Será que eu preciso de um avivamento?

“Mas o pai disse a seus servos: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma grande festa e alegrar-nos. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado’.“

Lucas 15:22-24

“Avivamento é o Espírito Santo enchendo um corpo prestes a se tornar um cadáver.”

D. M. Panton

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Os cristãos abusaram da graça. Ela se tornou álibi para o pecado, em lugar de recurso para a luta contra o mal que há em nós e fora de nós. Como o filho esbanjador, tomamos o que era nosso e fomos viver entre os porcos.

Mas Deus tem sempre o melhor para nós. Não duvide nunca disso. É na casa do pai que há dança, roupas novas, anel no dedo, calçados nos pés e bezerro cevado.

Mas a gente se esquece rápido, e acabamos fazendo nossas incursões pelo submundo sem sair geograficamente do templo ou da regra usual dos crentes. Só que lá dentro o espírito acusa o golpe!

Então cabe a pergunta: será que preciso de um avivamento? Leia e pense!

Se desobedeço a Palavra clara e manifesta de Deus e não sinto dor nenhuma por causa disso, então eu preciso de um avivamento.

Se a viver para Deus é para mim uma obrigação pesada e não um deleite, então eu preciso de um avivamento.

Se não lembro de ter ouvido a voz de Deus nos últimos tempos, então eu preciso de um avivamento.

Se quem está a minha volta não recebe da minha boca uma palavra de utilidade para a vida espiritual, então eu preciso de avivamento.

Se Jesus não domina minha admiração, afeto e atenção, então eu preciso de um avivamento.

Se a experiência de desânimo, queixa e descontentamento é uma constante em minha vida, então eu preciso de um avivamento.

Se a oração e apenas uma repetição robótica de palavras aprendidas, então eu preciso de um avivamento.

Se falar mal dos outros se tornou  um hábito incorrigível no qual ocupo meu precioso tempo, então eu preciso de um avivamento.

Se a dor e o sofrimento das pessoas nesse mundo imenso não povoa minhas preocupações, e minhas ações, então eu preciso de um avivamento.

Se me sinto permanentemente vazio e abandonado por Aquele que um dia disse que jamais me abandonaria, então eu preciso de um avivamento.

Se não percebo, nem choro a decadência, que permeia o mundo ao meu redor, então eu preciso de um avivamento.

Se não movo um dedo por ninguém que não seja da minha família, então eu preciso de um avivamento.

Se estou mais indignado com o pecado dos outros do que com o meu, então eu preciso de um avivamento.

Se tudo que existe de verdade para mim é minha casa, minha saúde, meu trabalho, minha família, meu conforto, então eu preciso de um avivamento.

Mas se eu me levantar e voltar para a casa do Pai, então haverá um avivamento.

Em oração.

O discípulo gaudério.

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Tempo de reciclagem

Tudo nesse mundo cansa, perde o sentido à medida que cai na rotina. O alarme desenhado para ser irritante e chamar a atenção, tocado sem parar na frente de minha casa acaba virando trilha sonora. É verdade no casamento, nas artes e na vida espiritual. Se um casal vive as mesmas coisas dia após dia, enfrentará a fadiga da rotina. Se escutarmos a mesma canção nosso cérebro ficará enfastiado. Uma vida espiritual que não procura momentos de renovação tenderá a envelhecer-se e perder o sentido. Para dizer a verdade, lá dentro de nós a gente acaba se dando conta quando nossa vida precisa de renovação. Quero compartilhar, o que tenho aprendido nestes últimos tempos:

1. Pergunte-se: porque estou fazendo o que faço. É comum fazermos as coisas certas pelas razões erradas. Um pregador pode se ver sutilmente desviado de sua rota de falar a verdade do evangelho para tentar obter aplausos e agradar a homens. Um membro da igreja pode no percurso de sua jornada espiritual, ir à igreja apenas para cumprir uma obrigação religiosa, a leitura da Bíblia pode ficar viciada na busca de um consolo água com açúcar e a oração pode deteriorar em uma repetição de fórmulas, nossa própria conversa fica viciada em clichês que escondem nossa verdadeira situação, não comunica só troca sons sem sentido. A solução não é só mudar o que se faz, mas recuperar o sentido do que  se faz. (1)

2. Pare de esperar a bênção de Deus de um modo limitado. Deus é muito criativo como podemos ver em uma leitura rápida da Bíblia. Usa uma mula para falar com Balaão, sustenta Elias através dos corvos que segundo a lei judaica é um animal imundo (necrófago) e de uma viúva pobre que deveria estar sendo ajudada, o que para os conceitos humanos e religiosos era definitivamente humilhante. Qualquer um de nós no lugar de Elias, diria para Deus: Senhor quero carteira assinada, um rancho garantido e um bom carro para fazer tua obra, mas Deus simplesmente sustentou Elias do seu jeito. Lembre-se, seu planejamento de vida não pode se transformar em um plane-jumento. (2)

3. Deixe de viver a partir de feridas não curadas. Que péssima base para viver é a amargura. Distorce nossa visão das pessoas, rejeita a graça de Deus, e nos aprisiona ao passado. Porque muitos idosos são ranzinzas? Não é porque tenham vivido muito tempo, é porque em lugar de celebrarem a vida, acumulam ressentimentos.  Algumas vezes o ressentimento não é nem contra pessoas, mas contra o fato de envelhecerem, perderem a vitalidade. Há outro, cujo projeto é provar para alguém que eles tem valor. A partir desse ponto de vista, não há como a vida ser renovada. Perdemos a percepção da oportunidade que passa diante de nós. Os fariseus representavam a manutenção de um velho sistema, e suas feridas causadas pelo fato de serem escravos de Roma, permaneciam controlando suas percepções do novo que representava Jesus. Eles fizeram a leitura de que Jesus iria roubar-lhes a dignidade há muito tempo arranhada pela dominação romana. E tem muita gente que não consegue seguir o vento de Deus, por viver o projeto reducionista da amargura. (3)

4. Não se compare. Hoje tudo que é valorizado e desejado tem escala industrial. Mas o que Deus faz, não faz em escala industrial. Deus não quer uma porção de soldadinhos de chumbo, iguaizinhos no vestir , no falar e nos projetos. O que Ele faz conosco, é uma história particular, própria. O chamado de uma comunidade, seu jeito de ser, tem que ser descoberto em oração e com sensibilidade, pois os mimetismos espirituais trancafiam nossa mente. Pedro, queria saber o que Jesus faria com João, e foi repreendido. O que Ele faria com João não era assunto dele. (4)

5. Pague o preço. A caminho da terra prometida, o povo de Deus, só lembrava os pepinos e melões do Egito. Alguns de nós estamos querendo manter tudo em nossas mãos, só que quando renovamos, precisamos abandonar o que ficou, mesmo que tenha sido significativo e importante em  certo momento de nossas vidas. (5)

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1) Mateus 6:7

(2) II Reis 17

(3) João 8

(4) João 21

(5) Números 11:5