Cuidado, o pecado enlouquece!

Hábitos pecaminosos de pensamento levam a mente para a prisão.

Há uma fartura de doenças mentais diagnosticadas e tratadas quimicamente.

E a inteligência destes tempos parece querer indicar a todos que há uma pílula mágica para resolver qualquer problema.

Antes da química deve vir a responsabilidade pessoal. O cuidado com a maldade pessoal que pode crescer em nós.

Tome como exemplo o ciúme, tão comum entre apaixonados. Se acolhido no coração sem um enfrentamento poderoso com a verdade da Palavra, se aquerenciará, e dominará o órgão da imaginação para o mal.

Sempre haverá no ciumento uma percepção distorcida dos fatos. No começo será apenas ciúmes, no final paranoia total, privando do contato com a realidade.

Dê razão a suas manias. Pare de ir a lugares porque elas não tem lugar ali, brigue com as pessoas que afrontam esse modo de  viver, transforme-as num fator inegociável de sua vida. Você verá que seu mundo e sua mente se reduzirá ao tamanho delas.

Não sou um obscurantista, que desconhece que algumas questões químicas no cérebro podem afetar o comportamento, mas minha prática de aconselhamento também me leva a crer, que os hábitos de pensamento podem ser a origem dos desequilíbrios no funcionamento da mente.

A responsabilidade pessoal tem sido evadida mais frequentemente do que deveria com o escudo do conceito de “doença”.

O primeiro capítulo do livro de Romanos, diz que o fato do homem rejeitar o conhecimento de Deus, (inclua nisso a consciência do bem e do mal, e a percepção de uma ordem fora de si mesmo) o coloca em um estado mental em que os pensamentos se tornam “fúteis”. Tolos. Sem fundamento na realidade.

Resumo da ideia: a maldade leva a demência.

O orgulho o maior de todos os pecados, compartilhado por todos, como um problema crônico que contamina nossas melhores intenções, nos retira da realidade pura e simples e nos coloca no mundo da fantasia, onde podemos tudo, temos direito a tudo, não precisamos de ninguém e os outros não tem importância.

Veja o orgulho do caso Nabucodonosor, veja Napoleão sem conseguir ver o óbvio, que o inverno da Rússia mataria 90% do seu exército. Observe Hitler repetindo o erro 100 anos depois e me diga se o pecado não obscurece a mente.

Observe o materialismo, nos convencendo que o bastante, nunca é o bastante.

Apesar do verniz de civilidade e tecnologia no século 21, não conseguimos disfarçar nossa doidice demonstrada nos arroubos de violência dessensibilizada que transforma o corpo sagrado de outro ser humano em apenas um pedaço de carne.

Por essa razão a Bíblia trata o mal com tanta seriedade.

Somos seres inclinados a insanidade mental.

Cuide seus pensamentos.

Para a glória de Deus, para o bem da sua mente.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Bloqueios à sexualidade masculina sadia

Palestra ministrada na reunião de homens do dia 19/05/2016

A sexualidade sadia deve ser marcada por três valores: alegria, limites e respeito.

A alegria é um valor óbvio. Já que a sexualidade humana se distingue da dos animais por ser uma fonte de prazer, não apenas de reprodução.

Limites são necessários para que o prazer sexual não se transforme em obsessão como é comum acontecer. Basta observar o consumo compulsivo de pornografia na internet.

Respeito porque a sexualidade não é apenas sobre “eu” mas sobre “nós”.

A sexualidade masculina tem suas particularidades e queremos ver questões que afetam a saúde integral do homem. Vejamos.

O primeiro bloqueio é o fato dos homens não falarem sobre sua sexualidade. Mulheres desde cedo consultam ginecologistas e falam com maturidade de sua sexualidade, por sua vez o homem só vai ao urologista quando as coisas estão saindo do controle. A sexualidade masculina em nossa sociedade é um instrumento de afirmação sobre o outro. Disputa-se quem tem o pênis maior, quem “pega mais mulheres”, quem tem esposa fiel e quem é “corno”. Assim cria-se o ambiente para que os problemas se mantenham debaixo do tapete e sem reflexão adequada.

