Diga “não” à sofrência

Gênesis 29:31

Todo ser humano tem problemas de autoimagem, inclusive você. Geralmente os fracassos são o gatilho que dispara contra nossa confiança. E quem não fracassa muitas vezes nesta vida?

O craque que conduz a bola como quem flutua no campo e tem o poder de mantê-la colada no pé, pode desmoronar ao perder o pênalti decisivo.Nestes momentos, a certeza de alguém seguro de si mesmo se transforma amor de salvação. A fonte que acreditamos saciará nossa sede de garantias para viver.

No texto do Gênesis, a história de duas irmãs casadas com um mesmo homem descreve o desespero de Lia, aos ver-se preterida no coração do marido Jacó pela irmã Raquel que era estéril.Lia a cada novo filho esperava o afeto do seu marido, o que jamais aconteceu.

Leia como ela vai se iludindo:

“O Senhor viu minha infelicidade, e agora meu marido me amará.”

“O Senhor ouviu que eu não era amada e me deu outro filho.”

“Certamente desta vez meu marido terá afeição por mim, pois lhe dei três filhos!”

O drama de Lia, é vivido por muitos. Uma dinâmica perversa se desenvolve no relacionamento: quanto mais desprezados, mais nos apaixonamos pela confiança do outro manifesta no ato de pisar em nós. Parece louco, mas é muito comum.

Há toda uma cultura da sofrência na música popular que desfruta de forma masoquista o descaso do outro. Há quem busque o envolvimento com homens casados, com mulheres que não tem interesse ou decidem não esquecer o traidor. Colocamos nossa vida inteira na mão de um outro ser humano.

É a escolha de permanecer em relacionamentos que insistem em nos convencer de que tudo que fazemos está errado, ficar atados a patrões exploradores, aceitar como normal o achincalhamento com apelidos depreciativos, ou sermos ameaçados de abandono a todo momento.

Você tenta mudar pelo outro, cuidar-se pelo outro, desequilibrando as ordens sadias de relacionamento. Relacionamento saudável é reciprocidade, não exploração, não parasitismo. É dar e receber.

A boa nova é que um coração entregue a Deus, pode guardar-se dessa armadilha do coração inseguro. É nele que se forjam bons maridos, amigos e companheiros.Podemos confiar na sua provisão para nossa vida afetiva, ele é o Deus dos esquecidos.

Por sua graça, abandone esse gosto estragado por quem lhe despreza, espezinha e ameaça, você não precisa disso. Nele você não é mais escravo.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

Viciados em competição



“Saul feriu aos seus milhares, mas Davi aos seus dez milhares.”
II Samuel 18:7

Quem é o filho preferido?

Quem ganha mais?

Qual é a mulher mais bonita da festa?

Quem vai pegar o melhor lugar?

Quem é o mais espiritual?
O que fala em línguas, o que profetiza, o que tem mais gente na igreja?
Quem é mais ungido? Quem tem mais conhecimento?

A visão competitiva da vida é uma visão de carência. Que não acredita na generosidade do Pai, e crê que tudo na vida é escasso. “Se alguém recebe algo, está roubando de mim” pensam os viciados em competição.

Permaneço em estado de alerta, músculos retesados e pensamentos acelerados olhando constantemente para o lado, imaginando segundas intenções de quem conversa comigo e as possibilidades que não posso deixar passar.

Olhar a vida desse prisma cobra um preço devastador, uma vez que meu coração se acostuma a estar desconfiado das pessoas. No momento em que me sinto debaixo de grandes problemas, não procuro ajuda, afinal não consigo enxergar neste mundo a possibilidade do olhar solidário, afinal vejo o mundo como eu sou.

Sem perceber, como se fosse o próprio ar que respiro, sinto que a vitória de qualquer pessoa ao meu lado, não pode ser minha, não pode ser desfrutada, pelo contrário precisa ser minimizada, sofrida e esquecida dentro do meu coração. Ai, desse coração!

