Maldição hereditária?

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“Desse modo, adoraram e serviram coisas que Deus criou, em lugar do Criador, que é digno de louvor eterno!”

Romanos 1:25

Dona Maria, padeceu muito na sua infância, convivendo com um pai alcoólatra que a espancava ao sabor de suas alterações de humor. Não suportando mais, ela tomou a difícil decisão de fugir de casa. O relacionamento com o primeiro namorado, cinco anos mais velho e voluntarioso, abriu a porta de saída do inferno. Ela foi pra nunca mais voltar. Pelo menos era o que parecia. Casou, e dois anos após o casamento seu marido começou a beber, e como o pai, descarregava nela suas frustrações, infalivelmente.

Ela pensava, consigo mesma.

– Parece perseguição. Será que eu nasci para sofrer?

Quando se senta no sofá e troca canais, com a cabeça em modo automático, ela desperta de sua catatonia quando ouve um homem bem vestido com o sotaque do Cabo Daciolo dizer:

– Seu problema é um encoxxto meu amigo!

Ela conclui da pregação: sou vítima de maldição hereditária!

Histórias como estas não são raras. O fenômeno existe, por isso os cultos de libertação também se multiplicam Brasil afora, mas será que o diagnóstico é correto? Será que existe maldição hereditária? Minha vida está a mercê de forças fora de mim, que me elegeram como “persona non grata” neste universo misterioso?

A resposta Paulo nos dá na carta aos cristãos romanos, apontando como a questão mais basilar da vida espiritual, o péssimo negócio de trocar a Deus por deus.

A carta deixa claro: colocar o humano no lugar do divino é o diabo. Esperar salvação para o inferno existencial nos seres humanos é receita de desespero. Nada além de Deus poderá satisfazer nossa indigência espiritual.

Adoração gera estilo de vida. E não falo de encontro de música de louvor, nem declarações tonitruantes de fé, é quem nosso coração se apega como fonte de vida.

Essa pobre gente com medo de maldição, é perseguida pelos próprios deuses que adoram.

Não, essa temática não pertence aos aborígenes ou habitantes do interior da África semiárida, das tribos germanas, ou dos hunos espreitando os limites do Império Romano. É temática da essência humana.

Quem possui o coração, controla os atos.

Outro dia, enquanto andava de carro, liguei o rádio e logo em seguida começou a tocar a música de John Lennon “Woman”. Nunca tinha prestado atenção na letra, e o que ouvi me deixou impressionado. Era mais do que romantismo destilado na letra, era pura adoração. Há deslumbramento, louvor e dependência total. “Minha vida está em suas mãos”, verso da canção, caberia tranquilamente em uma canção congregacional de igreja.

John Lennon fugiu da religião, mas como todos os filhos dos homens, não foi capaz de evitar a adoração.

Não foi à toa, que ela conseguiu desfazer uma das parcerias mais geniais da música popular.

Roma o alvo da carta onde baseamos essa reflexão, é a mais perfeita encarnação dessa verdade. Segundo a mitologia, Rômulo e Remo fundadores da nação eram filhos de Marte, o deus da guerra. Estava embrenhada na alma romana a noção da conquista, ambição e violência como valores máximos. Não surpreende as lutas encarniçadas entre famílias, senado e imperadores.

Seus deuses, sua vida.

O raciocínio é obscurecido. Os impulsos são descontrolados e a vida que resulta é pura desordem.

Se você não gosta nada da vida que leva, é hora de olhar para as mais profundas afeições do seu coração. Elas são a força misteriosa que molda sua vida.

Cristo veio nos salvar dessa busca desorientada, veio nos revelar quem Deus é de forma irretocável. Ele é a fonte para onde as pulsões de adoração apontavam sem, contudo, alcançar. Ele pode suportar o peso de nossa pobreza e desespero. Ele estanca o ciclo de espremermos a laranja até o bagaço, angustiados diante de suas últimas gotas. Agora a alma pode descansar, e dar descanso aos outros.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

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11 mandamentos do cristão cidadão

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Romanos 13:1-7; Atos 5:27-29; Jeremias 29:1-14

1. Procurarás por todos os meios legítimos colaborar com o trabalho do Estado em beneficiar os cidadãos.

Parcerias que não impliquem em troca de favores, são sempre bem-vindas.