O segundo bloqueio é confundirmos desejo com desempenho. O fato de querermos fazer sexo todos os dias não indica que estamos sendo bons para nossa companheira. Às vezes há mais afobação do que realização na cama. O homem se sente macho por desejar, e não por satisfazer sua esposa. Isso se torna um tiro pela culatra pois destrói o desejo da esposa.

O terceiro impedimento são as questões do trabalho. Frustração em alcançar os objetivos da carreira levam a perda do desejo sexual. Fracasso e convivência em um ambiente humilhante que anula a capacidade de contribuir e ter iniciativa tiram do homem seu sentido de competência o que perpetuado pode ser levado para a cama.

O quarto impedimento são as experiências passadas no desenvolvimento da sexualidade. Sobre isso já foram escritos livros e mais livros, mas no aconselhamento pastoral duas questões são muito comuns de atrapalhar a vida sexual presente: obsessão pelo sexo anal e masturbação compulsiva. A obsessão pelo sexo anal se desenvolve especialmente pelas experiências de infância e adolescência onde meninos tem experiências com meninos da mesma idade o que lhes desenvolve um gosto pela penetração anal. Isso em si já é um problema, mas abandonada a prática do passado, o prazer desenvolvido se transfere para a vida a dois. E 90% das mulheres não gostam de sexo anal o que acaba sendo fonte de intensos conflitos.

A masturbação compulsiva, é uma atividade narcisista que só tem em conta o prazer próprio e não do outro. Sendo o sexo sadio uma experiência a dois, o homem que tem esse histórico acaba não raro por lutar com a ejaculação precoce, pois não aprendeu a esperar, apenas a buscar prazer para si.

O quinto impedimento, é que não procuramos conhecer os gostos de nossa esposa. Sem feedback ninguém cresce. O orgulho do macho diz que ele deve saber o que sua esposa gosta na cama, então ele acaba por não a ouvir. E quando ela demonstra desinteresse ele se ressente. É interessante verificar que estudos demonstram que homens que ajudam suas mulheres  nas tarefas domésticas tendem a ter mais sexo! Fica a dica.

O sexto impedimento são os jogos de poder. Em um momento histórico de oposição ferrenha do machismo e feminismo, os jogos de poder acabam por travar uma sexualidade rica. Onde há luta pelo poder não pode haver sexo bom, pois o sexo é entrega total.

O sétimo impedimento é o ambiente religioso opressivo. Onde a vida do cristão é repleta de regras, e tudo que ele veste, faz ou gosta é considerado pecado, o sexo se torna uma usina de taras ou é carregado de uma falsa culpa.

O discernir dessas dificuldades devem nos conduzir a uma trilha diferente que represente um arrependimento de caminhos que levam a morte.

O Deus que colocou Cantares nas Escrituras quer abençoar nossa vida sexual também. Vamos deixar Ele nos ajudar.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Carta aberta as mães pós-modernas

Mãe, não entregue seus olhos nas mãos do seu filho, para que ele veja por você.

Esses olhos já viram muita coisa que talvez leve muito tempo para que essa criança chegue a enxergar.

Não, o fato de ele mexer nessas geringonças tecnológicas com a habilidade que um craque domina uma bola, não faz dele um gênio e muito menos um sábio capaz de navegar através da vida sem sua colaboração.

Ele é surpreendentemente inteligente, mas também carrega a tolice da ingenuidade. Precisa de alguém que grite em sua consciência como um potente alto falante a realidade dolorida.

Eu sei que você não suporta ver aqueles olhos marejados por qualquer razão, mas não esqueça que foram as lágrimas que irrigaram as mais arraigadas lições que você aprendeu. Isso não mudou, apesar do modelo de celular mudar de seis em seis meses.

Não acredite cegamente em tudo que ele diz. Faça auditorias surpresas. Sim, a despeito de toda abertura que você fez depois da ditadura dos seus pais, ele ainda encontra motivos para mentir.