Cristo traz uma ruptura dessa matriz de pensamento. Ele revela que o Pai alimenta as aves do céu e veste lindamente os lírios do campo. Nos matricula na escola do serviço e nela nos ensina que devemos servir as pessoas em vez de passar a vida imaginando como tomar o que é delas. E garante que isso trará grande alegria para nosso coração. Tranquiliza nossa alma atormentada, revelando que esse mesmo Pai responde orações dos necessitados.

A metamorfose que ele veio trazer nos salva do vício da competição e nos ensina o prazer da cooperação. 

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério.

Muitas palestras e nenhuma plateia.

Aprenda a falar em público.

Como falar bem e sem medo.

Oratória em poucas lições.

Há cursos em profusão ensinando a falar, enquanto necessitamos urgente, de ensino sobre ouvir.

A impressão que tenho, é que vivemos um tempo de muitas palestras e nenhuma plateia.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça, disse Cristo aos seus seguidores. A palavra entre os homens é como semente, precisa cair em terra boa, descansar ali, até que gere frutos.

Você não lê mais artigos, você lê manchetes e ato contínuo responde a elas como um especialista sobre uma frase tirada do contexto. Estamos acelerados e fanfarrões, por conseguinte achamos que o conhecimento escorre do Google diretamente para nossas cabeças. Ouvimos pela metade.

Tudo que não gera espasmos ou aumenta o nível de dopamina é descartado de nossa vida. Ninguém suporta um pouco de monotonia. Ouvimos com enfado.

Nenhum conhecimento de verdade chegará ao coração, sem a experiência do sentimento de primeira série, quando nos mostraram as primeiras sílabas e nos sentimos completamente desesperados. E o mundo está cheio de mistérios para o maior conhecedor entre os homens. Ouvimos apressadamente.

Estamos manipulados para atendermos a quem está falando por não mais de 30 segundos, ao final dos quais nossa mente voa procurando um novo lugar para pousar por mais 30 segundos. Ouvimos por pouco tempo.

Os jornalistas que tanto criticamos são a nossa cara. Não têm mais curiosidade, suas perguntas são discursivas e não inquiridoras. São escravos de suas teses, mesmo que a realidade faça pouco caso delas. Ouvimos achando que já sabemos o que estão falando.

Tudo vira uma guerra de egos, até a conversa mais despretensiosa na esquina da rua acaba em demérito do outro. Como nos vídeos do YouTube: Lucas humilha Mateus! Se não humilhar não tem graça. Ouvimos para vencer.

Milhares de abas do navegador abertas diante de você e tudo acaba morrendo antes de nascer. Se a semente não cai na profundidade do solo não há futuro para ela. Ouvimos de tudo e acabamos não ouvindo nada.

Escondido por trás do ouvir há uma série de virtudes fundamentais: há humildade, há inteligência, há sabedoria, há pensamento, há reflexão, há interesse. Talvez justamente porque está escondido, e não se pode ostentar, é que ninguém quer escutar.

E o que restou desse abandono da arte de ouvir é um mundo gritando seus monólogos aos quatro ventos em um desespero de solidão e hostilidade. Só uma volta a velha arte de ouvir bem, pode abrir a porta da possibilidade de convívio fraterno entre os homens.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

Proprietários da virtude

A virtude na terra dos homens é uma jornada, jamais um ponto de chegada. A verdade é que a humanidade é um bando de pilantras de nascença incapazes por si próprios de serem bons, justos e honestos.

Aquele que se vangloria de honestidade, é o maior de todos os cegos ou o pior de todos os canalhas. Jesus me guarde!

A melhor personificação desse mal é o fariseu. Ele tem algo de bom: valoriza a virtude. Porém tem algo que arruína tudo de bom: ele pretende ser a fonte de sua própria virtude.