Não podemos nos alienar. O evangelho tem uma história linda de envolvimento com os desafios da cidadania. Quem quiser que leia sobre a ação da igreja primitiva no Império romano, John Wesley, William Wilberforce, Dietrich Bonhoeffer e Martin Luther King.

2. Não te submeterás a um partido como fiel representante da causa do evangelho.

No máximo haverão pontos de encontro no conteúdo programático dos partidos, mas não podemos abraçar como igreja a um programa político partidário de forma acrítica.

É preciso ter a sobriedade para reconhecer as asneiras do candidato que cada um escolhe.

3. Procurarás entendimento sobre as questões que quiseres opinar.

Falar sem conhecimento é pedir pra passar vergonha. E vamos confessar, sabemos quase nada de economia, educação e segurança. Vamos aproveitar as polêmicas para sermos humildes e estudarmos mais.

4. Não acreditarás em notícias que chegam sobre candidatos mesmo que sejam contra o seu adversário.

O jogo político é sujo. A mentira é a regra, quando o objetivo principal é chegar ao poder. Não seja ingênuo e dê o benefício da dúvida aos seus adversários políticos. Não aceite a malandragem, só porque lhe convém.

5. Não buscarás o apoio do Estado para a causa do evangelho, a não ser a da liberdade religiosa.

Liberdade religiosa não é só para cristãos, é para espíritas, mórmons e Testemunhas de Jeová e tantas quantas forem as religiões. Do contrário é ditadura religiosa.

Quem procura benefícios, acaba oferecendo benefícios, e assim prostitui a pregação do evangelho que não convém ao movimento partidário ao qual se adere.

Porque os políticos mentem? Porque seu maior objetivo é o avanço do seu partido.

Não podemos pretender que o Estado seja igreja.

O negócio do Estado é promover o bem comum. O negócio da igreja é a pregação do evangelho e amor em todas as suas manifestações práticas.

Ao longo da história tivemos 4 modelos de relação entre Estado e Igreja:

Estado perseguidor e igreja perseguida = Crescimento da igreja

Estado controlando a igreja = Igreja prostituída

Igreja controlando o Estado = Igreja tirana

Estado e igreja separados = o desafio é ser profeta, embora esta não seja a realidade na maioria das vezes.

Infelizmente, fugimos do primeiro e do quarto, justamente os momentos que mais beneficiaram a igreja. Talvez isso explique a situação do evangelicalismo brasileiro.

6. Não esperarás que os governantes civis tenham comportamento de líderes espirituais da igreja.

Inclusive, é preciso ressaltar que a força coercitiva para a execução dos seus objetivos é vetada a igreja, mas Paulo reconhece no Estado o poder da força para conter os malfeitores. Veja Romanos 13:4

7. Não fugirás aos debates de ideias, pois essa é uma forma da sociedade ser beneficiada por sua cidadania.

Jesus nunca fugiu da polêmica, até onde ela foi relacionada a ideias.

8. Não terás outros deuses, diante de mim, nem sequer um candidato que fale em nome de Deus.

Até os ateus, em nome do partido vão a cultos durante as eleições.

Devemos manter uma postura crítica com qualquer candidato que usa o nome de Deus.

9. Não atacarás a honra daqueles que discordam de ti, apenas os problemas do discurso.

Fugirás do bate-boca entre dois surdos. Lembre-se, nosso chamado supremo é alcançar a todos os homens com o evangelho. Se usarmos de violência de qualquer tipo com eles, como poderemos ser testemunhas de Cristo.

10. Resistirás ao Estado, toda vez que ele representar qualquer tipo de tirania ou anarquia.

11. Jamais esquecerás de tua cidadania dupla, a da terra que é temporária, e a da nova Jerusalém que é eterna.

Essa doutrina nos salvará da utopia ideologizada que emburrece e acirra as paixões desvairadas e nos guardará das alienações eclesiásticas.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Se eu fosse você

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A fórmula é surrada, mas quase sempre funciona desde as sessões da tarde nos anos 80. Dois personagens trocam de lugar, assumem cada um o corpo do outro e acabam descobrindo as alegrias e as dores do outro de uma maneira inesquecível.

Meu favorito é o filme brasileiro protagonizado por Glória Pires e Tony Ramos. O filme me fez refletir um pouco sobre como seria ter que fazer depilação, menstruar uma vez por mês, e meu Deus, … andar de salto alto. Não é fácil ser mulher, foi o que pensei. Talvez por isso elas sejam tão estressadas!

