Os 12 mandamentos do mau caráter

Se cometer um erro, negarei até o fim.

Se alguém me acusar, me farei de vítima das circunstâncias.

Se conseguir mentir e chorar melhor ainda.

Se ninguém lembra eu não falei.

Se ninguém viu eu não fiz.

Se alguém viu e não falou, eu também não fiz.

Se as aparências me favorecem, é melhor eu cuidar mais a roupa que compro.

Se há alguma disputa, descobrirei o mais rápido possível o lado mais forte.

Se ninguém pode ver minhas motivações, esconderei até o fim.

Se fizer algo de bom, é preciso ganhar algo com isso.

Quando maior a maldade, maior o planejamento.

Se alguém descobrir quem sou, das duas uma: ou acabo com ela ou fico bem longe.

 

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Será que minha igreja é um lugar seguro para falar a verdade?

“Na presença do Médico dos médicos, minha contribuição mais adequada talvez sejam minhas feridas.”

Philip Yancey

Nossos relacionamentos em comunidade são de uma superficialidade constrangedora. São beijos através do vidro, são abraços por telefone. Teatro ensaiado e previsível.  Falamos, mas não dizemos nada. Não gostamos, mas fazemos cara de quem está adorando.

Dizemos olá, como vai, tudo bem?

Falamos do jogo de futebol.

Falamos sobre as notícias de hoje.

Falamos sobre o passado.

Comentamos a pregação do pastor e como foi maravilhosa!

Defendemos nossa posição teológica com solidez.

Mas e o nosso coração, quando tem voz?

Como Adão depois da queda, nos escondemos atrás da falsa gentileza  do brasileiro que viciou em dizer “tudo bem” quando perguntado sobre sua vida. Mas, nem por isso deixamos de ser uma sociedade abusadora,  como estão aí os números da violência para revelarem nossa hostilidade mal disfarçada.

A pergunta que você certamente faz é: será que meu habitat de igreja é um lugar seguro para se falar a verdade? Deveria ser, pois uma comunidade que defende a pecaminosidade universal, jamais poderia se surpreender com pessoas menos que perfeitas. Enquanto não for, todos colocarão a sujeira para debaixo do tapete, e de vez em sempre, alguém tropeçará no tapete e todos ficarão surpresos com o que há por debaixo dele.

Pela minha experiência o que mais impede a transparência na igreja, é o espírito religioso. Aquela postura que Jesus falou quando ensinou: não julguem para não serem julgados. É a atitude superior que acaba com nossa verdadeira comunhão.

É triste saber que tem discípulos de Jesus que se sentem melhor contando seus problemas a um psicólogo ou psiquiatra, do que a um companheiro de jornada. Sim porque o crente normal é um chato que não sabe ouvir sem repetir chavões e sem julgar.

Outra razão, para nossas camuflagens, penso eu  é o divórcio entre verdade e amor. Ou somos xiitas da verdade que fritam os outros em nome de Jesus, ou somos discípulos água com açúcar que acreditam que o pecado não faz mal para ninguém. A palavra me diz que amor e verdade não podem ser separados. Ou acabam não sendo nem uma coisa nem outra.

Por essas e outras estamos perdendo as bênçãos necessárias da transparência.

A primeira carta de João no Novo Testamento, fala muito sobre andar na luz. Transparência é uma implicação prática de andar na luz.

O texto (1) de João nos fala de pelo menos três bênçãos que ela traz para a comunidade dos discípulos:

1. Verdadeira parceria. Existe muita gente solitária em grandes comunidades, apesar de frequentarem congressos, festinhas e até fazerem discipulado. Há também um fenômeno cada vez mais comum de amizades descartáveis.  O motivo é simples: os corações não estão entrelaçados, apenas as superfícies. