Quatro modelos falidos de macheza – Tipo 3

“Eu não minto para as mulheres, protejo-as da verdade.”

Charlie Harper

O tipo 3 de homem encontrado por aí, eu chamarei de Charlie Harper, o personagem principal do seriado “Dois homens e meio”. Ele é um canalha sem nenhum pudor, cujo grande motor da vida é o prazer imediato na forma de álcool, mulheres e festas.

Homens desse tipo não conseguem envolvimento afetivo, mas tem grande capacidade de identificar a carência feminina e é nisso que eles apostam para fugir do relacionamento assim que ele demonstre alguma exigência de compromisso. Geralmente este tipo de homem tem facilidade para se comunicar. Fala bem, sabe o que as mulheres querem ouvir e não deixa de usar isso em seu favor.

A fonte dessa obsessão sexual é o relacionamento mal resolvido com a mãe. Aliás, costumo dizer às mulheres que se afastem de homens que odeiam a mãe ou que não suportam a mãe. Na minha experiência 100% destes homens vingam-se delas na vida das outras mulheres. Chega a ser um prazer sádico que muitos deles desfrutam inconscientemente.

Quanto mais apaixonada a mulher se mostrar, tanto mais cruéis eles serão. Porque na mente desses homens eles não valem nada e se alguém gosta realmente deles, não deve ser gente boa. Se estes homens não perdoarem  suas mães, jamais poderão seguir em frente em um bom relacionamento afetivo.

Depois de uma palestra em um Congresso, uma jovem veio me procurar para falar de seus problemas no trabalho. Ela  me contou horrorizada que um de seus colegas costumava dizer:

“Só existem dois tipos de mulheres na vida, as prostitutas, e as que voam!”

Essa é a alma de um Charlie Harper. Você pode imaginar a maneira que ele tratará o sexo feminino: como um objeto de prazer. O pior de tudo é quando esse homem casa.

Além dessa problemática, o prazer para eles tem um valor supremo. Está acima das pessoas. Eles são aquele tipo que perde o amigo, mas não perde a piada. Se possuírem tendência a dependência de drogas tanto pior, pois não negarão a si nenhum prazer mesmo que ao custo do sofrimento familiar.

Homens desse tipo, quando convertidos ao Senhor, em momentos de dor se sentirão tentados a voltar aos antigos refúgios decadentes e precisarão de toda boa companhia e transparência que puderem achar, para resistir à recaída.

Mas o Reino de Deus é construído com ex-canalhas. Essa é a nossa grande esperança.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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Será que minha igreja é um lugar seguro para falar a verdade?

“Na presença do Médico dos médicos, minha contribuição mais adequada talvez sejam minhas feridas.”

Philip Yancey

Nossos relacionamentos em comunidade são de uma superficialidade constrangedora. São beijos através do vidro, são abraços por telefone. Teatro ensaiado e previsível.  Falamos, mas não dizemos nada. Não gostamos, mas fazemos cara de quem está adorando.

Dizemos olá, como vai, tudo bem?

Falamos do jogo de futebol.

Falamos sobre as notícias de hoje.

Falamos sobre o passado.

Comentamos a pregação do pastor e como foi maravilhosa!

Defendemos nossa posição teológica com solidez.

Mas e o nosso coração, quando tem voz?

Como Adão depois da queda, nos escondemos atrás da falsa gentileza  do brasileiro que viciou em dizer “tudo bem” quando perguntado sobre sua vida. Mas, nem por isso deixamos de ser uma sociedade abusadora,  como estão aí os números da violência para revelarem nossa hostilidade mal disfarçada.

A pergunta que você certamente faz é: será que meu habitat de igreja é um lugar seguro para se falar a verdade? Deveria ser, pois uma comunidade que defende a pecaminosidade universal, jamais poderia se surpreender com pessoas menos que perfeitas. Enquanto não for, todos colocarão a sujeira para debaixo do tapete, e de vez em sempre, alguém tropeçará no tapete e todos ficarão surpresos com o que há por debaixo dele.

Pela minha experiência o que mais impede a transparência na igreja, é o espírito religioso. Aquela postura que Jesus falou quando ensinou: não julguem para não serem julgados. É a atitude superior que acaba com nossa verdadeira comunhão.

É triste saber que tem discípulos de Jesus que se sentem melhor contando seus problemas a um psicólogo ou psiquiatra, do que a um companheiro de jornada. Sim porque o crente normal é um chato que não sabe ouvir sem repetir chavões e sem julgar.

Outra razão, para nossas camuflagens, penso eu  é o divórcio entre verdade e amor. Ou somos xiitas da verdade que fritam os outros em nome de Jesus, ou somos discípulos água com açúcar que acreditam que o pecado não faz mal para ninguém. A palavra me diz que amor e verdade não podem ser separados. Ou acabam não sendo nem uma coisa nem outra.

Por essas e outras estamos perdendo as bênçãos necessárias da transparência.

A primeira carta de João no Novo Testamento, fala muito sobre andar na luz. Transparência é uma implicação prática de andar na luz.