Há maldade nessa bondade, afinal a fonte é poluída na sua nascente, o coração humano. Ela pode se manifestar como tapa na cara, de quem diz, veja só que limpo que sou e como você é lixo! Se manifesta como promissória que faço cobrar, porque fiz tanto pelos outros, que agora reclamo a servidão eterna, se manifesta como um desfile egocêntrico e narcisista que só deseja ser visto, mas não fazer o bem realmente.

Quem se acha proprietário da virtude não consegue ver a Jesus, seu coração está como a pedra, e Deus é para ele nos recônditos do coração, (embora não nas declarações pomposas) um competidor, afinal eles próprios presume ser a fonte de todo bem.

A maldade que está na bondade do fariseu faz com que ele use as pessoas, faz com que ele despreze os que fracassam. Cristo glorifica o Pai, Cristo tem compaixão dos fracassados, Cristo ora pelos inimigos.

Vale tudo para quem registrou título de posse da virtude, afinal se eu sou a fonte, tudo que eu fizer terá uma nobre justificativa, faço em nome da valores. Vale eliminar meus adversários, mesmo que seja através de fake news, calar quem quer falar, não respeitar opiniões contrárias e sepultar reputações.

Somente Deus pode sustentar o peso de ser a fonte da bondade, o homem que tomar para si o papel de reserva moral do país, da igreja ou de qualquer outra esfera social, fatalmente oprimirá os outros tanto quanto tenha poder em suas mãos.

Infelizmente tamanha presunção não é exclusividade da igreja, embora ela devesse ser um modelo de humildade, mas vaza por toda sociedade. Ao lutarmos contra os dragões da injustiça muitos de nós nos tornamos dragões, como diria Nietszche!

Lute contra o racismo, contra o abuso de mulheres, contra o aborto, clame pela justiça na rua, mas não esqueça de no final do dia olhar-se no espelho e ver se não há maldade na sua bondade.

Cristão, leia sua Bíblia de novo. Quem matou a Jesus foi um grupo religioso arrogante, tomado deste mesmo espírito que descrevo aqui e que Jesus denunciou repetidas vezes.Jamais devemos esquecer que o mal espreita nossas justiças mais orgulhosas e que a nossa bondade facilmente se torna maldade em nome de Deus.Que Ele nos acuda!

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Lealdade suprema

“Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração… E ame seu próximo como a si mesmo.”

Marcos 12:30,31

Discípulo de Jesus, sua lealdade suprema pertence a Jesus Cristo. Nenhum poder deste mundo, pode ocupar esse lugar em seu coração.

Lealdade suprema a Jesus Cristo, é demonstrada no amor ao próximo sem distinção, por meio de valores que Jesus nos apontou no evangelho: justiça, sacrifício, serviço, fé, misericórdia, compaixão, generosidade e verdade.

Essa lealdade nos guardará de transformarmos ideologia em ideolatria. Nenhum partido político pode ser apontado como fiel representante dos valores do Reino, há quando muito afinidades.

Algumas verdades que essa lealdade deveria nos fazer ver:

1. O Estado não pode resolver todos os nossos problemas. Se você pode arrumar a calçada da sua casa, arrume. Não espere o prefeito.

2. Os candidatos são mais limitados do que eles tentam nos fazer crer. Eles precisam da aprovação de seus partidos, de seus principais contribuintes e sua base eleitoral.

3. O maior problema do homem reside em seu coração. Você pode ter excelentes políticas públicas e ainda assim ter uma cultura em desespero.

4. A política partidária não é a única forma de fazer política. Você tem sindicatos, associações de classe, condomínios e todas tem seu papel.

5. O cristão deve ser engajado em tudo que promova o bem comum. Lutar pela justiça é um dos maiores testemunhos. Pobreza, oportunidades de educação, amparo de sofredores. Todas essas realidades precisam de atenção.

6. As causas de sua classe não são sempre justas. Eu sou pastor e não concordo com muitas posturas políticas de meus colegas, nem acho justas.