Às vezes não quer ver você exasperada por situações perigosas, outras vezes quer apenas espaço, e às vezes acha que você não entende nada mesmo.

Por favor, também não entregue suas mãos em serviço escravo para ele. Eu garanto que ele vai detestar o fato de ter sido aleijado na sua total capacidade de se virar.

E por favor suba naquele pedestal da sala de sua casa e tire seu filho dali. É um peso insuportável para ele carregar. Aceite que ele é humano. Não o faça prisioneiro dos seus sonhos carentes. Ele pode se matar para realizar, talvez mentir para você ficar feliz e pior ainda poderá chutar o balde mesmo, só para poder experimentar a liberdade. E isso vai doer demais.

Ah, não dispute queda de braço com seu filho. Isso não é um jogo de poder. Ele é melhor do que você nisso, lhe sobra tempo e energia. A palavra é como semente. Deixe ela morrer. Deixe. O broto vai nascer por si só.  Não é preciso acrescentar “eu tinha razão” e o “eu disse”. Pode matar como veneno.

Depois de ter feito tudo isso, aceite que o melhor é sempre insuficiente para os filhos em certa época da vida. Seja apenas escrava da sua consciência diante de Deus, não da aprovação do seu filho. Mães carentes podem acabar fazendo muito mal. Cuide-se antes de cuidar.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Trocação com o Todo-poderoso (1)

Jacó era um cara ambicioso. Como todo ambicioso, era capaz de sacrificar sua dignidade para realizar o desejo do coração. Aproveitou-se de um momento de fraqueza do irmão, conspirou com sua mãe para enganar o pai e recebeu a bênção irrevogável que o levaria a prosperidade.

“Que as nações o sirvam, e os povos se curvem diante de você.

Seja senhor dos seus irmãos, e curvem-se diante de você os filhos de sua mãe. ”(2)

Quando apaixonado por Raquel, trabalhou 14 anos pelo direito de casar-se com ela. Trabalhava de sol a sol para acumular rebanhos numerosos e uma geração abundante de filhos: os símbolos antigos de um homem bem-sucedido.

Seu conhecimento de Deus era de segunda mão: chamava-o “Deus de meus pais”.

Mas havia uma passagem do Jaboque. Um acerto de contas no meio da vida.

Deus tinha um plano com ele, e ele tinha um plano para Deus. De coadjuvante, é claro.

Desses dois projetos de vida opostos nasceu uma trocação na madrugada.

Deus é soberano. Ele definiu as regras da vida. Tem direito de Criador. Meu universo minhas regras, é o que diz as Escrituras ao longo de suas páginas.

Entre seus decretos está a liberdade humana. Essa liberdade arriscada fez com que o verso “quando o homem viu que não podia dominá-lo” pudesse ser entendido. Jacó tinha uma vontade de ferro, de aço. Então Deus levou-o ao limite. Deus fez doer, como só ele sabe fazer. Um golpe certeiro de hapkidô divino. A articulação da coxa.

Você deve estar pensando que Jacó era muito cabeça dura. Mas você também é. Somos todos cheios de planos. Planos claros e escondidos, com uma coisa em comum: são sagrados para nós.

Temos um terror de que Deus se interponha em nossas metas. Mas ser derrotado por Deus é a maior vitória que um homem pode ter. Deus tem um plano cósmico, e tenta nos incluir nele. Nós temos sonhos miseráveis de consumo, títulos honoríficos, medalhas e tal.

Ouvia depoimento de treinador de atleta olímpico: eles preferem ganhar uma medalha usando o doping, mesmo que tenham que morrer nos próximos cinco anos pelo uso de substâncias tóxicas. Somos capazes de tudo por tão pouco.

Mas o Senhor não se rende a nossa pouca ambição. Insiste em nos chamar para mais. E precisa tocar na articulação da nossa coxa como último recurso.

Somos levados ao limite.

Limite da humilhação, limite da decepção, limite do fracasso, limite do choro.

Esses são momentos definidores de uma mudança de rumo.

Ou eu mudo para sempre ou eu paraliso para sempre.

A escolha é nossa.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

(1) Gênesis 32:22-31

(2) Gênesis 27:29

 

4 situações que podem te fazer forte ou um cachorro louco!

“Se você vacila no dia da dificuldade, como será limitada a sua força! ”

Provérbios 24:10

Todo mundo é um santo  quando não é incomodado.

Sabe aquele pit bull que permaneceu anos com um olhar pachorrento?

Ele matou a vovó a quem cuidava!

Esse cachorro louco pode ser você. E algumas situações são as melhores para nos tirar do sério e revelar o que somos.

O lado bom é que elas podem nos preparar para vencer.

  1. Divergência total de opinião.

Eu creio que a Bíblia é a revelação de Deus para os homens, você crê que ela é um livro humano e genocida!

Eu acredito na Dilma e sua inocência (isso é uma hipótese), você acredita que ela é o câncer da política brasileira!

Eu acredito que a pobreza é um problema social, você acredita que a pobreza é um problema pessoal!

Será que ainda podemos conviver? Andar juntos?

Em um Brasil dividido, a divergência é uma prova de fogo.

A cusparada está virando moda!

Sou capaz de desacordo sem agressão? Sou capaz de enxergar a pessoa para além de uma opinião infeliz, desinformada, ou melhor informada?

Sou capaz de conviver sem isolar? De combater ideias sem descartar pessoas?

Não podemos reduzir as pessoas a uma opinião. Nem todo o que discorda de nós é mau caráter.

  1. Fora do namorado.

Talvez nada mexa tanto com a gente como ser rejeitado estando apaixonado. Compramos perfume, reservamos tempo na nossa agenda, selecionamos palavras como quem procura ouro, oferecemos na vitrine nossa melhor mercadoria, mas não foi suficiente. Dói para valer, eu sei.

Mas o discípulo de Jesus tem recursos para superar.

Vou transformar quem me rejeitou em um monstro? Isso seria amargura.

Vou revelar os segredos contados enquanto estávamos juntos? Isso seria covardia.

Não vou aceitar um novo relacionamento? Isso seria controle.

Vou me atirar no primeiro abraço que se oferecer? Isso seria dependência.

O fracasso de um relacionamento pode ser o degrau para novos e abençoados relacionamentos.

  1. Ataques a reputação.

Você recebe reportes de que estão falando mal de você. Que seu trabalho não é aprovado e que seus motivos estão sendo questionados.

Tem gente que não permanece em lugar algum a razão disso.

Bom, vamos acabar com as ilusões de unanimidade:

Tem gente que sorri, mas não gosta de nós.

Tem gente que gosta da gente e não gosta do que fazemos.

Tem gente que lê erradamente nossas intenções, com tendências para o mal.

E tem gente que gosta da gente, mas não está nem aí para o fato de que nossa reputação seja destruída.

É hora de ser forte, de criar músculos interiores pela graça de Deus. Talvez reverter tendências e permanecer inteiro apenas com o que Deus diz de você.

Se for embora porque estão falando mal de você, o mundo não será grande o suficiente para percorrer!

  1. Prosperidade dos amigos.

A prosperidade dos amigos pode fazer o pecador desavisado afundar no lodo fétido da inveja.

Alguns chegam a ver fantasmas, para justificar seu incômodo com o sucesso daqueles que estão próximos. Veem desprezo, orgulho. Mas tudo que há, é inveja.

Se você puder se alegrar com um amigo que voa em uma área em que você apenas engatinha, meu amigo, você conquistou um país!

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Três segredos bíblicos para uma igreja unida

A experiência de união com a comunidade de fé é comparada pelo salmista com a unção de Deus, e refresco no deserto. (1)

Jesus disse que seria um fator de atração da igreja. (2)

Mas como chegar lá sem comprometer a Palavra?

Alguns estudiosos de origem americana, escreveram livro sugerindo que as igrejas deveriam se reunir em segmentos de identificação cultural. Igrejas de negros, brancos, roqueiros, sambistas, jovens e qualquer que seja sua tribo.