O texto (1) de João nos fala de pelo menos três bênçãos que ela traz para a comunidade dos discípulos:

1. Verdadeira parceria. Existe muita gente solitária em grandes comunidades, apesar de frequentarem congressos, festinhas e até fazerem discipulado. Há também um fenômeno cada vez mais comum de amizades descartáveis.  O motivo é simples: os corações não estão entrelaçados, apenas as superfícies. Uma máscara que fala para outra máscara. É tempo de parar com o faz de conta. É tempo de levantarmos a bandeira da transparência comunitária para experimentarmos o verdadeiro amor.

2. Libertação do pecado. Todas as pessoas que Jesus curou nos evangelhos, saíram de suas cascas.

O cego de Jericó, não quis saber dos discípulos tentando fazê-lo calar a boca.

A prostituta perdoada, não teve nenhum problema de entrar em um covil de fariseus para estar aos pés de Jesus.

Zaqueu sabia bem que ninguém gostava dele, mas foi em frente no seu plano de encontrar a Jesus.

O leproso assustou a todos quando foi se achegando a Jesus saindo do meio da multidão.

Quem sai da casca, sai das trevas, do segredo, do orgulho, do amor as aparências e entra na zona da cura e da libertação!

3. Direção na vida. Quem se esconde vive uma mentira, que acaba por acreditar. E por acreditar em uma mentira, fica cego as consequências de seus vícios e atitudes malignas. As trevas o cegam diz a Palavra. Uma vida transparente, sabe onde vai, pois anda com humildade.

Não sei o que você vai fazer, mas se eu fosse você parava com o jogo de cena, e começava abrir o jogo.

E quem não tiver pecado, que atire o primeiro julgamento.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Por que perdemos nosso precioso tempo com besteiras?

Escrevo com a imagem de César Cielo tricampeão mundial dos 50m rasos da natação, chorando copiosamente enquanto escuta o hino nacional como trilha da sua epopeia esportiva.

Imagino o que possa estar passando na cabeça dele. Sacrifícios colossais na busca por patrocínio, o dia a dia espartano, acordando cedo, treinando até o limite da força dos músculos, cuidados quase obsessivos com tudo o que come, e a imensa ansiedade que como fantasma de filmes de terror lhe sussurra: será que você é bom mesmo?

Como atleta, ele julgou que ser o melhor homem do mundo na água  durante ínfimos  21 segundos valia a pena o preço que pagou da vida inteira de dedicação. Pessoalmente jamais faria tanto por tão pouco, mas admiro atletas por um simples traço de caráter: eles pagam o preço por aquilo que eles julgam importante.

E você paga?

Para pessoas comuns, que compõem a quase maioria dos que frequentam esse espaço virtual, o que é importante pode ser resumido em algumas frases que ouço:

“Quero ter um relacionamento próximo com Deus.”

“Quero ser amigo do meu filho.”

“Quero ser um profissional de excelência.”

“Quero ser feliz em um relacionamento amoroso.”

“Quero ter liberdade financeira.”

Apesar de poderem falar sem pestanejar sobre o que realmente vale a pena,  quando eles olham o que fazem todos os dias como hábitos instalados em suas vidas percebem que não estão a caminho de construir nenhuma das coisas que julgam importantes.

Essa incoerência fatal nos leva aos nossos principais problemas..

Nos endividamos porque compramos bugigangas.

Entramos em crise matrimonial porque damos tempo a tudo menos para o nosso cônjuge.

Temos crises espirituais porque  buscar a Deus de verdade nunca foi uma prioridade para nós.

Nossos filhos são estranhos para nós porque nunca paramos para ouvir o coração deles.

Por que então gastamos nosso tempo em besteira?

Tenho percebido pelo menos cinco equívocos nas pessoas:

  1. As pessoas pensam que tudo vai dar certo não importando o que façam. É o otimismo cego. É fé na fé.  É querer colher onde não plantou.
  2. As pessoas simplesmente se resistem a mudar. Viciamos em comportamentos e rotinas que acabam se tornando vacas sagradas inamovíveis. Mudar causa dor, e a dor sempre nos assusta.
  3. As pessoas percebem que o que é importante não dá resultados imediatos. E somos uma cultura viciada que pede tudo para “ontem”.
  4. Somos mais impulsivos do que disciplinados. E o custo é sempre responder à pressão do momento em lugar de seguir um princípio claro.
  5. Queremos ficar bem com todo mundo. Todos têm um plano e uma expectativa em relação a nós. O desejo de ser popular acaba nos desviando das coisas mais fundamentais.  Se não tivermos nossa agenda programada, alguém forte se encarregará de fazer por nós.

Meu conselho a você é que pare de perder tempo e viva sua vida para glória de Deus, fazendo o que realmente importa, a começar por hoje.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Por que acredito que estamos voltando ao tempo das cavernas?

Está cada vez mais comum diálogos como os que seguem abaixo:

– Filha, por favor, podes comprar ração para o gato?

– Ah, não pai. Tenho vergonha.

– Mas filha, é tão simples, é só dizer assim: Que-ro ra-ção pa-ra ga-to!

– Ah, não, não vou, tenho vergonha.

Outro semelhante a esse.

– Pai, estou louco de fome. Pede um lanche pra nós?

– Pega o telefone e pede!

– Ah, não! Tenho vergonha.

– Ué, mas tu passas a tarde toda falando com teus amigos pelo Facebook, e não te anima a pedir um lanche pelo telefone?

– Ah, mas é diferente.