7. A igreja não necessita do poder político para evangelizar. O Estado tem um papel completamente diferente da igreja.

8. Cuidado com quem usa o nome de Deus na busca de votos. Quem quer cuidar da cidade, tem que ter uma história de cuidado pela cidade.

9. A igreja não precisa ser salva e nem beneficiada pelo Estado. A luta da igreja é por justiça.

10.Não demonize seus adversários políticos. Isso pode ser conveniente para um partido, mas não para um cristão.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

A fé que o diabo gosta.

“Por que vem nos importunar, Jesus de Nazaré? Veio para nos destruir? Sei quem é você: o Santo de Deus!”

Marcos 1:24

Quem poderia imaginar que o diabo seria encontrado nos quintais da religião? Pois nem bem Jesus começou a pregar, e ele é colocado entre as cordas e não aguenta o tranco. “Que tens conosco Jesus de Nazaré?”. Com Cristo, o demônio não tem vez nem voz, pois “não se dá palanque para otário”. Só que antes da chegada de Cristo, lá estava ele bem ajeitado nos redutos da fé, e não fosse a presença de Cristo lá ele continuaria bem ambientado, dando seus pitacos nos rumos da teologia e talvez até contribuindo para que a sinagoga continuasse cada vez mais forte.

Aquele tipo de fé, era fé que o diabo gosta! Pra ser mais preciso, incredulidade, só que impecavelmente trajada de fé. Nada mais útil contra o evangelho do que inimigos dentro da própria fronteira, uma perseguição aberta não seria tão útil, já sabe o velho diabo, quanto uma quinta coluna, um cavalo de Tróia. O trabalho no sapatinho é o mais devastador.

A sinagoga naquele tempo estava infectada mortalmente. Jesus nunca foi bem-vindo naquele lugar. Para cumprimento da ordem, Cristo começa ali, logo se desviando para as periferias onde o novo é acolhido. Tal incredulidade é muito capaz de se manifestar a qualquer grupo cristão religioso. A história não enterra aquilo que é da natureza humana. Isso quer dizer que eu e você podemos ser os vilões e atacarmos o que é do próprio Cristo. De vivermos essa vida cegamente. Não são apenas os grandes pecados que deleitam o inferno, a ferrugem que carcome dia a dia é sua especialidade.

A fé como o diabo gosta é uma fé sem afetos. Embora não explicitada aqui nesse texto, temos o Apocalipse para nos falar de uma vida morna, que Deus vomita da boca. O que Deus vomita da boca o diabo guarda no bolso. Essa fé perdeu o maravilhamento, não sorri e não chora. Não dança de alegria pelo que Deus fez. Recita seus credos indiferente. Não treme diante do mistério tremendo do Deus que se revela, mas que não pode ser definido por palavra alguma. Que não se derrama diante do enigma da cruz, do Deus ali sangrando por mim! Deus nos livre de falarmos de tamanha grandeza com tamanha indiferença!

A fé que o diabo gosta é uma fé seletiva. Escolhe os pecados que quer condenar. É a fé que usa a Cristo como advogado do seu estilo de vida. Não deixa que toquem em suas vacas sagradas. Aceitamos o amor de Deus, mas rejeitamos sua justiça. Aceitamos o perdão de Deus a nós, mas não perdoamos os outros. Vemos o pecado na esquerda, mas não vemos pecado na esquerda. Vemos pecado no Lula, mas não vemos pecado no Bolsonaro. Vemos o pecado na família dos outros, mas rejeitamos nossa própria falibilidade. Condenamos a preguiça, mas aceitamos o trabalho ganancioso. Condenamos o pecado da mulher adúltera, mas esquecemos o homem que estava com ela.

A fé que o diabo gosta vive do orgulho. Tem sentimento de superioridade por causa da denominação que pertence, do templo que frequenta, da família que “ostenta” para os irmãos, da classe social que pertence, pois frequenta uma igreja onde todos são iguais a ela. Orgulho da moral superior, orgulho da teologia que em muitos casos é movida apenas pelo desejo de estar certo, e não de servir melhor.