Creio que essa ideia comprada por muitos é uma traição ao espírito do evangelho. A diversidade dos discípulos que Jesus escolheu, a natureza da igreja que se formou em Antioquia e a metáfora do corpo de Cristo deixam muito claro que a grande liga da igreja deve ser realmente as questões espirituais. Para não ser que em um lugar que todos pensam iguais transformemos o evangelho em confraria de iguais.

Igrejas multiculturais representam o céu na terra, expressam o “venha o Teu Reino” que é descrito em Apocalipse como “gente de toda língua, povo e raça”.

Qual é o cimento que nos une? Qual é a nossa liga? O que faz com que vivamos em união?

Três caminhos bíblicos:

  1. A oração corporativa.

Deve ser tão intensa, variada e desenvolvida esta prática na igreja a ponto de se tornar um porto seguro ao qual recorremos sempre para recarregar nossa força espiritual.

Jesus mesmo declarou que a oração conjunta tinha um poder especial. Especule o quanto quiser do porquê, mas o fato é que o hábito de orar com os irmãos é um meio de graça escolhido por Deus para nos abençoar. Infelizmente somos pródigos em seminários, estudos, reuniões de decisões, mas fracos na oração conjunta. Talvez algumas programações que realizamos fossem muito mais bem-sucedidas se fossem precedidas de oração importuna e não burocrática. Oramos em muitas reuniões apenas para bater o ponto. Do tipo: vamos cumprir a obrigação logo e nos ocupemos do que interessa. A oração corporativa tem poder de unir corações em compaixão e propósito. Não poderia ser tão descuidada, apressada e leviana.

Sabe aqueles momentos em que ninguém se entende na igreja? Pare tudo, e ore com a igreja até que tudo mude.

  1. Pensar como corpo.

Precisamos nos desintoxicar do pensamento mundano de “o que eu ganho com isso?” e trocar pelo “o que o corpo ganha com isso?” Isso será uma subversão do pensamento individualista que reina, divide e nos afasta.

É preciso praticar a alegria com os que estão alegres. É preciso livrar os sistemas de organização da igreja de todo ranço competitivo que trazemos em cada canto da alma.

Requer-se abandonar sonhos de usar os irmãos para a própria fama ministerial.

Mas acima de tudo a igreja começa a pensar como corpo quando sua prioridade são aqueles que não podem defender a si mesmos. Os enfraquecidos, os doentes, as crianças, os velhos, os deficientes e os pobres.

Uma igreja que não tem pensamento, atenção e investimento para estes, jamais será uma igreja unida, até porque suas prioridades distam daquelas que seu cabeça estabeleceu!

  1. Olhar fixamente para Jesus.

A igreja que não está apaixonada por Jesus, que não o considera de fato e de verdade a pessoa mais inteligente do mundo jamais poderá conviver. Para isso é necessário que como o apóstolo Paulo fez, Jesus Cristo seja exposto em cada pregação. Que os evangelhos sejam repetidamente desvendados diante do povo e que até as crianças saibam de cor a mensagem da cruz. É necessário que haja experiência no povo de morte e ressurreição existencial no casamento, no trabalho ou seja qual for a dimensão da vida.

É simples, mas não é fácil. Todo pêssego suculento tem seu caroço. Todo abacaxi doce tem sua casca grossa.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1) Salmos 133

(2) João 17

(3) Apocalipse 7:9-12

Evangélicos derrubados pela metáfora

“Como é que vocês não entendem que não era de pão que eu estava lhes falando? Tomem cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus. Então entenderam que não estava lhes dizendo que tomassem cuidado com o fermento de pão, mas com o ensino dos fariseus e dos saduceus. ”

Mateus 16:11,12

“Não é estranho que pastores cuja responsabilidade  é interpretar as Escrituras tenham tão pouco interesse em poesia?”

Eugene Peterson

Ano passado nos reunimos para um encontro de dança e música com jovens de diversas denominações.

Era o responsável de dar a boas vindas:

– Gente, uma alegria poder receber vocês nesta arca de Noé. Aqui definitivamente temos todos os bichos.

Claro que me referia a diversidade que ali existia.

No mesmo instante alguém resmungou em tom suficientemente alto para ser ouvido por todos:

– É impressão minha ou ele nos chamou de bicho? Eu não sou bicho coisa nenhuma!

Bang! Bang! Bang! Mais um evangélico derrubado pela metáfora.

Parece que nosso povo, só lê o Levítico na Bíblia. Descrições minuciosas, precisas e concretas.

Não sou adepto do relativismo, mas a verdade é caleidoscópica. Rica, ampla. A verdade é, mas tem muitas cores e matizes.

Esse jeito de ser nos leva para grandes batalhas com questiúnculas sem importância. Observe quantas igrejas divididas por detalhes de palavras e rituais:

Data do Natal e da Páscoa. Qual a importância disso? Se fosse importante, a Palavra deixaria bem claro a data.

A árvore do Natal. Pode até ser que ela tenha origem pagã, mas hoje seu significado mudou. Ela é uma forma cultural de celebrar o Natal. A cristandade não será perdida porque tem crente que monta a árvore!

A forma do batismo. Imersão ou aspersão. Quem lendo os evangelhos pode achar que essa é uma questão fundamental?

Dois tipos de pessoas tropeçam na metáfora. O fariseu e os meninos espirituais. A criança porque ainda não foi educada, precisa tempo e maturidade. O fariseu porque insiste em olhar só aparência. Entende só o que é dito, não quer entender o que se quer dizer.

A letra da lei se presta ao espírito advocatício do fariseu que não procura a justiça do Reino, mas a brecha da lei que possa lhe beneficiar. O discípulo é ligado no “espírito” da Palavra, cujo discernimento foi prometido por Jesus: o Espírito guiará vocês a verdade.

A Bíblia não tem linguagem científica, porque seu objetivo é relacionamento entre Deus e os homens. E dois seres pessoais entram em relacionamento profundo através de imagens, histórias e palavras  compartilhadas.

Jesus, navegava com liberalidade nas imagens que evocam emoções e espírito. Ele chama sua proposta de vida de “Reino”. Vai mais fundo ainda e usa a semente de mostarda, a rede de pesca, o fermento e o tesouro escondido como expressões da realidade do Reino.

As metáforas marcam a mente e aquecem o coração. Elas são tão poderosas que nos carregam em tempos difíceis, nos consolam a alma. Nada impactou mais o meu coração amedrontado do que a pregação simples: “o poder do diabo é uma gota no oceano de Deus!”

As metáforas tornam as verdades de Deus acessíveis aos simples e inspiradoras aos mais educados na mente. Aceitar a alegoria é enxergar o coração das questões e não só a casca, o que se quer dizer, não apenas o que é dito.

Se a mente do discípulo não se expande ele jamais avançará em sua caminhada. Não se trata de substituir os fundamentos, mas construir sobre eles. Antes de crescer para fora é preciso crescer para dentro.

Eu mesmo já determinei, que não falarei qualquer verdade sem uma boa metáfora. A vida sem ela é pesada, preto e branco, sem doçura.

Assim fica claro porque a boca de Jesus derramou-se em símiles e parábolas: ele pretende que sejamos descingidos de toda malícia, falsa complexidade e cheios de criatividade para o bem.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

O que faremos de Jesus?

Perguntou Pilatos: “Que farei de Jesus, chamado Cristo? ”

Mateus 27:22

O que faremos de Jesus chamado Cristo, ó pregadores? Nos perguntaremos antes de abrirmos nossa boca, se nosso Senhor pregaria aquela mensagem, ou com um beijo de Judas, falaremos em seu nome, sem que seu perfume esteja em nossas palavras?

O que faremos de Jesus chamado Cristo, ó pastores? Trataremos como Senhor da igreja, ou através de nossas obras o transformaremos em um mendigo carente de atenção, que só precisa de uma mão levantada e um sim, sem discipulado.

O que faremos de Jesus chamado Cristo, igreja? Apenas uma união de letras mágicas que podem ser colocadas ao lado de cada vaidade pessoal e propósito rebelde de nosso coração? Ou Ele ditará nossa vida de uma vez por todas.

O que faremos de Jesus chamado Cristo? O Deus com sede de sangue, implacável com os fracos e trôpegos ou o pai que anseia pela volta do filho que anda comendo a comida dos porcos?

O que faremos de Jesus chamado o Cristo? Um mártir digno de pena como qualquer outro que haja dado sua vida por uma causa, ou o Deus que sangra pelos nossos pecados desde a eternidade.

O que faremos de Jesus chamado Cristo? Uma figura silenciosa, estática e triste confinada a momentos religiosos, lugares religiosos e rituais religiosos, ou o Cristo vivo que fala, propõe, conduz e age entre aqueles que o seguem em todos os seus caminhos?

O que faremos de Jesus chamado o Cristo? É possível que ele ainda sofra por nós? Sim, colocamos uma coroa de espinhos sobre sua cabeça, quando fazemos grandes declarações de fidelidade, de sermos súditos dedicados, mas o abandonamos no calor dos problemas.

O que faremos de Jesus chamado Cristo? Cuspimos nele, quando depois de havermos sido fartamente instruídos por sua palavra, chegamos a ele, pedindo novas instruções, julgando arrogantemente que seus ensinamentos não são sábios o suficiente.

O que faremos de Jesus chamado o Cristo? Como os soldados tiramos-lhes as vestes. Achamos Ele brando demais, severo demais, exigente demais. Em lugar de o rejeitarmos abertamente, tentamos mudar-lhe o tom, as palavras e a voz.

O que faremos de Jesus chamado o Cristo? Aquele que resolve nossos problemas, nos tira de apuros, faz o que não queremos fazer ou aquele que nos ensina a engatinhar, falar, caminhar e a correr?

O que faremos de Jesus, é o que Ele fará conosco.

Que Ele nos faça saber!

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

O mito da família evangélica perfeita

Começo de conversa. Não há na Bíblia, nenhuma família modelar.

O homem segundo o coração de Deus? Nem vamos falar, talvez como exemplo do que não se deve fazer.

Talvez o pai da fé, Abraão? Hum, gerações repetindo o mesmo pecado. Deixa pra lá.

Quem sabe a família do nosso Senhor Jesus Cristo? Nem eles se salvam, pois no princípio não acreditavam no irmão.

Bom, tendo isso posto, ataquemos o problema em nossas plagas.

As primeiras vítimas desse mito são os recém-casados. O despreparo para o choque de dois mundos que é o primeiro ano do casamento, faz com que eu encontre gente muito desanimada após a cerimônia. Desiludida. Sempre digo a todos eles: “é assim mesmo”.

Os pais também são incluídos. Eles esperam que seus filhos sejam músicos e grandes líderes dentro da comunidade. Se são pastores a pressão interna e da comunidade é ainda mais insana. São feitos planos esperando um roteiro de conto de fadas. Acredita-se que é possível controlar as almas dos filhos.

Só que a realidade morde. Nossos filhos brigam, afastam-se da igreja, os casais se desentendem alguns minutos antes da Santa Ceia, esgotamento mental e decisões sobre ministério estremecem relacionamentos. E como se não fosse suficiente o conflito em si, tem a pressão de disfarçar tudo para o povo para que eles vejam como somos perfeitos.

Além disso o desejo da família perfeita é de certa forma um narcisismo que faz de alguns exibicionistas vaidosos e cuja ajuda tem sempre um tom de condenação e superioridade que se distancia totalmente da compaixão que o nosso Senhor nos ensinou. Não é de se admirar que Deus permita problemas para recuperarmos o tom humilde que deve caracterizar os filhos de Deus.

Alguns pastores são compassivos pela metade. São capazes de estender a mão amiga ao povo da igreja quando peca, mas são implacáveis em relação aos seus próprios filhos quando eles não contemplam sonhos pessoais de ministério.