– Então vai ficar com fome. Está aqui o dinheiro, se quiseres pede tu mesmo.

– Então, vou comer as bolachas que tem na cozinha.

É uma grande contradição, mas a era das comunicações está produzindo gente que tem dificuldades básicas de interação humana. Não é nem de compartilhar seus problemas, é algo ainda mais fundamental, dirigir a palavra a outro ser humano.

O ser humano que se forma da experiência tecnológica, é ultrassensível (não consegue ouvir uma reprimenda sem entendê-la como um xingamento), é dependente da máquina (não fala sem a ajuda do celular ou computador) sem senso de realidade (vive sem saber a diferença entre internet e vida real) e despreparado para a frustração.

Ora, não posso deixar de concluir, com a amostragem de que disponho, que estamos voltando ao tempo das cavernas, só que essa caverna é solitária. Perdemos habilidades que conquistamos com anos de olho no olho e trocas de chimarrão. É a desgraça das relações, pois os relacionamentos que se formam a partir dessa realidade são mais falsos, mais descartáveis, mais frios e mais egocêntricos. Despreparados então, o que poderemos esperar das comunidades que formaremos. Como será nossa escola, nossas igrejas, nossos bairros e trabalho?

No bairro, digo com tristeza, não vejo mais crianças brincando. Elas compram o seu Playstation, que é cômodo para os pais e divertido pra elas e passam dias sem conversar e sem serem contrariados com opiniões divergentes, sem compartilhar nada.

No trabalho, muitas profissões fundamentais vão ficando sem herdeiros para o futuro, como a construção civil e a agricultura. Trabalho bom, é trabalho de caverna  escritório.

Nas igrejas, as pessoas vão de lugar em lugar procurando não se envolver, porque todo envolvimento tem custos e eles não querem pagar o preço. Tudo que não produz emoções rápidas e intensas é descartável.

E as escolas são o caldeirão desse atraso, onde esses egos mal formados não conseguem dar espaço um para o outro, brigam constantemente, e sem conseguirem se entender criam tribos urbanas impenetráveis a diferença e as vezes atacam-se por frivolidades.

Acho que está mais do que na hora da gente se preocupar e muito com esse fenômeno. Eu mesmo, fiz questão de reduzir minha jornada na internet, quero programar o “dia da desconexão” na minha casa ( um dia no qual ninguém acessará qualquer mídia especialmente a internet) e recomendar a quem se preocupa com os seus, colocar um limite nessa caverna que vai engolindo a todos.

Do contrário nossa indiferença nos converterá a todos em “unga-bunga” e a barbárie encontrará espaço cada vez maior no nosso dia a dia e não haverá polícia nem estado que possa conter.

Com preocupação…

O discípulo gaudério.

Os 4 lapidadores que precisamos

Esse post é dedicado a minha companheira de jornada: Claudia Goulart que tem conseguido a façanha de ser todas essas coisas para mim nestes 20 anos de casamento.

Paulo foi pela graça de Deus um homem fora do comum.

Líder nato, em todo lugar aonde chegou fundou uma igreja.

Estrategista, fincava essas comunidades em epicentros do mundo antigo o que facilitava o espraiamento da mensagem a cada canto do império romano.

Construtor de tendas, mestre da Palavra, escritor, místico e operador de milagres. A tal ponto lhe transbordavam predicados, que até mesmo Freud pai da psicanálise e ateu, teve que se render a grandeza da obra de Paulo quando escreveu que ele “permanece incomparável em toda a história.” (1) Suspeito que sua teoria da personalidade tenha sido inspirada na epístola aos Romanos.

Quando conhecemos um homem assim, é impossível que a gente não se pergunte sobre como foi sua formação. Porque é minha convicção que ninguém desenvolve seu potencial humano sem lapidadores. Vi na história de Paulo 4 tipos de pessoas fundamentais, e creio que embora um Paulo não surja a todo momento entre os humanos, se dermos as boas vindas a esses quatro tipos, seremos gente extraclasse. Ah, e veja se você também pode se tornar algum destes tipos na vida de alguém. Todo mundo precisa!

Vejamos quem são eles:

1. Precisamos de amigos pé no chão.

Aqueles que não deixam a mosca do esnobismo, da pretensão, da afetação, da artificialidade nos picar. São o tipo de pessoa que nos lembra que apesar dos nossos diplomas, do nosso bom emprego, do título de pastor, doutor, professor, ainda somos pó ou simplesmente o “Fabinho” como meus amigos de infância me conhecem.

São o tipo de pessoa que denuncia nossa impostura, nossa falsidade dizendo: pode parar que já te vi jogando bola de kichute furado, limpando o nariz com as mangas do blusão de lã, agachado jogando bolinha de gude com metade do traseiro para fora das calças.

A gente precisa lembrar-se de onde saiu, dos pecados que nos enredaram, para não levantar demais o tom de voz, não vender a mentira do super-homem ou da mulher maravilha que quase sempre fazemos. Paulo tinha nos apóstolos a memória que lhe dizia que ele havia sido “blasfemo, perseguidor e insolente.” (2)

Esse pessoal evita que nos tornemos juízes togados dos outros.

2. Precisamos de gente perturbadora.

Pessoas que enxergam nosso potencial e não admitem que a gente viva na mediocridade. Que nos desafiam (às vezes silenciosamente) a sermos melhores pais, que lembram pra nós que um dia subimos no púlpito do mundo e proclamamos como Martin Luther King: “eu tenho um sonho”. Que fazem perguntas constrangedoras como um dia ao ver minhas metas de vida escritas em um trabalho o professor Howard Dueck disse em toda sua brandura e profundidade: porque você não tem metas para sua família? Evidenciando para mim, meu mais puro egocentrismo.

Gente  como um mosquito, zumbindo no nosso ouvido nos mostrando que não fizemos nem metade do que poderíamos fazer. Gente que sabe que somos capazes de um 9, mas que estamos nos acomodando com um seis. Gente chata em alguns momentos eu sei, que a gente foge, mas que talvez devêssemos mantê-los sempre por perto.

Paulo tinha isso na figura rigorosa de Gamaliel, um grande rabino herdeiro do grande Hillel. (3)

3. Precisamos de gente “escada”.

À medida que envelhecemos percebemos como essa gente é rara. Pessoas que gostam de ver os outros vencerem. Esse pessoal sabe que o brilho de uma estrela não impede o brilho de outras estrelas. Que sucessos são para serem compartilhados. Que não é só o protagonismo que vale. Eu sei, ninguém foi educado para isso. Fomos ensinados a vivermos na selva, da sobrevivência do mais forte. Mas esses diamantes ainda se encontram por aí. E as vezes eles nem estão por perto, mas aprenderam a saborear o sucesso dos outros. E é maravilhoso.

Eles se emocionam com os louros do nosso triunfo como se fosse eles mesmos. Perto deles as alegrias são muito mais alegria. Eles abrem portas para nós, falam bem da gente quando não estamos presentes, nos promovem, nos defendem, e são incansáveis para ver a gente bem. Nos apresentam para quem pode nos ajudar. Essa gente não pode ser esquecida nunca.  Paulo teve Barnabé, que permitiu que ele fosse grande sem achar que isso lhe tirava a importância. Note como o capítulo começa com Barnabé e Paulo e termina com Paulo e Barnabé. (4)

4. Precisamos de “bebês”.

“As pessoas que mais dão trabalho são aquelas que não trabalham” é uma máxima verdadeira na igreja, e em qualquer lugar.

Pessoas problemáticas mudam seu modo de agir quando começam a cuidar de outras pessoas. Vi esse milagre acontecer muitas vezes.

Confesso que ás vezes tenho vontade de dizer na igreja: “não aceito reclamações de quem não está empenhado em cuidar de uma forma regular de outra pessoa espiritualmente”. Porque a percepção do que é importante e o que não é, só acontece quando a gente cuida de outras vidas.

Quando você vê de perto uma família que perde uma pessoa sofrendo com um câncer terminal, você entende que aquela roupa que você não conseguiu comprar no inverno passado não tem importância alguma.

Sim, se você não cuida de outras vidas meu amigo, você não sabe nada! Jamais entenderá a grandeza dos seus pais, o fardo de um pastor, o peso da chefia e a importância do discipulado. Paulo tinha Timóteo, com o qual vemos transparecer todo seu coração “paistoral”. (5)  Eu também tenho muita gente assim. Obrigado meus filhos espirituais da Igreja A Família de Deus em Pelotas, vocês me ajudaram a ser melhor de uma maneira que jamais sonhei.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério

(1)    Deus em questão. C. S. Lewis e Freud debatem Deus, Amor, Sexo e o sentido da vida. Armand M. Nicholi, Jr. Página 63.

(2)    I Timóteo 1:13

(3)    Atos 22:1-3

(4)    Atos 13:7;13;42

(5)    II Timóteo 1:3-7

Marido, você virou filho?

O velho Moisés estava na beira da morte e falava com sua mulher.

“Jane, assegure-se de colocar Davi a cargo da loja quando eu tiver partido.”

“Davi?” ela perguntou, “Por que não Natã?” Ele é um menino inteligente.

Moisés concordou debilmente.

“Ok, mas entregue a caminhonete para o Isaque.”

“Mas o Benny precisa dela para sua família.”

“Tudo bem”, disse o velho Moisés, “dê para o Benny. Mas deixe a casa de campo para a Becky.”

“Querido”, disse a esposa, “você sabe que a Becky odeia o campo. Deixe para a Rosalia.”

“Mamãe”, o velho homem resmungou, “quem está morrendo, você ou eu?” 1

O instinto materno é algo furioso nas mulheres. Mesmo as feministas acabam traídas pelo seu instinto. Em um tempo  que os valores masculinos vão perdendo sua força na mesma medida em que os pais abandonam os lares deixando para trás filhos órfãos emocionalmente e sem referência, os homens sem uma forte referência masculina acabam perpetuando seu estado filial tratando a mulher como uma mãe. Pobre mulher, pobres filhos, pobre homem. Quer saber se você está embarcando nessa? Dê uma lida na lista abaixo e pense.  Você sabe que a mulher virou mãe quando…

