o cúmulo da alienação e da opressão sexual. Pastores querendo até controlar o que as mulheres fazem e sentem no sexo com seus maridos? Ou foi uma forma subliminar de dizer não traiam seus maridos porque Deus está vendo? E por acaso já não sabemos disso?!
Em minha visão e opinião como palestrante do assunto e uma mulher Cristã que respeita princípios, isso é uma forma de constranger, oprimir e induzir à culpa. A fala deste pastor fez com que essa mulher se sentisse fiscalizada na hora do sexo. Resultado? Ela estava tendo um péssimo sexo, onde só o marido atingia o orgasmo, ou seja, só o homem sentia prazer. Isso gera mulheres frustradas em sua sexualidade, em consequência: mais dores de cabeça, TPM, nervosismo, etc.
Essas e muitas mulheres que encontro em minhas palestras são vítimas dessas que eu chamo claramente de heresias, acreditando que fazer sua obrigação como mulher é dádiva e sentir prazer não é seu direito ou é algo supérfluo.
Primeiramente, quando falamos de sexo, não podemos usar a palavra obrigação, pois obrigação não combina com prazer. Se Deus quisesse que a mulher não sentisse prazer no ato sexual, não teria lhe dado o clitóris, que só serve para dar prazer a mulher durante o ato sexual.
“Fugi dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas” (Marcos 12:38)
Em conversas mais íntimas com essas mulheres em todo Brasil, pude observar que é geral a ídéia que para ser cristã, uma mulher de Deus, é necessário ceder ao marido apenas como obrigação. Eu ensino que “ceder” ao marido é uma ótima brincadeira e vai te deixar muito mais feliz se entender o que realmente Deus quis dizer com isso, eu digo sempre que Deus quis dizer “se deleite minha filha, é direito seu!”.
A Palavra de Deus é viva e eficaz, portanto, os pregadores devem usá-la na amplitude do que é. O líder espiritual eficiente é o que ministra a Palavra e atinge a tricotomia do ser humano: o corpo, a alma e o espírito.
“Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula” (Hebreus 13.4). Nos originais em grego, a palavra traduzida por leito é sexo. Que os líderes evangélicos vençam os seus tabus e consigam usar a Palavra a fim de criar maior honra no matrimônio, no sexo entre cônjuges, diz o Pr Josué Gonçalves.
Temos que mudar urgente esses conceitos, a mulher tem o direito dado por DEUS em seu corpo de sentir orgasmo. Pelas estatísticas mundiais somente 35% das mulheres já atingiram orgasmo, essa porcentagem fica ainda maior quando imputamos culpa em nossos membros e não ensinamos as mulheres que DEUS lhes deu liberdade no corpo, alma e espirito para gozar com seu marido literalmente de todo prazer em sua vida sexual.
“Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da sua vida…” Eclesiastes 9.7.
O sexo com prazer é um dom que Deus dá às pessoas casadas para o prazer de ambos e não como dizia a era Agostiniana: “um mal necessário, somente para procriação”.
Principalmente a mulher cristã, deve relaxar tendo em mente que Deus quer sua felicidade e pensou muito em seu prazer, por isso temos um clitóris e curiosidade. Podemos atingir orgasmo múltiplos e quantas vezes quisermos, já o homem sabemos ser mais difícil.
Deus foi tão sábio que com a mulher ensina o marido (homem) a ser mais carinhoso. Para a mulher atingir o orgasmo, o homem precisa estimulá-la com muito carinho e paciência. Homens que tratam mulheres com agressividade por exemplo não conseguem de maneira alguma satisfazer suas mulheres, pois nós precisamos estar psicologicamente e fisicamente relaxadas, e ainda muito mais motivadas que o homem. São dois opostos que se atraem, vejo como uma linda brincadeira de Deus para nós.
E como é bom para o homem satisfazer sua esposa, ele se sente mais macho, mas isso só será possível se ele estimular com carinhos variados, com palavras e atitudes todo o corpo de sua amada esposa e principalmente em seu clitóris. Não é tarefa fácil mas se querem uma esposa ardente, devem mudar seus conceitos.
Quem ama a sua esposa, ou esposo, acha nela ou nele a sua beleza, jamais sentirá condenação em colocar a boca ou as mãos em qualquer parte do seu corpo, pois os dois já são uma só carne. Fazer carinhos nela é estimular você, pois somos uma só carne, lembra?
A OMS (Organização Mundial de Saúde) considera saúde sexual um dos parâmetros para qualidade de vida junto com o bem estar físico, mental e social.
Para a mulher estar bem com a sexualidade e ter satisfação sexual com o seu esposo, ela tem que se conhecer e saber onde quer e deseja ser estimulada e acariciada. Com certeza haverá muito mais troca! Essas trocas de carinhos são importantes na Manutenção da Interação da Vida do Casal, claro que não devemos associar o prazer sexual somente ao orgasmo, mas quem consegue atingí-lo, tem mais saúde emocional, física e espiritual, pois se sente mais feliz e disposto.
Portanto, dificuldades sexuais podem sim afetar a vida pessoal, social e profissional, por implicar em baixa de auto-estima. Por isso ensino mulheres a conhecerem seu corpo, a entender seus problemas sexuais, suas dores e principalmente a exercitarem o sexo, não como uma simples forma de satisfazer seus maridos, no entanto e principalmente, satisfazer a si mesma como direito adquirido por Deus. Assim sendo, a mulher que sabe o que é um orgasmo será muito mais feliz e fará seu marido se sentir o máximo.
Lembre-se que Deus fez o seu corpo e de seu marido para que ambos sintam todo o prazer que o sexo oferece, no contexto do casamento (Hb 13.4 e 1 Co 7.3,4).
Bom sexo para você mulher de Deus!
Marisa Lobo é psicóloga clínica, escritora.