A fé que o diabo gosta é a fé que não se aventura. A fé do evangelho chama para a vida. Viver em discussões intermináveis sobre questões controversas é muitas vezes tentar fugir dos compromissos inadiáveis do hoje.Não há ação sem ensino, mas também não há ensino sem ação. Uma coisa alimenta a outra. O ensino não é algo para apenas saber (o que traz vaidade), é algo para se fazer.A fé precisa sair do domingo, sair do devocional diário, sair do confinamento privado, e entrar na semana inteira, comparecer no trabalho, ir para reunião de pais, estar na negociação das dívidas no comércio, no protesto contra a injustiça.A fé profunda está em permanente conversão. Ela tem fundamentos, mas tem inúmeros desdobramentos.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério

O hóspede em busca de casa

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Lucas 2:1-7


O Natal nos lembra que somos uma terra em estado de rebeldia. A visita de Cristo é uma subversão. E nela aprendemos muito sobre Deus e sobre nós.


1. Não buscamos a Deus, Ele é quem nos procura.
A liberdade que tanto gostamos de ostentar, usamos para criar o mundo como conhecemos. Somos livres para fazer o mal. Mas Deus bate a nossa porta.


2. Deus se apresenta como que disfarçado.
Não suportaríamos sua glória, não seríamos capaz de resistir. Portanto, Ele nos encontra na rotina da vida. E vem até nós como pobre, indefeso. Se apresenta como faminto e nos fala aos sussurros. Não deveríamos esperar o espetacular, pois estas coisas geralmente acontecem quando não estamos procurando por elas.

Você está atento, tem feito silêncio para perceber? Multidão, ruído e pressa tem cegado nossas vidas.


3. Deus trabalha com o material disponível.
Ele não tem nada contra a riqueza, afinal foi ele mesmo quem disse: “meu é o ouro, minha é a prata”. O problema é que quem possui nunca está quieto e pronto, confiam demais nestas coisas para dar ouvidos a Deus. É nas manjedouras da vida que ele encontra acolhida.
As vezes olhamos irmãos que estão avançando e ao nosso ver, cheios de falhas evidentes. Um pregador que não sabe flexionar os verbos, um evangelista tosco, um músico de três acordes, uma empregada que ousa falar o que o douto tem medo de sequer cogitar. Eles são material disponível, e você, é material disponível?


4. Deus torna especial todo lugar onde ele é recebido.
Se você não vê algo além das aparências em sua vida, é bom questionar a verdade da sua experiência espiritual. Linguagem, roupas e comportamento público são fáceis de emular, são superfície. Onde Deus chega, desejos, sonhos, pensamentos e hábitos privados são revolucionados para virem a tona como boas obras que surgem da fé.
Há vida além das aparências em você?


5. Deus nunca fica sem soluções. A morte de um grande servo de Deus nunca é a morte da causa de Deus, o grande pecado do grande líder nunca é o fracasso de Deus. A morte de um sonho nosso, nunca representa a derrota de Deus, apenas o fim de uma ilusão.
Quando Elias cai desanimado em uma caverna, Ele diz: reservei para mim sete mil de Israel que nunca se prostraram diante de Baal. Veja como Ele conspira com o censo romano para o cumprimento de uma profecia centenária!
Você está preparado para sair do óbvio?


A coisa mais importante nesse Natal é você lembrar quem Deus é. Pois assim o Natal pode acontecer em você.

O profeta Jonas somos nós!

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Essa é uma série de reflexões sobre o singular livro de Jonas. Uma história amada nas escolas dominicais e feita sob medida para lembrar para sempre. O que pouco se faz, é entender o quanto esse livro tem a nos dizer hoje, para além de uma história marcante.

Ele fala conosco e sobre nós. Somos todos chamados para as bordas do mundo, nas fronteiras onde a luz se encontra com as trevas. No terreno assustador onde nosso jargão de crente não é muito bem entendido e não há garantia de boa vontade, com em um “amém” no dia de domingo, e os cultos cheios de gente bem arrumada e recendendo a perfume da Natura.