  1. Quando você a chama de… mãe.
  2. Quando você não suporta que ela fique descontente com algo que você faz.
  3. Quando você não faz nada sem a sua companhia.
  4. Quando você briga com seu filho como se ele fosse seu irmão.
  5. Quando ela é a única que corrige os filhos.
  6. Quando você faz beicinho e birra para resolver os problemas em vez do diálogo maduro.
  7. Quando você deixa que ela faça tudo em casa sem dar nenhuma ajuda.
  8. Quando ela é que resolve os problemas complicados que exigem enfrentamento pessoal.
  9. Quando ela é muito parecida com sua mãe.
  10. Quando você só se diverte e ela só trabalha
  11. Quando você compra seus brinquedinhos e ela coisas do interesse de todos da família.
  12. Quando você permite que ela trate você como uma criança, chamando a atenção e dizendo tudo o que você tem que fazer.
  13. Quando você não toma nenhuma decisão importante.
  14. Quando você reclama do que acha que está errado em casa, mas nunca faz nada para melhorar.
  15. Quando a atração sexual virou amizade.
  16. Quando ela controla você através do sexo.
  17. Quando você quer muito alguma coisa dela e fala com voz infantilizada.
  18. Quando ela cai doente e você perde completamente o rumo da vida e não consegue ser ajuda.
  19. Quando terminando essa leitura você tem vontade de escrever um montão de desaforos para o blogueiro impertinente que postou isso.

Corte esse cordão umbilical meu amigo.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

1. Storytelling, Imagination and Faith – William J. Bausch pag.213

Para abrir as portas do inferno onde você quiser.

“Também qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno.”

Mateus 5:22

“Não bombardeiem de críticas as pessoas quando elas cometem um erro, a menos que queiram receber o mesmo tratamento. O espírito crítico é como um bumerangue.”

Mateus 7:1

“A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira.”

Provérbios 15:1

“Façam tudo sem queixas…”

Filipenses 2:14

1. Uma Palavra Bruta.

Quando eu era guri lá em Bagé, eu aprendi essa lição em dois episódios distintos. Eis o primeiro. Como toda turma de antigamente, tínhamos como nosso ponto de encontro um grande cinamomo que ficava em frente a casa de um vizinho que, ora vejam a coincidência era pastor e também funcionário de uma grande estatal. Ele trabalhava a noite, e descansava durante o dia. O quarto dele ficava bem na frente da casa e quando ele queria dormir, nós fazíamos bagunça ao redor da árvore. Um dia depois de tentar dormir com aquele barulho sem sucesso, ele me chamou e disse assim: Fabiano, sei que tu és o chefe da galera, será que tu poderias me fazer um favor? Claro, eu respondi. Poderias pedir para o pessoal não fazer farra durante a manhã, pois eu preciso dormir e não consigo, com o barulho. Prontamente falei com o pessoal, e tudo foi resolvido. Na mesma época,  outro vizinho incomodou-se com nossa presença ruidosa. Só que foi por um caminho diferente. Recordo que era um estudante de veterinária com um filho pequeno. Ele saiu de casa gritando com Deus e todo mundo: Vocês não têm mais nada para fazer? Não sabem que estão acordando meu piá? Saiam já daqui! Ordenou ele em tom destemperado. Saímos todos silenciosamente, sem dizer uma palavra. Parecia tudo resolvido para ele. Parecia.  No dia seguinte, ainda mastigando sem engolir a grosseria, compramos rojões, que se vendiam em qualquer armazém de esquina e na calada da noite atiramos embaixo da janela onde ele dormia com o filho, para depois nos deleitarmos observando   ele enlouquecer de raiva na frente da casa sem avistar ninguém. Essas duas passagens ilustram bem como a palavra  grosseira, rude pode trazer o inferno a tona onde quer que você esteja: igreja, empresa, família e trânsito. Pode demorar, mas volta.

2. Uma Palavra Precipitada.

Quando a Bíblia condena o “julgar” ela não está se referindo a abrirmos mão do senso crítico. O discernimento é um imperativo para o discípulo de Jesus. O que Jesus condena é emitir juízos importantes sobre um assunto ou sobre uma pessoa sem ter conhecimento dos fatos. Estamos viciados em procurar informações na mídia sobre assuntos importantes e ás vezes o pior lugar para obter informação é a mídia. Quando possível, ligue, converse, informe-se. É demorado, mais difícil, mas quem disse que a porta do discipulado é ampla? Paulo Antônio da Silva, um homem humilde de Belo Horizonte viveu os últimos 15 anos de sua vida (cinco deles preso) sob o peso da acusação de estupro. Perdeu a liberdade, o emprego, a saúde e o contato com as filhas e a mulher. A semelhança com o verdadeiro criminoso o colocou no foco das acusações. Este ano depois do verdadeiro estuprador haver sido descoberto, ele respirou aliviado. O fato mostra como nossas certezas podem ser frágeis.