Não posso ser o melhor amigo do meu filho!

Fabrício Carpinejar, no Blog do Carpinejar

Não posso ser o melhor amigo dos meus filhos, mas realizar uma oposição criativa.

Tenho que dizer coisas desagradáveis que nenhum melhor amigo diz, como “tá na hora de tomar banho!”, “acabou o tema?”, “não volta tarde”, “põe o casaco”.

Sou pai, necessito orientar, não concordar sempre e falar amém para aventuras.

Não quero mesmo que meus filhos contem tudo, quero que saibam que podem me contar tudo.

Não preciso saber seus segredos para que eles tenham confiança em mim.

Que possam manter um pouco de sua intimidade até longe de mim para que eu não fique toda hora opinando.

Ser pai é um papel difícil, é segurar o sim, é segurar o não, jamais temer tomar partido.

Pai não fica em cima do muro, é o muro.

É limitar as vontades, ser determinado, firme.

Sem meio-termo: errar e pedir desculpa, acertar e comemorar.

Não posso ser legalzinho. Pai legalzinho demais tem culpa no cartório. Tem medo de perder o filho e faz todas as vontades dele. Fazer todas as vontades do filho é perder o filho.

Posso ser legal. Isso sim. Legal. Filhos vão gostar de mim e vão me odiar.

Vão gostar de mim me odiando.

E preciso permitir que os filhos me odeiem. Que me critiquem. Que me xinguem.

Para eles poderem me superar, ser melhor do que eu.

Que falem mal de mim nas costas. Mas nas costas. Que é preciso ter educação até para falar mal. Falar mal do pai é unir os irmãos – eles têm um assunto em comum.

Passarão vergonha com meu amor. Gritarei gol durante os jogos da escola, contarei piadas sem graça para seus amigos. Terão orgulho também de mim. Quando algum professor perguntar o que eles são do Carpinejar.

Pai é passar da idade, é envelhecer para o filho entender que é de outra geração.

— Não viu essa banda no Youtube, pai? Que bizarro…

Pai é a honestidade da lembrança. É a franqueza do gesto. É a responsabilidade.

Assumir o que se vive, não ficar procurando culpados.

Ser pai é dar a cara ao tapa esperando o beijo.

Inferno aqui e agora!

Texto do Rob Bell publicado no blog do Sandro Baggio.

Eu recordo chegando a Kigali, Rwanda, em dezembro de 2002 e dirigindo do aeroporto para nosso hotel. Logo após deixar o aeroporto, vi um menino de provavelmente dez ou onze anos, sem uma das mãos, ao lado da estrada. Depois vi outro menino, na mesma rua, sem uma perna. Depois outro em uma cadeira de rodas. Mãos, braços, pernas – devo ter visto cinquenta ou mais adolescentes sem um dos membros somente naqueles primeiros quilômetros. Meu guia explicou que durante o genocídio, um dos modos de desmoralizar e humilhar o inimigo era remover, com um machado, um braço ou perna de crianças, para que anos mais tarde elas tivessem que viver com a lembrança do que foi feito a elas.

Se eu acredito em um inferno literal?
Claro.
Aqueles não eram braços e pernas desmembrados metaforicamente.

Você já sentou-se ao lado de uma mulher enquanto ela falava sobre como foi para ela ter sido estuprada? Como uma pessoa descreve o que significa ouvir um menino de cinco anos, cujo pai acabou de cometer suicídio, perguntar: “Quando o papai voltará para casa?” Como alguém descreve aquele olhar devastado, vazio, singular, que você encontra nos olhos de um viciado em cocaína?

Tenho visto o que acontece quando as pessoas abandonam tudo o que é bom e correto e afável e humano.

Certa vez, conduzi o funeral de um homem que eu nunca havia conhecido. Seus filhos me alertaram, quando me pediram para fazer o ofício, que eu estava entrando numa confusão e que, quanto mais próximo chegássemos do ofício em si, mais feio as coisas ficariam.

Este homem era cruel e mau. A todos ao seu redor. Ninguém tinha nada de bom para dizer sobre ele. A função do pastor, dentre outras coisas, é ajudar a família e amigos a honrar propriamente o falecido. Este homem tornou minha tarefa bem difícil.

