Dica de leitura: Bonhoeffer pastor, mártir, profeta, espião

As boas biografias são maravilhosas porque reúnem em um só gênero, doutrina, história, psicologia e drama. Da mesma maneira que uma frase pode ter seu sentido distorcido fora do contexto também é difícil entender o que alguém escreve sem conhecer sua conjuntura pessoal. Para se ter uma ideia disso em um equívoco monumental, os contemporâneos de Bonhoeffer entenderam o cristianismo sem religião que ele defendia como cristianismo que não crê em Deus, que só se preocupa com a ética. A leitura Bonhoeffer: pastor, mártir, profeta, espião, que a editora Mundo Cristão lançou no ano passado desfaz todas as dúvidas.

Conheci Bonhoeffer nas aulas de seminário com o professor Heinrich Finger. Ele trouxe alguns textos do livro póstumo Ética que trata além de religião  questões como amor, pecado e coragem. Logo após fomos levados a ler Resistência de Submissão um livro de cartas escritas da prisão. Nelas Bonhoeffer falava contra a religiosidade oficial  deixando uma pulga atrás da nossa orelha sobre o que ele estaria tentando comunicar. Mais tarde já pastor de igreja li Discipulado, Tentação e aquele que seria dos seus livros o mais impactante na minha vida: Vida em comunhão.

Bonhoeffer foi um visionário. Ele antecipou debates que hoje fazem parte do nosso dia a dia. O relacionamento da fé com o mundo emancipado, como viver em comunidade de fé,  relação entre igreja e estado e diferença entre religião e cristianismo. Mas nenhuma história é mais cativante do que a que Bonhoeffer escreveu com sangue em um tempo de grande omissão da igreja oficial na Alemanha que aceitou tacitamente a doutrina nazista e seu messianismo monstruoso.

Bonhoeffer foi um profeta. É fácil dizer eu já sabia, quando antes não se ouviu nenhuma voz. Não foi assim com ele. Ele anteviu as ações do nacional socialismo e os perigos que ele representava para a nação alemã.  Quando toda a nação celebrava a chegada de Hitler ao poder como a salvação da Alemanha, ele dizia: “O perigo assustador do mundo atual é que, acima do clamor por autoridade… nós esquecemos que o homem se encontra sozinho perante a autoridade suprema, e que todo aquele que impõe mãos violenta sobre o homem está violando leis eternas e concedendo a si mesmo uma autoridade sobrenatural que acabará por destruí-lo.”

Bonhoeffer foi um grande pastor. Fundou um seminário que ensinava a orar e a ler as Escrituras e a confissão de pecados, coisas difíceis de serem vistas no mundo teológico daquela época e na de hoje mais ainda. Como pastor não se furtou ele mesmo ao hábito de ser discipulado pelo seu cunhado Eberhardt Bethge. Um homem que reuniu profundidade teológica, coragem pessoal e dedicação pastoral a uma comunidade de discípulos merece meu respeito. É esse tipo de homem que eu mesmo quero me tornar.

Creio que a leitura dessa biografia mexerá muito com sua vida além de emocionar com o desprendimento desse homem de Deus. Confesso que chorei ao ler os relatos da morte tão extemporânea de um homem que sob um ponto de vista carnal tinha tanto a dar ao mundo. Ao ser chamado para a execução por enforcamento ele diz ao companheiro de cela: “Esse é o fim, mas para mim o começo da vida”

Bonhoeffer: pastor, mártir, profeta, espião

Editora Mundo Cristão.

Tira Gosto

Extrato do Livro: A Graça de Deus e o Homossexual que mora ao lado – Allan Chambers e a Equipe de Liderança do Ministério Exodus  International. Paginas 156 e 157.

“A princípio, deixe-me fazer uma pergunta: você ou sua igreja já pensaram na comunidade assumidamente gay como um grupo de pessoas não-alcançadas? Se sua denominação é como muitas, existe o Domingo de Missões em que diferentes missionários, que alcançam o mundo, visitam a congregação, falam na escola dominical e pregam. A meta, normalmente, é honrar o Senhor por sua obra, e informar a congregação sobre como os recursos estao sendo utilizados e arrecadar mais fundos para esses projetos. 

Certa missionária e o fulano, também missionário virão e falarão sobre o choque cultural que viveram e sobre como superaram por meio do aprendizado da humildade e do serviço. Eles explicarão que até a missionária tem um novo piercing no lóbulo da orelha pra indicar ao resto da tribo que é casada. 

No tocante a povos e culturas, compreendemos a necessidade de aprender a língua, os costumes, as normas sociais e as expectativas culturais. E, naquilo que não comprometer o evangelho, tentamos adaptar e honrar as tradições. 

Todavia, por que as igrejas raramente apoiam um missionário na cultura gay? Por que quase nunca existe um representante de ministério voltado aos homossexuais no domingo de missões? 

Por que tão poucas denominações estão fazendo algo pró-ativo para alcançá-los e apoiar aqueles que estão tentando causar algum impacto?

Suponho que seja porque não vejam a comunidade assumidamente gay como uma verdadeira subcultura – semelhante as que se fundamentam em raça, status econômico, localização, etnia ou religião.

Essa é uma noção que eu gostaria de ver transformada. Uma subcultura é definida como “um subgrupo cultural diferenciado por status, histórico étnico, residência, religião ou outros fatores que, de forma prática, unificam o grupo e influenciam coletivamente cada membro”. São os outros fatores que, de forma prática, unificam e caracterizam a comunidade gay como um grupo de pessoas não-alcançadas. “