3. Uma Palavra de Murmuração.

A murmuração é dar razão ao ego quando nossa vontade não é feita. Todos têm expectativas em relação ao que a vida vai  oferecer, a todo momento em todo lugar. Quando essas expectativas não são contempladas, nos frustramos, e damos razão a essa frustração e como uma prima dona que não foi atendida em suas exigências de camarim, entramos em um estado de descontentamento crônico. Pense que você está chegando para uma festa. Você foi preparado para sentar em uma mesa em certa parte do salão. Chegando lá, bem vestido, em espírito alegre, você percebe que sua mesa foi ocupada por outra pessoa, e acaba precisando sentar em outro lugar longe de seus amigos. O ego descontente diz a si mesmo: acabou minha festa! E acaba mesmo. O restante daquele momento alegre acaba se tornando um peso para quem está a sua volta e para você mesmo. O problema com a murmuração é que um descontentamento ocasional acaba se tornando em um estilo de vida. O segundo problema é de natureza comunitária. As pessoas que estão ao seu redor tomam sua bandeira e tornam-se queixosos. E o terceiro decorrente deste último, é que os problemas são veiculados, mas nunca resolvidos porque o murmurador profissional acaba fugindo do confronto pessoal com quem resolveria ou poderia resolver o problema. E o pior de tudo, é que viciamos na murmuração a ponto de andarmos como um animal ferido gemendo feridas que não existem apestando os lugares onde pisamos com um estado de ânimo desalentador e desagregador. Se você tem alguma reclamação, não seja covarde, vá ao responsável falar. Já falou? Fale novamente. Mas não fique em um estado de inércia reclamatória. Vejo isso todos os dias no povo brasileiro. Reclamam dos políticos, mas não exercem nenhum tipo de ação de fiscalização ou propõe soluções para solucionar problemas.

4. Uma Palavra de Desprezo.

Nas versões antigas da Bíblia, o texto de Mateus era traduzido com uma expressão gutural do hebraico: Racá, que busca imitar (desculpem os mais sensíveis) o som de quem tira o escarro da garganta. Era uma palavra que expressava desprezo. É muito difícil, fugir do desprezo, mas é bom tentar. O desprezo é o motivo das guerras culturais de toda ordem dentro da sociedade. E parece que todos nós sentimos necessidade de odiarmos alguém. Tenho impressão que é uma maneira de nos sentirmos superiores. O velho e mau orgulho. Desprezamos pagodeiros, sertanejos, pobres, ricos, pentecostais, católicos ou que você quiser, sempre de um ponto de vista que possa nos fazer sentir melhores. Uma compensação para a nossa sempre empobrecida autoimagem. Mas quem é ferido de desprezo, raramente esquece. A música de uma artista que minha filha curte, diz: Quem está rindo agora? A jovem recorda o tempo em que os colegas a desprezavam por ser diferente e agora com o sucesso ela escreve para se vingar. Quem dera as únicas vinganças humanas fosse uma música ressentida. Mas não. O que nós vemos são guerras sanguinárias como as de Ruanda, que pelo desprezo dos belgas por uma etnia que compunha a nação causou um descontentamento que resultou em lutas sangrentas. O inferno aberto.

Se eu fosse você, cuidaria  para não abrir portas para o inferno na sua vida, pois uma vez abertas, são difíceis de fechar.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Como o caráter pode nutrir relacionamentos?

Muita gente que hoje lê esse texto está com problemas de relacionamento. Não pretendo oferecer uma solução fácil, quero oferecer um caminho efetivo para você trazer restauração e nutrição aos seus relacionamentos. Mas não é uma questão de inteligência, é uma questão de caráter. Vejamos:

1. Humildade.

Qual é o resultado do contato das pessoas com você? Elas saem de um encontro com você destruídas a respeito delas mesmas, ou animadas a darem passos para serem melhores. Meu estilo crítico escondia a arrogância do meu coração quando ainda era jovem. Uma porção de fracassos, sensação de isolamento e a ajuda de gente que eu amava fizeram com que eu mudasse minha abordagem com as pessoas.

Você é exibido? Você faz propaganda de seus dons, ou procura reconhecer os dons dos outros. Quem gosta de falastrão é jornalista.

Porque os filhos acabam se distanciando dos pais? Porque não veem seus pais compartilharem lutas e dificuldades.

Muitas vezes a chave da solução de um problema não está na inteligência, mas na humildade.

2. Estabilidade.

Tem gente que nunca sabemos o que esperar deles. Podem estar brincalhões, e em outro momento estão mal humorados.

Às vezes podemos contar com eles, às vezes não.

Conheci um homem que era assim. Era de fases. Não é de se admirar que sua vida espiritual passou do legalismo a promiscuidade. E também não é por acaso que fracassou no casamento.

Nossos problemas não devem servir de álibi para a grosseria. O fruto do Espírito é o domínio próprio. As mulheres precisam ter domínio sobre sua TPM. Não podem utilizar como desculpa para infernizar seus maridos. Os homens não podem permitir que os desgostos no trabalho sejam descarregados em casa.

3. Encorajamento.

Encorajamento é a capacidade de reconhecer um trabalho bem feito, assim como o estímulo a uma vida excelente. E as pessoas necessitam terrivelmente serem encorajadas. Quando olho o Novo Testamento percebo que Paulo fez um trabalho intenso de visitas às igrejas que havia fundado. E nas cartas percebemos que grande parte do seu trabalho era o de encorajar os discípulos em uma sociedade hostil. As pessoas se desanimam com facilidade, e uma boa palavra pode fazer maravilhas por elas. Tenho observado em minha experiência que as pessoas têm mais dificuldade de encorajar seus companheiros do que qualquer outro. Mais uma vez a razão disso é a grande carência das pessoas que se reflete na competição selvagem. Assim é que, um professor raramente reconhece outro professor. Um mecânico raramente reconhece outro mecânico. Um vendedor raramente reconhece outro vendedor. Saia hoje mesmo com o propósito de encorajar seus colegas, que fazem o mesmo trabalho que você e veja como a vida pode ficar mais leve.