Eventualmente percebi o que eles queriam dizer com “feio”. Quando percebeu que estava para morrer, ele reescreveu seu testamento. Ele propositadamente deixou fora familiares que esperavam receber algo e deu a riqueza para outros membros da família que ele sabia que eram desprezados. Ele mudou seu testamento para que em seu funeral houvesse dor e ira. Ele queria ter certeza de que estaria causando destruição nesta vida, mesmo depois de tê-la deixado.

Conto estas histórias porque é absolutamente vital que reconheçamos que amor, graça e humanidade podem ser rejeitados. Do mais sutil olhar de desprezo à mais violenta degradação de outro ser humano, somos terrivelmente livres para fazer o que nos agrada.

Deus nos dá o que queremos, e se isto for o inferno, podemos tê-lo.
Temos este tipo de liberdade, este tipo de escolha. Somo livres assim.

Podemos usar machados se quisermos.

Então quando as pessoas dizem que não acreditam no inferno e não gostam da palavra “pecado”, minha primeira resposta é perguntar: “Você já se sentou para conversar com uma família que acabou de descobrir que o filho foi molestado? Repetidamente? Durante anos? Por um parente?

Algumas palavras são fortes por uma razão. Precisamos que essas palavras sejam intensas assim, carregadas, complexas e ofensivas, porque elas precisam refletir as realidades que descrevem.

E é isso o que encontramos no ensinamento de Jesus sobre o inferno – uma mistura volátil de imagens, figuras e metáforas que descrevem as experiências e consequências bem reais de se rejeitar a bondade e humanidade dadas por Deus. Algo que todos temos liberdade para fazer, a qualquer tempo, em qualquer lugar, com qualquer um.

(extraído de Love Wins, páginas 70-73)

Uma Catástrofe Gentil

Paulo Brabo via Pavablog

Uma pessoa inteligente que preze a sua tradição religiosa não vai aproximar-se a sério da ideia messiânica, porque o vento messiânico traz invariavelmente a ameaça de perturbações e de inovações teológicas – colocando desse modo em risco as tradições que definem e sustentam a própria religião.

Uma pessoa boa que se importe com a gente comum não vai se aproximar a sério da ideia messiânica (não vai em especial se colocar numa posição em que possa ser considerada ela mesmo o messias) porque ninguém ignora que na própria noção de messianismo está, em termos históricos e ideológicos, embutida a necessidade de violência.

No fim das contas, o messianismo é a expectativa de uma resolução violenta – isto é, não consensual ou gradual – para as tensões que apertam uma determinada subcultura. A realização sem trâmites da utopia encontra todo o tipo de resistência, exigindo desse modo grande dispêndio de energia. Por esse motivo, quando foram tentados na prática os movimentos messiânicos mostraram-se quase invariavelmente associados a revoluções, ao recrudescimento de tensões raciais e sociais e ao derramamento de sangue.

E só se pode dizer “quase invariavelmente”, claro, por causa de Jesus.

Jesus, pelo que sabemos, era um cara inteligente que prezava a sua tradição religiosa e um homem bom que se importava com a gente comum, mas isso não o impediu de aproximar-se do terreno minado da ideia messiânica. O que distingue o movimento inspirado por ele dos outros desse gênero que vieram antes e depois não está em que Jesus se abstinha de pregar ou anunciar a catástrofe – mas em que ele anunciava a gentil catástrofe da irmandade universal.

E, não importa o que você pense, o mundo estava mais preparado para a notícia de um império mundial controlado pela fria espada de um descendente de Davi no trono de Jerusalém do que para a noção de que todos os seres humanos são irmãos livres debaixo da aprovação invariável de um mesmo Pai.

A mensagem de Jesus de Nazaré era tão desarmantemente original, tão exigente e radical em apresentação e em desdobramentos, que manteve seu cerne não-violento mesmo depois que seu proponente saiu de cena e deixou de controlar a coisa toda pessoalmente. Até ser engolido, assimilado e vomitado em forma inversa pelo Império, no quarto século, o movimento de Jesus manteve-se consistentemente não-violento e popular – e isso numa época em que era raríssimo que as duas coisas andassem juntas.

Gente como nós, criada no leite inofensivo da ideologia pop da não-violência, pode ter perdido a capacidade de assombrar-se diante do quanto soava improvável e radical, dois mil anos atrás, a ideia de um movimento popular não-violento. Pode ser útil lembrar que uma postura radical de não-violência era coisa improvável há meros cem anos, e que em tantos sentidos permanece sendo nos nossos dias.

Claro que Jesus mal havia não esfriado no túmulo e começou a circular a versão de que sua passagem pela terra não havia sido suficiente, isto é, que seu método não devia ser considerado válido. O messianismo não-violento de Jesus não podia ser tolerado, pelo que ficou resolvido que sua visita pacífica tinha sido apenas a primeira – o que anulava em grande parte a sua singularidade. Decidiu-se que ele deve voltar desta vez valendo, de espada na mão, pra mostrar quem é que manda e botar ordem neste barraco.

Fonte: Bacia das Almas