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Mas pra que você mulher não se sinta tão senhora da situação, o contraponto: Norah Vincent. Ela é uma feminista de carteirinha, e jornalista que decidiu fazer um experimento radical. Se disfarçou de homem, durante 18 meses e mergulhou no mundo masculino. O resultado da experiência ela conta em seu livro: Feito homem. Que você encontra em qualquer sebo na internet.

Aqui um parágrafo surpreendente de suas conclusões sendo homem:

“as mulheres eram difíceis de agradar. Elas queriam que eu estivesse no controle, tanto no espírito como no corpo, mas, ao mesmo tempo, também terno e vulnerável, subserviente a seus caprichos e dócil como um coelhinho.”

Colocar-se no lugar do outro é uma desintoxicação para o EGO, e pode revolucionar nossa vida.

Jesus nos ensinou isso através da famosa regra de ouro:

“Em todas as coisas façam aos outros o que vocês desejam que eles lhes façam. Essa é a essência de tudo que ensinam a lei e os profetas.”

Mateus 7:12

O MANDAMENTO DE JESUS NOS FORÇA A PENSAR DIFERENTE

O conceito é simples, mas ignorado. Por que? Porque nós pensamos sempre a partir do nosso interesse. Não conseguimos fazer o exercício mais simples: colocar-nos no lugar do outro.

Se eu chegar na igreja e disser: roubaram um carro aqui na frente! O primeiro pensamento que teremos será, tomara que não seja o meu.

Um filme, o humor, um filho e alguém parecido conosco pode nos ajudar a nos ver e melhorar com os outros.

Sempre participei ativamente, dos treinos de futebol do meu filho. Enquanto ele jogava, eu do lado de fora, sem qualquer noção, gritava conselhos e dizia o que ele devia fazer, o tempo todo. Sim, é o que você pensou, um mala completo.

Um dia, um pai do outro lado da quadra, espelhava minhas atitudes. Parei, e comecei a me irritar com ele, e pensar comigo, que ele não ia ajudar o filho daquela maneira, quando a voz da consciência cantou a canção do Roberto Carlos de forma absolutamente audível dentro de mim: esse cara sou eu!

Tomei um sacode que me fez mudar.

O MANDAMENTO DE CRISTO É RICO PORQUE NOS FAZ VIAJAR PARA DENTRO DO NOSSO CORAÇÃO E DO CORAÇÃO DOS OUTROS.

Lá eu descubro que…

Os outros veem coisas que eu não vejo.

Os outros também tem feridas.

Os outros também enxergam meus defeitos.

Os outros também tem dias ruins.

Os outros também tem uma história triste para contar.

Os outros também se decepcionaram comigo.

O MANDAMENTO DE JESUS É AMPLO E IRRESTRITO.

Veja a amplitude do mandamento de Cristo, e como tudo que ele ensinou, faz sentido para a vida toda.

Pense.

Trate seus empregados como você sempre quis que seu chefe o tratasse.

Fale do gosto musical dos outros como você quer que falem do seu.

Respeite o trabalho dos outros como você quer que respeitem o seu trabalho.

Pague ao seu empregado, da mesma maneira como você gostaria de ser pago.

Discorde dos outros como você gostaria que discordassem de você.

Resolva seus problemas como você sempre disse que os outros deveriam resolver.

Trate seus filhos como você gostaria que seus pais tivessem lhe tratado.

Faça negócios como você gostaria que os outros fizessem negócios com você.

Trate sua esposa da mesma forma que você reclama que ela o trate.

Trate as pessoas a quem você flagra cometendo erros, da mesma forma como você gostaria que os outros o tratassem quando você for flagrado nos seus próprios erros.

Devolva as coisas que você pega emprestado com a mesma rapidez que gostaria que lhe devolvessem.

Faça a seu vizinho aquilo que você acha que um bom vizinho deveria lhe fazer.

Use o banheiro da igreja, da mesma forma como gostaria que usassem o seu.

Trate o torcedor adversário, da mesma forma como gostaria que ele tratasse você.

Jamais poderemos cumprir esse mandamento, se o Senhor não transformar nosso coração.

Cristo foi o mais empático de todos. Nele e por ele podemos mudar nossa maneira de pensar. Ele não só pensou como seria estar em nosso lugar, Ele esteve em nosso lugar.

“Nosso Sumo Sacerdote entende nossas fraquezas, pois enfrentou as mesmas tentações que nós, mas nunca pecou.”