Jonas somos nós fugindo de nossa missão das maneiras mais óbvias e sutis também. É uma chacoalhada na pasmaceira do crente comum, que regra geral quer prosperar, resolver seus problemas familiares, curar suas doenças e nada mais.

UM POUCO DE CONTEXTO

Os Assírios, cuja capital era Nínive, era um povo assustador. Após capturarem seus inimigos costumavam cortar as duas pernas e um braço para poderem sacudir diante da multidão o corpo moribundo. Eles forçavam os amigos e parentes levarem a cabeça de seus entes queridos em uma estaca em um desfile, arrancavam a língua dos prisioneiros, despedaçavam corpos puxando-os com cordas para expor a pele e os restos mortais dependurados nas muralhas de suas cidades. Queimavam adolescentes vivos. Aqueles que sobreviviam a destruição de suas cidades eram destinados a sofrer formas violentas e cruéis de escravidão.

Assustador não? Qual a possibilidade de sucesso dessa missão? Certamente, a mesma de um punhado de judeus teimosos no primeiro século enviados por todo mundo sem dinheiro, sem internet e sem apoio do estado a pregar o evangelho.

O texto é de certa forma irônico: Jonas dispôs-se, mas para fugir! É preciso entender nossas fugas, e delas nos arrependermos para estarmos onde Deus quer.

JONAS FUGIU. A IGREJA FOGE. VOCÊ FOGE.

Na minha experiência tenho visto, oito tipos de pessoas que fogem da missão.

OS DEGUSTADORES DE SERMÕES: estes gourmetizaram a fé. Querem um grande pregador no púlpito de sua igreja. Procuram no Youtube vídeos de grandes pregadores, se envolvem em discussões intermináveis na internet, mas nunca pregam para ninguém. Eles gostam de sustentar a falácia de que “não importa o que falamos, apenas o que somos” para justificar sua omissão.

OS QUERO QUEROS: eles têm sempre uma oração a pedir, mas não oram por ninguém. Alguns dizem: falta poder nessa igreja! Eles esqueceram que Deus os abençoou para eles serem bênção para outros.

OS SAUDOSISTAS: Para estes Deus ficou preso no tempo, e eles querem voltar para lá. Só que o tempo não para e o reino avança. É preciso olhar adiante. Existem coisas melhores e piores, mas o que acontece de Deus, acontece no coração, não em um lugar. Já foi dito que toda comunidade tem três tipos de pessoas, os movedores, os movíveis, e os inamovíveis. Os saudosistas são inamovíveis.

OS TRIBALISTAS: esses gostam da igreja porque ela representa a turminha legal. Por favor se quiser lugar entra na fila! Eles têm medo de pessoas problemáticas na igreja. Querem uma confraria de iguais, selecionar o tipo de pessoa que vão alcançar. Hoje, na maioria das igrejas evangélicas em que você chegar como forasteiro, pouco se achegarão a você, pois esqueceram porque estão lá.

OS NOVOS MONGES: se eles pudessem ficariam o dia inteiro cantando louvores e adoração. Eu quero mais Senhor! Vivem de congresso em congresso, sempre buscando uma nova experiência. Eles amam o monte da transfiguração, mas o monte é circunstancial, a missão é que é essencial.

OS CONSUMIDORES INSATISFEITOS: estes estão sempre apontando para os serviços que não recebem na igreja. Eles próprios não resolvem problema nenhum, e acabam ocupando as preocupações da liderança da igreja.

OS DESIGREJADOS: para eles a igreja é um plano falido. Alguns fizeram parte de verdadeiros hospícios de esquisitices feitas em nome de Deus. O equívoco é achar que é possível ser cristão fora de uma comunidade. Em um grupo de pecadores, é impossível não se decepcionar. O que nos une é a graça, não a perfeição.