Ah, se aquela foto linda do Facebook pudesse falar…

O terrível efeito colateral dessa obsessão evangélica, é que quando os problemas acontecem dificilmente há uma procura por ajuda. Parece que quem enfrenta problemas é um estranho na igreja. Só que não.

Adultério, casamento misto, incompatibilidade de gênios são só a ponta do iceberg de uma série de comportamentos insanos.

Vamos nos conformar então com um testemunho abaixo da média? Não definitivamente não. Mas não vamos fingir. Mil vezes, não. Mas às vezes, deixar nossos filhos errar, pode fazer um bem tremendo a eles. Ou nós mesmos termos a coragem de dizer: “não está tudo bem.”

Glória a Deus pelos irmãos que voam alto como as águias, mas a grande maioria usa as asas de cera de Ícaro. Não queremos ser seguidores destes.

Vamos investir em encontros de casais, aconselhamento pré-matrimonial, formação de conselheiros capacitados e principalmente, criar uma cultura que se concentra no crescimento e não na perfeição. Vamos tirar esse fardo que Jesus não colocou sobre nós.

Uma mentira evangélica, não é mais válida porque é evangélica. Só a verdade liberta.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Tempestades sexuais

A história de Amnom e Tamar nos ensina muito sobre nosso assunto. Leia com atenção II Samuel 13:1-14.

O desejo sexual é um dom maravilhoso de Deus, mas geralmente quer sair do controle. A rebeldia chega como uma mera sugestão, logo se torna uma obsessão, para em seguida tornar-se uma obsessão. Precisamos evitar que chegue a este estágio.

Quando permitimos que saia do controle, é imprevisível os resultados que podem vir daí. E a experiência e a Escritura testemunham que o momento de prazer não compensa os dias de dores que podem sobrevir. Amnom enlouquecido pela sofreguidão do impulso não conseguiu imaginar o que o estupro de sua irmã poderia desencadear no reino de Israel. Vergonha da irmã, ódio do irmão e assassinato na família.

Acredito que pelo caráter sagrado e profundo da sexualidade, as paixões e sentimentos despertados sempre são violentos.

Não seja ingênuo com seus desejos. Eles precisam ser tratados, confessados e acompanhados para que sua vida possa permanecer sóbria em meio a tantos apelos para embriaguez. Sem obsessões e sem concessões.

Os poderes das trevas tentam nos jogar contra Deus neste momento, em lugar de nos lançar contra o desejo rebelde. Esse é o último estágio da tentação. É o surgimento da teologia do embriagado: Deus é meu inimigo, Deus não se importa e Deus não existe.

Cada momento da vida é sujeito as suas próprias tempestades sexuais, e cada tempestade é uma resposta a uma ferida. É uma tentativa de compensar as dores que enfrentamos na jornada.

O adolescente enfrenta a dor de crescer e se inserir no mundo e no relacionamento com o sexo oposto. A tempestade é um desejo novo a cada dia.

O homem e a mulher de quarenta anos enxergam que lhes resta pouco tempo de vigor a esta altura da vida, e a dor de envelhecer pode surgir com interesses por gente mais jovem, que possa trazer um pouco da juventude de volta.

A dor de esperar pelo companheiro certo, pode significar a entrega ao primeiro que chegar. Antes mal acompanhado do que só é o pensamento do desespero.

A dor da autoimagem abalada por algum tipo de rejeição pode ser a mola propulsora para um envolvimento que não tem outro fundamento que não seja usar o outro.

O homem ou mulher que foram usados por outros, agora são movidos pela vontade de vingança. Usam dos seus predicados sexuais para se vingarem do mundo.

A dor da incapacidade de envolver-se, de ser íntimo, de se aproximar da complexidade de um relacionamento leva ao caminho largo do consumo desenfreado de pornografia.

Deus nos chama para fora da solidão do desejo sexual desordenado. Nos chama para a luz da transparência. Quanto maior for o silêncio, maior a compulsão. Quanto maior for a abertura, mais leve será o fardo.

O desejo sexual não terá domínio sobre nós. Cristo é o nosso Senhor.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.