Hebreus 4:15

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério.

Qual o tamanho da sua teimosia?

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“Não sou teimoso, simplesmente meu caminho é o melhor.”

Raça humana

Na minha experiência como conselheiro, posso afirmar com convicção que não há problema espiritual mais recorrente do que a obstinação.

A teimosia é a idolatria da própria vontade. É traço característico da personalidade despótica. Já chegamos com ela neste mundo, mas pode ser turbinada por pais sem sabedoria, que não nos negam caprichos e vontades. A vontade mimada se transforma em uma fortaleza indevassável, inexpugnável, intransponível. Tal qual o Faraó do Egito.

Diferentemente da persistência, a teimosia é a insistência em atitudes, escolhas tolas a despeito de ampla evidência contrária.

Faraó, foi advertido nada mais do que 10 vezes.

  • Ouviu uma mensagem clara e inequívoca
  • Ouviu a mesma mensagem 10 vezes
  • Sofreu muitas vezes
  • Prometeu tanto quanto sofreu
  • Cede um pouco, mas não cede totalmente. Êxodo 10:10

E VOCÊ, QUAL É O TAMANHO DA SUA TEIMOSIA?

Existem muitos tipos de obstinados: os simpáticos, eles sorriem, ouvem, mas não consideram; os quietos, ouvem sem retorquir, mas não estão nem aí e por fim os rabugentos, discutem cada palavra até o fim.

O final é o mesmo: o tamanho da sua teimosia, é o tamanho do seu sofrimento. E lamentavelmente o sofrimento dos outros.

Os obstinados desconsideram quem está acima deles, qual é a verdade, quem vai se magoar, e até mesmo se eles próprios vão se destruir. Vale tudo por sua vontade.

Eles dão muitas desculpas, apesar dos erros evidentes. São vingativos, pois não toleram obstáculos, não aprendem com o sofrimento, pelo contrário ficam mais calejados, não respeitam acordos, pois eles também podem se interpor em seus planos.

Você deve conhecer chefias de empresa que não prosperam porque seus líderes não aceitam uma ideia que não seja a sua. Conheci gente obcecada por um relacionamento, que triunfou no cansaço, mas até hoje tolera o desprezo do cônjuge. Pessoas se endividam porque querem realizar o tal “sonho de consumo”.

O contraditório é que quando diz respeito a meditar na Palavra, orar, e obedecer, as mesmas pessoas dizem que não conseguem, sem qualquer tentativa, mas para seus caprichos são capazes de percorrer o mundo. Esse tal de livre arbítrio, na verdade é um escravo.

Mas saiba: toda vez que você opta por resolver as coisas do seu jeito, você escolheu uma colheita carnal!

Jesus disse no jardim do Getsêmane: não seja feita a minha, mas a tua vontade. Aquele que teria todo poder e legitimidade para escolher seu caminho, abriu mão dela, para que fôssemos salvos de nossa obstinação.

Ele foi capaz de abrir mão da sua vontade pela do Pai, para nos capacitar abrir mão de nossa vontade também, para nosso próprio benefício. Nós não podemos, mas Cristo em nós pode.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Margarina com gosto de manteiga

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“Naquela época não havia rei em Israel; cada um fazia o que lhe parecia certo.”

Juízes 21:25

Se me der prazer, eu quero, eu faço, eu vou.

Geralmente, gostar e não gostar hoje é o fim de um debate sobre escolhas.

Fica então fora de nossa vida tudo aquilo que represente esforço, disciplina, justiça, pois estes valores incluem um bocado de frustração em seu pacote.

Houve um tempo relatado nas Escrituras, que ela chama, tempo dos juízes, cujo principal farol das decisões também era o prazer.

Israel entra na terra prometida, mas não conquista toda a terra. Eles se agradaram com menos do que Deus havia prometido. Existem terras na sua vida que ainda não foram conquistadas e que vão lhe custar desassossego: finanças, temperamento, trabalho, sexualidade, relacionamento com vizinhos, futebol, conversa frívola e muitas outras coisas.

Eles seguiram a Baal e suas imagens. Seus olhos se deleitaram, mas eles perderam os valores mais importantes da vida que são invisíveis: fé, amizade, amor, honra e honestidade.