4. Segurança.

Você precisa respeitar a si mesmo, antes de respeitar aos outros.

Você precisa cuidar o que fala de si mesmo para poder cuidar o que fala dos outros.

Você precisa crer que Deus está contigo, para ser bênção na vida dos outros.

Você precisa ter certeza do amor dos outros para não andar mendigando por aí.

Você precisa se enxergar como Deus te enxerga. A Bíblia me fala em diferentes textos quem eu sou em Cristo. Não quem eu sou aos olhos da sociedade. Em Cristo, sou sal, sou luz, sou embaixador, sou ministro da reconciliação, sou nova criatura.

Até para conseguir um namorado você precisa segurança. Tem gente que vive dizendo: Quem vai me querer? Essa atitude vai minando a confiança e as pessoas vão se afastando. Li em algum lugar: “Se você não se sente bem consigo mesmo, os outros também não vão se sentir.” Simples assim.

 5. Confiança.

Se Jesus foi traído, o que poderemos dizer de nós? Mesmo assim apesar de Judas o haver entregado aos guardas do templo, de Pedro com confissões tão dramáticas haver negado qualquer ligação com ele, e de todos terem fugido na hora decisiva, Jesus confia a eles a evangelização do mundo! Não é impressionante! Continuar confiando apesar das decepções é a graça que precisamos pedir a Deus para gerar em nós a fim de que possamos continuar vivendo o amor nos nossos relacionamentos.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Confrontando a questão do adultério

Para quem gosta de altos papos e teorias, João o apóstolo vai logo  acabando com a enrolação e esclarecendo sobre a vida espiritual: aquele que não ama seu irmão que vê, não pode amar a Deus que não vê. Pronto falou! Quer dizer que somos fiéis a Deus sendo fiéis aqueles que vivem perto da gente e por extensão quer dizer também que ser fiel a Deus é ser fiel à esposa com quem escolhemos viver.

Por falar nisso a composição “Amiga da minha mulher” do Seu Jorge está bombando nas ruas e nas rádios. A letra diz assim:

Ela é amiga da minha mulher.

Pois é, pois é..

Mas vive dando em cima de mim.

Enfim, enfim..

Ainda por cima é uma tremenda gata, pra piorar minha situação.

Se fosse mulher feia tava tudo certo, mulher bonita mexe com meu coração.

Se fosse mulher feia tava tudo certo, mulher bonita mexe com meu coração.

[refrão]

Não pego, eu pego, não pego, eu pego, eu não pego não..

Não pego, eu pego, não pego, eu pego, eu não pego não..

A letra reflete um conflito comum a todo homem: seu propósito contra seus apetites. E para um discípulo de Jesus o conflito ganha contornos de batalha espiritual. É difícil que a gente participe de reuniões de homens na igreja onde eles possam admitir abertamente suas lutas nessa área, por isso faço questão de escrever sobre o assunto.

A primeira pergunta que devemos fazer a nós mesmos é: qual o meu nível de frustração no meu relacionamento conjugal? Alguém vai pensar que a  abordagem é um tanto negativa, mas não é. É realista. Porque não existe relacionamento nesse mundo que satisfaça todas as nossas necessidades afetivas, mas se o relacionamento não satisfaz nenhuma necessidade afetiva, estamos em perigo, e precisamos saber disso. A equação seria mais ou menos assim:

Alta frustração + longo tempo = Grande perigo

Esse seria o componente interno que favorece (embora não determine) o adultério. Na verdade aponta para a necessidade de procurarmos ajuda. O segundo componente é de natureza cultural, de sistema. Há muita propaganda em favor do adultério apresentada da seguinte maneira:

Banalização: ouvimos a todo momento que todo mundo está fazendo, e começamos achar que é verdade. Quando essa mensagem entra na nossa cabeça, nós começamos a balançar, porque somos seres com comportamento de massa. É só olhar o quanto seguimos a moda em suas diferentes expressões.

Romantização: aqui entra a força do folhetim, de Hollywood. Trair em geral é apresentado como um ato de liberdade e não como maldade.

Tiranização: nesse ponto a cultura quase que impõe o adultério. Você não vai conseguir, é o que eles dizem, não pode, é mais forte do que você.

Ridicularização: aqui sua sanidade mental e masculinidade é questionada. Você é chamado de “boiola”, “trouxa”, porque não aproveita uma oportunidade apresentada.

Omissão: somos apresentados a todas as “vantagens” do adultério, o novo, a aventura, a alegria, mas somos enganados, pois não nos mostram a decepção da família, a perda da confiança e a culpa que será carregada. Tudo o que Davi viu da janela do seu palácio foi o belo corpo nu de Bate-Seba, ah se ele tivesse visto a desonra na família, a morte, a vergonha, talvez a história fosse outra.

O  terceiro componente da questão, é a escada do envolvimento. Sempre digo aos homens e as mulheres também, que devem falar de qualquer nível de envolvimento que se estabeleça com o sexo oposto ao seu cônjuge. O mal se espalha nas trevas. Algumas etapas se dão até que uma traição se veja consumada. É claro que o que escrevo só terá utilidade a quem realmente procura se fiel, pois ao coração decidido a trair, de nada valerá. E o traidor profissional descerá a escada do envolvimento em poucos minutos. Eis a ladeira que você deve evitar:

1.            Troca de olhares.

2.            Troca de elogios.

3.            Saídas furtivas.

4.            Primeiros toques físicos.

5.            Intercurso sexual.

Você está decidido mesmo a ser fiel?