OS FARISEUS: para estes a igreja é uma plataforma a mais para que eles se sintam superiores aos outros. Quando governam igrejas atraem gente cheia de justiça própria e pregam lei sem a graça. Tornam-se os sabotadores da própria missão que dizem fazer.

A missão é a alma da igreja. Igrejas que perdem essa visão acabarão dando lugar aqueles que tem coração aberto para ouvir o que Jonas tem a nos dizer.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

 

Menos picaretas na liderança

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É certo que a Bíblia ensina que no meio do trigo sempre haverá o joio, mas se tivéssemos uma abordagem de liderança mais fiel as Escrituras, talvez tivéssemos menos picaretas ocupando púlpitos e espaços importantes em nossas igrejas.

Das qualificações exigidas nas epístolas pastorais (Tito, I e II Timóteo) para o governo da igreja, 90% delas se relacionam ao caráter: autocontrole, viver sabiamente, ser hospitaleiro, não beber vinho em excesso, não ser violento, ser amável, pacífico e desapegado do dinheiro entre outras. Relacionado a capacidade ou dons somente uma qualidade exigida: apto para ensinar. O que nos faz concluir que liderança cristã é basicamente sobre caráter e só perifericamente sobre carisma ou dons especiais.

Isso tem muito a dizer a todos nós que ocupamos cargos de liderança: deveríamos gastar mais tempo na procura de uma vida que evidenciasse esses traços de caráter, deveríamos procurar e formar esse tipo de liderança entre nós, deveríamos ter contentamento quando de alguma forma não temos dons destacados de administração e oratória que são a minoria, deveríamos viver sem ressentimento com aqueles que os possuem e aprender deles, mas ter fé nas Escrituras e saber que uma igreja local silenciosa e ausente dos holofotes, mas saudável na liderança pode como foi no passado da igreja primitiva, influenciar o mundo e alcançar as pessoas pela graça de Deus.

As vezes desconfio que essas expectativas mercadológicas de que os líderes dentro da igreja devem ser um fenômeno em gerenciamento e eloquência, não tem jogado muitos pastores no pântano da depressão!

Quantos pastores daquela época sabemos pelo nome? Poucos, no entanto, sua influência se fez sentir, sem maiores recursos em todo império romano durante aproximadamente 250 anos que antecederam a ascensão de Constantino.
Vejamos o que diz o sociólogo não cristão Rodney Stark no seu livro “O Crescimento do Cristianismo”:

“O cristianismo serviu de movimento de revitalização que surgiu em resposta à miséria, ao caos, ao medo e à brutalidade do mundo urbano greco-romano […] o cristianismo revitalizou a vida em […] cidades, proporcionando novas normas e novos tipos de relações sociais capazes de lidar com muitos problemas urbanos urgentes. A cidades repletas de moradores de rua e de pobres, o cristianismo ofereceu caridade, bem como esperança. A cidades repletas de recém-chegados e desconhecidos, o cristianismo ofereceu uma base imediata para vínculos pessoais […] A cidades dilaceradas por conflitos étnicos violentos, o cristianismo ofereceu uma nova base para a solidariedade social. E a cidades que enfrentavam epidemias, incêndios e terremotos, o cristianismo ofereceu serviços […] efetivos.”

Eu recomendaria, como pretendo fazer da minha parte, que você ensinasse cada uma dessas qualificações explicitadas nas cartas de Paulo para liderança, uma a uma, para que possamos ser um número a menos entre tantos escândalos e abusos dentro daquilo que se chama igreja evangélica.

Infelizmente, nosso jeito de operar, tem sido atrativo para pessoas com uma boa lábia, mas sem o mínimo lastro de caráter, chegar, impressionar e pregar.

Repito, igrejas sem glamour, desconhecidas, mas fiéis e sadias podem fazer uma diferença exponencial no mundo.

Que o Senhor nos ajude.

Um abraço quebra costelas

Maldição hereditária?