Eles se tornaram escravos dos povos vizinhos. Só quem se dispõe ao sacrifício pode ser livre da tirania. Sua família precisa do seu sacrifício, a saúde de sua igreja precisa do seu sacrifício, seus amigos precisam do seu sacrifício.

Eles foram desleais com quem lhes serviu. Dar as costas para a boa fé é o segredo do fracasso em uma nação. Você conhece um país chamado Brasil?

Eles serviram a Deus do seu próprio jeito. Jefté entregou sua filha em sacrifício.

Homens de Deus se envolveram com prostitutas.

Houve guerra entre irmãos. O hedonista deseja destruir aquilo que o faz sofrer. A justiça é lenta demais para seus nervos.

Eles praticaram violência sexual. Quando o prazer é o árbitro das nossas decisões abre-se uma caixa de maldades quando o assunto é ética sexual: zoofilia, abandono do lar, estupro e pedofilia.

Qualquer semelhança com nossa realidade não é mera coincidência! Ideias tem consequências.

O princípio do prazer é a razão para tomarmos as decisões mais estúpidas da nossa vida. Por duas razões simples e óbvias:

Nossos sentidos nos enganam, e acabamos desejando o que nos destrói. É margarina com gosto de manteiga. Você sente o gosto da manteiga, sente o cheiro da manteiga, mas está comendo o lixo que é a margarina. É acido fumárico com gosto de fruta.

Além disso, ter o prazer como nosso maior valor, nos enfraquece para a vida. Contrariamente ao que se poderia pensar, o hedonista perderá suas maiores alegrias.

Não desenvolve seus dons.

Não tem estrutura para vencer desafios.

Não enxerga além do imediato.

Vivem com medo de perder o que tem.

Sem o governo de Deus, estamos perdidos! Até criamos uma versão religiosa do hedonismo: ‘não senti de Deus que eu devia fazer isso’, ‘não estou sentindo mais a presença de Deus neste lugar’ e lá vamos nós em busca de sensações.

Cristo, foi aquele que em troca da alegria proposta, suportou a cruz. Ele pode nos ensinar a ter prazer naquilo que é bom para nós e para os outros.

O prazer em Deus.

O prazer na Palavra de Deus.

O prazer de ser pai e mãe.

O prazer da amizade.

O prazer de adorar.

O prazer de fazer o que é correto e justo.

O prazer de servir.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério

Quanto de narcisismo há em mim?

 

1. Você vive se auto elogiando?

2. Você tem dificuldade de trabalhar em grupo? Claro, você não entende como que as pessoas não concordam com suas incríveis ideias.

3. Não sei discordar sem ofender. Minhas refutações sempre contém palavras do tipo “idiota”, “doente”, “burro”, “débil mental”.

4. Você só fala de si mesmo? Até mesmo no sofrimento dos outros.

5. Você aceita rir de si mesmo?

6. Você só aparece em público produzido?

7. Você reclama de Deus sempre que suas vontades são contrariadas?

8. Você sabe ouvir?

9. Você é competitivo nível hard? Daquele tipo que não aceita perder nem par ou ímpar?

10. Você tira muitas selfies por dia?

11. Você fica de mau humor quando as pessoas não curtem o que você publica?

Qualquer uma das perguntas tem a ver com preocupação com a própria imagem. Pense nisso!

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

A paixão por espelhos

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“Vejam a grande cidade da Babilônia! Com meu próprio poder, construí esta cidade para ser o centro do meu reino e para mostrar o esplendor de minha majestade.”

Nabucodonosor, rei da Babilônia

Daniel 4:28

O narcisismo transborda de todos os lados.

Programas de televisão para mudar o “visual” como se a feiura fosse a nova lepra, indústria de cosméticos faturando sempre alto, cirurgia plástica pra deixar todo mundo com cara de felino e Facebook para o povão viver essa obsessão cultural.

Há até quem tatue seu próprio nome na pele.

Aqueles que caminham nos corredores das universidades não amam o conhecimento, mas o parecer sábio. Os que ocupam cargos de eminência não se preocupam com a oportunidade de fazer a vida do outro melhor, mas de ostentar posição: sabe com quem está falando? E a igreja baluarte da humildade do Cristo descreve suas próprias virtudes pretendendo superioridade moral.

Narcisismo dos pés a cabeça. Vaidade, tudo vaidade.

A pergunta que fica não é se sou narcisista, mas quão narcisista sou nesse delírio coletivo.

Podemos ser tentados a menosprezar esse potencial devastador pelo ridículo e pela sedução que se apresenta ao nosso EGO, mas a questão é grave!

No narcisismo não há lugar para o outro. O casamento não dá certo porque duas pessoas que se unem, não querem um companheiro, querem um fã. Só me interesso por aquele que me exalta, glorifica ou centraliza.

A convivência pura e simples se torna um inferno, porque o cultivo da minha imagem, me empurra constantemente a não tolerar os gostos dos outros, o trabalho dos outros. Tudo que não seja favorável, ou tire atenção de minha imagem não me serve.

Como posso ter compaixão, se estou chorando porque não pude comprar o novo Iphone?

No narcisismo não há lugar para Deus, só para deus. Deus como ele é, é um intruso. Então é criado o deus “gênio da lâmpada”, que nada mais é do que uma projeção de meus desejos ególatras. Só um deus que me glorifica, que exalta meu nome e que eu uso como plataforma dos meus sonhos pessoais. Ou então nada de Deus. Sejamos ateus e sigamos nosso caminho sem sermos perturbados!

O fim dessa viagem é o vazio e a solidão. Fomos criados para relacionamentos, e para dar glória a Deus. Não tem como funcionar.

Embora nossa cultura tenha potencializado o poder da aparência, essa preocupação não é nova entre os homens. Adão e Eva cobriram-se quando pecaram. Eles sabiam que havia algo errado e distorcido neles. O que fazemos hoje, é fruto da mesma realidade. Estamos obcecados com a aparência de beleza para esconder nossa insuficiência, e incapacidade. Nos agarramos em expedientes humanos para resolver a necessidade de aceitação e segurança.

Não venceremos por nossas próprias forças o tsunami da cultura. Precisamos de Cristo. Ele que em si reunia toda a excelência da beleza, abriu mão disso tudo para tornar-se aquele no qual “não havia nada de belo nem majestoso em sua aparência” e conquistar um lugar para nós no qual não precisamos esconder nossa natureza fraturada, pois somos aceitos e incluídos.

A beleza nunca foi o problema. O problema sempre foi o coração adoecido por detrás da beleza.

Creia no amor que desconsidera nossa feiura e nos convida a aprender com Ele o que significa amar de verdade.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

As viagens do EGO

 

“Disse ele a multidão: Se alguém quer ser meu seguidor, negue a si mesmo, tome diariamente sua cruz e siga-me.”

Lucas 9:23

“Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo.”

II Coríntios 4:10-11

Dentro de nós, e ao nosso redor há uma voz que nos diz: siga seu ego. Eis as versões modernas disso:

O que importa é ser feliz!

Confie no que o seu coração diz!

Tocante não? Quase consigo ouvir um pianíssimo enquanto leio essas frases!

O EGO nos convida a seguir seus passos, o problema é que ele está perdido.

Ou você segue seu EGO, ou você segue a Jesus. Sei que sempre há a tentativa do casamento do céu com o inferno, mas eles jamais se encontram.

Cristo fere de morte as viagens do EGO, mas não podemos esquecer que o EGO nos fere também. Sempre.

Quero deixar a você três razões para não seguir o seu EGO:

  1. O ego distorce a realidade.

O filme espanhol, Toc, Toc,, que você pode ver no Netflix explora as manias e fobias de um grupo de pacientes de um reconhecido psiquiatra. A conclusão entre gente com mania de limpeza, de contar, síndrome de Tourette e assemelhados é que o caminho da cura é a fuga do egocentrismo.

Um mundo egocêntrico tem gerado todo tipo de loucuras na mente. O ensimesmamento seja por solidão ou opção é o gérmen da doença mental. Chesterton já dizia, “o louco é aquele que não acredita em ninguém, a não ser em si mesmo.”

Acredite cegamente no seu ego, sirva-o, aprisione-se dentro de si mesmo e o que ele lhe dará em troca será uma bolha de pensamentos obsessivos, medos irracionais, e taras incontroláveis:

“Essa cólica deve ser câncer de intestino!”

“Se tudo não estiver organizado do meu jeito, a vida não faz sentido!”

“Se eu controlar tudo e todos serei feliz.”

Ao sabor do EGO também vai nossa autoestima, que balança desvairadamente entre a miséria e a glória em menos de um minuto:

“Sou a pior pessoa do mundo.”

“Por favor me adorem.”

Se você quiser a versão religiosa, é bem fácil achar em qualquer igreja perto da sua casa: Deus vai realizar todos os seus sonhos.

Delírios do EGO para todos os gostos.

  1. O EGO é imprevisível.

Nem você tem ideia, do que tem dentro de você. Eu também não! E Cristo diz, que não deveríamos confiar naquilo que habita nosso coração. Os psicólogos dizem que temos um “Eu” cego, o que não é preciso ser muito inteligente para perceber. O problema é levar a sério cada desejo do nosso coração como se fosse um mandamento. Lembre: desejo não é mandamento!

Há pessoas que se derrubam, por não darem um julgamento decente ao que vem de dentro do coração. O discípulo deveria levar todo pensamento ao escrutínio das Escrituras em lugar de tentar realizar cada pulsão interna. Em escala menor, somos pequenos ditadores como Napoleão e Hitler tentando chegar a Moscou atravessando o inverno russo. Vamos morrer no processo.

O pai que persegue o filho que é parecido com ele, o chefe que castiga seus melhores ajudantes são o exemplo de gente que deixaram suas vontades passarem sem julgamento pelo filtro da decisão.

Todo dia contemplamos relações absolutamente adoecidas que refletem perfeitamente a canção do U2: Não posso viver com você e nem sem você! Tudo por dar ao EGO um valor de referência para tudo.

Você ainda acha que ele é confiável?

  1. O EGO é insaciável

Ele sempre quer mais elogios. Não bastam aqueles já recebidos no aniversário, ou na foto caprichada da rede social.

Ele sempre quer mais dinheiro. Mesmo que a meta tenha sido batida. É preciso estar infeliz sempre.

Ele sempre quer mais atenção. Não basta que minhas necessidades sejam satisfeitas, é preciso toda atenção.

Ele sempre quer mais prazer. O homem que gostava de doces não se conforma com a sobremesa, quer um brownie a toda hora.

Ele não se satisfaz com pouco, nem com muito.

Definitivamente não há remédio para ele no mercado. Podem haver cosméticos, paliativos e autoconhecimento. Mas o que o EGO precisa é ser levado para cruz, e seguir a Cristo. Ele é o único que pode nos mostrar a vida como ela é, que conhece a fronteira entre o que nos mata e o que nos sustenta, o único pão que sacia nossa alma.

Você vem?

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

A igreja narcisista

“Não havia nada de belo nem majestoso em sua aparência, nada que nos atraísse.”

Isaías 53:2

“Vejam a grande cidade da Babilônia! Com meu próprio poder, construí esta cidade para ser o centro de meu reino e para mostrar o esplendor de minha majestade.”

Nabucodonosor, rei da Babilônia

Quando a igreja absorve a cultura e como ela, conforma-se ao narcisismo reinante…

1. O foco da pregação é agradar os ouvidos das pessoas. O pregador se pergunta: o que as pessoas querem ouvir, em lugar de o que o evangelho tem a dizer a elas.
2. O crescimento da igreja se dá por meio de aliciamento público e pessoal que promete protagonismo ministerial. Venha para cá que seu ministério vai se destacar.
3. Os líderes tentam manter as pessoas contentes o tempo inteiro.
4. A igreja ostenta seus números, e virtudes em lugar da beleza de Cristo e sua obra.
5. A convocatória é “Deus vai realizar seus sonhos”, em lugar de “Vamos edificar o Reino de Deus”.
6. A autoestima é mais importante que a obediência.
7. O grande foco missionário é a visibilidade dos grandes centros urbanos e não onde o evangelho é mais necessário.
8. Igrejas pequenas se sentem inferiores.
9. A fama é mais importante que a fidelidade.
10. O conhecimento de estratégias de marketing é mais profundo do que o conhecimento das Escrituras.
11. Os números elásticos silenciam qualquer questionamento sobre a natureza de um ministério.
12. A congregação é homogênea: só idosos, só jovens, só profissionais, só empresários.

Deixem os pastores chorarem

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3 pastores evangélicos de diferentes tradições se suicidaram no último ano. Não tenho dificuldade de imaginar o drama deles, e meu coração chora o que todas essas mortes significam. Tenho 24 anos de ministério em tempo integral, 22 deles em uma mesma igreja. Olhamos todos os dias para o abismo da alma humana: hipocrisia, adultério, inveja, mesquinharia, ódios disfarçados de teologia. Ali vemos os outros e a nós mesmos em nossa trilha redentiva em direção ao dia em que Ele enxugará dos nossos olhos toda lágrima.

Aprendi cedo com alguns mestres a ser humano.  Admita sua dor, descanse, peça ajuda foi o que eles me ensinaram. Por isso sobrevivi a funerais em série da minha comunidade, as expectativas adoecidas dos outros, meus sonhos despedaçados, minha limitação ministerial, tentativas de manipulação e o pecado que insistentemente me assedia em uma regularidade infalível.

Os evangélicos não gostam muito de falar de sentimentos que não estejam ligados a vitória, triunfo, bênçãos e prosperidade, até mesmo os mais ortodoxos teologicamente. É um problema masculino, agravado pela natureza do trabalho do pastor. Viver nos extremos da vida. Esse caos se alimenta de uma porção de mentiras devastadoras:

Descansar é errado.

Viver em vitória é não ter sentimentos negativos.

O cristão não pode ficar deprimido.

Preciso demonstrar que nada me afeta.

Sentir dor é fraqueza e pecado.

Um homem com Deus pode resolver todos seus problemas sozinho.

Eu me conheço bem.

Minha família tem que ser perfeita.

Ninguém vai entender.

Os pastores também caem na cilada de dar conselhos rasos e corrigir sentimentos a todo momento. Alguns talvez arrancariam os salmos de vez da Bíblia. Quando o pastor é corajoso o suficiente para dizer que está triste, que sente depressão, que está decepcionado, uma avalanche de críticas se derramam sobre ele. Um cala boca com frases surradas: um homem de Deus não pode sentir isso. Toma vitória em nome de Jesus.

Se por um lado ele não encontra um contexto sadio para compartilhar o coração, toda a maneira de pensar da igreja joga culpa nesse homem quando ele vai procurar um psicólogo sedento por uma oportunidade na qual possa derramar sua alma. É triste dizer, mas as vezes os psicólogos são mais compassivos que a igreja.

Os salmos têm o poder de derrubar esses mitos que dilaceram a alma.

Eles são um presente de Deus para a igreja. Todos os notáveis da história da igreja se deliciaram no estudo deste livro. Lutero, Spurgeon, Bonhoeffer e Lewis são alguns dos grandes que escreveram livros.

Jesus utilizou-se deles, orou os salmos e como Bonhoeffer diz “Segundo o testemunho da Bíblia, Davi, o rei ungido do povo eleito de Deus, prefigura Cristo. O que lhe sucede acontece por causa daquele que está nele e que descenderá dele, Jesus Cristo. Isso não lhe era segredo, pois era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que colocaria um dos seus descendentes em seu trono. Prevendo isso, falou da ressurreição de Cristo (Atos 2:30)… Portanto, as mesmas palavras de Davi são palavras do Messias vindouro. As orações de Davi foram oradas com Cristo ou, melhor, Cristo mesmo orou através daquele que o precedeu.”

Em tempos de platitudes e banalidades sem fim, um mergulho anual tem sido um refresco indescritível para meu ministério.

Os salmos trazem a palavra de nossa alma, que não conseguimos trazer a boca. Quando sequestrados pela agitação do coração, nos faltam palavras que o saltério nos entrega em abundância.

Eles nos ensinam a sermos brutalmente sinceros em nossas orações. Há na oração daqueles homens tudo que há no coração do ser humano, e que são por assim dizer eclesiasticamente incorretos. Dúvida, cinismo, gratidão, vingança, confissões, medo, decepção e depressão.

Os salmos nos ajudam a entendermos o que acontece no nosso coração. É como se sentássemos na sala de aconselhamento de Deus, à medida que vamos falando tudo que estamos vivendo fica mais claro para nós.

Através deles ficamos aliviados em saber que os homens de fé não são de maneira nenhuma diferentes dos homens comuns na experiência das afeições da existência, com a singular diferença de que eles ousam viver cada uma de suas emoções na presença de Deus. Eles não separam a psiquê da teologia. Eles colocam a Deus no olho do furacão da alma e gritam, esperneiam, se indignam, e choram igualzinho ao que você também gostaria de fazer.

A maioria dos que leem esse texto não são pastores, a vocês uma última palavra: cuide do seu pastor. Deixe de vê-lo como uma máquina de ministrar que não possui sentimentos. Não chegue perto dele apenas quando precisa. E lembre que ele necessita do seu carinho e encorajamento. Deixe ele chorar.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.