Então, não subestime pequenos envolvimentos.

Fale para o cônjuge qualquer movimento em falso com outra pessoa.

Não se engane achando que pode manter dois relacionamentos ao mesmo tempo sem conflito.

Não seja ingênuo, pensando que você pode brincar com o mal, e sair a qualquer hora. Você não tem tudo sob controle. A partir do momento em que você não segurou sua onda, você já perdeu o controle e está realmente em perigo.

Conselho do gaudério: dá um tranco de esporas no lombo desse potro selvagem dentro de ti pra não te lamentar depois.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Acertando as contas com papai!

“Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais; do contrário, eu virei e castigarei a terra com maldição.”

Malaquias 4:6

Um amigo meu cujo pai era músico de primeira, às vezes encontrava seu pai chorando enquanto tocava o violão. Intrigado ele perguntava o que estava acontecendo. O pai respondia: Filho, apesar dos muitos anos ainda sinto saudades do meu pai. Quando toco lembro-me dele.

Perdi meu pai no dia 23 de julho, não faz um mês. E esse é o primeiro ano que não tive ninguém para ligar e cumprimentar no dia dos pais. Quando era criança eu ansiava tanto por ele, que sua ausência provocava um caos no meu relacionamento com os outros. Foi Cristo quem pacificou meu coração. Aprendi a memória seletiva. Fiquei apenas com as boas lembranças sem repisar o que passou. Agradeço a Deus pelo que foi, e celebro o que virá.

Digo estas coisas para reforçar uma verdade, que Freud evidenciou, mas que qualquer observador atento poderá concluir: o pai é a coluna afetiva na alma da gente. Ansiamos por paternidade. Nosso relacionamento com ele afeta nossa teologia, nossa capacidade de liderança, nosso trabalho e nossa paz. Por mais injusto que isso possa parecer, o pai afeta a alma do filho mais do que a própria mãe. Lutamos por sua aprovação, brigamos com sua condenação, procuramos por ele em tudo que fazemos.

O GNT, canal por assinatura produz um daqueles raros bons programas da TV, chamado “Em Busca do Pai”. Ali são tomados depoimentos de várias pessoas que demonstram de forma comovente como o pai é central na nossa formação humana. Milton Gonçalves conta como seu reencontro com seu pai foi decepcionante após um abandono aos seis anos de idade. Ele declara: “Um pai não tem o direito de abandonar seu filho.” Logo em seguida o programa mostra a vida de um historiador que desconhece seu pai. A angústia de não saber nem ter ideia de quem é seu pai é evidenciada no lamento que ele faz: “Mesmo sendo pai, ainda hoje o dia dos pais é um dia difícil.”

Por força dessa experiência tão comum em uma sociedade em que as mães dão de 10 a zero nos pais, que os filhos ficam tão vulneráveis a outros pais perigosos:

Namorados canalhas

Traficantes.

Líderes abusivos.

Filosofias ateístas.

Como você se sente em relação ao seu pai? O que você sente vai liberar um destino para sua jornada. Antes de dar continuidade na sua vida, você precisa resolver essa questão central.

Alguns sentem ódio. Existem pais que palmilharam o caminho do inferno em suas vidas e foram especialistas em impingirem sua maldade sobre seus filhos. As marcas de sua perversidade é um peso para você. Mesmo assim para o bem de sua alma o único caminho de saída para o ciclo do ódio é a porta do perdão. Saia por ela. É uma decisão que Deus vai lhe ajudar a fazer.

Outros sentem idolatria. Às vezes a sombra de um pai altamente competente nos paralisa e assombra de tal forma que preferimos fugir de uma vocação, ou de tentar ser bem sucedido escondendo nosso medo por detrás de um comportamento transgressor.Pense nisso e liberte-se dessa imagem opressora para poder ser quem você é, pela graça de Deus.

Alguns sentem profunda decepção. A quem vive isso quero lhe dizer: lembre-se que seus pais herdaram também a limitação dos próprios pais. Lembre-se que você vai falhar também. Lembre-se que os pais que parecem ser perfeitos com os quais você compara seu próprio pai, na intimidade também revelam suas maldades.

Alguns sentem distância. Se você não consegue proximidade com seu pai, tenha cuidado para que você não transfira para todas as figuras de autoridade essa mesma distância. Abra seu coração para que alguém abençoado possa ser um pai substituto, um pai espiritual.

Alguns sentem saudades.  Fique em paz com suas saudades. Nem tente apagar isso do seu coração.  Simplesmente dê graças a Deus porque a saudade é o cheiro de vivências boas que nossa alma guardou dentro de si.

Alguns sentem culpa. Pelo que disseram ou  pelo que não fizeram ao pai que já não está mais aqui. Ora, na cabeça de quem fica parece que faltou mais um abraço, mais um beijo. Perdoe-se, pois Deus perdoa. Olhe para Jesus, pois Ele não vai te acusar.

Que o Senhor nos dê graça.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.