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“Desse modo, adoraram e serviram coisas que Deus criou, em lugar do Criador, que é digno de louvor eterno!”

Romanos 1:25

Dona Maria, padeceu muito na sua infância, convivendo com um pai alcoólatra que a espancava ao sabor de suas alterações de humor. Não suportando mais, ela tomou a difícil decisão de fugir de casa. O relacionamento com o primeiro namorado, cinco anos mais velho e voluntarioso, abriu a porta de saída do inferno. Ela foi pra nunca mais voltar. Pelo menos era o que parecia. Casou, e dois anos após o casamento seu marido começou a beber, e como o pai, descarregava nela suas frustrações, infalivelmente.

Ela pensava, consigo mesma.

– Parece perseguição. Será que eu nasci para sofrer?

Quando se senta no sofá e troca canais, com a cabeça em modo automático, ela desperta de sua catatonia quando ouve um homem bem vestido com o sotaque do Cabo Daciolo dizer:

– Seu problema é um encoxxto meu amigo!

Ela conclui da pregação: sou vítima de maldição hereditária!

Histórias como estas não são raras. O fenômeno existe, por isso os cultos de libertação também se multiplicam Brasil afora, mas será que o diagnóstico é correto? Será que existe maldição hereditária? Minha vida está a mercê de forças fora de mim, que me elegeram como “persona non grata” neste universo misterioso?

A resposta Paulo nos dá na carta aos cristãos romanos, apontando como a questão mais basilar da vida espiritual, o péssimo negócio de trocar a Deus por deus.

A carta deixa claro: colocar o humano no lugar do divino é o diabo. Esperar salvação para o inferno existencial nos seres humanos é receita de desespero. Nada além de Deus poderá satisfazer nossa indigência espiritual.

Adoração gera estilo de vida. E não falo de encontro de música de louvor, nem declarações tonitruantes de fé, é quem nosso coração se apega como fonte de vida.

Essa pobre gente com medo de maldição, é perseguida pelos próprios deuses que adoram.

Não, essa temática não pertence aos aborígenes ou habitantes do interior da África semiárida, das tribos germanas, ou dos hunos espreitando os limites do Império Romano. É temática da essência humana.

Quem possui o coração, controla os atos.

Outro dia, enquanto andava de carro, liguei o rádio e logo em seguida começou a tocar a música de John Lennon “Woman”. Nunca tinha prestado atenção na letra, e o que ouvi me deixou impressionado. Era mais do que romantismo destilado na letra, era pura adoração. Há deslumbramento, louvor e dependência total. “Minha vida está em suas mãos”, verso da canção, caberia tranquilamente em uma canção congregacional de igreja.

John Lennon fugiu da religião, mas como todos os filhos dos homens, não foi capaz de evitar a adoração.

Não foi à toa, que sua mulher Yoko Ono conseguiu desfazer uma das parcerias mais geniais da música popular, os Beatles.

Roma o alvo da carta onde baseamos essa reflexão, é a mais perfeita encarnação dessa verdade. Segundo a mitologia, Rômulo e Remo fundadores da nação eram filhos de Marte, o deus da guerra. Estava embrenhada na alma romana a noção da conquista, ambição e violência como valores máximos. Não surpreende as lutas encarniçadas entre famílias, senado e imperadores.

Seus deuses, sua vida.

O raciocínio é obscurecido. Os impulsos são descontrolados e a vida que resulta é pura desordem.

Se você não gosta nada da vida que leva, é hora de olhar para as mais profundas afeições do seu coração. Elas são a força misteriosa que molda sua vida.

Cristo veio nos salvar dessa busca desorientada, veio nos revelar quem Deus é de forma irretocável. Ele é a fonte para onde as pulsões de adoração apontavam sem, contudo, alcançar. Ele pode suportar o peso de nossa pobreza e desespero. Ele estanca o ciclo de espremermos a laranja até o bagaço, angustiados diante de suas últimas gotas. Agora a alma pode descansar, e dar descanso aos outros.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério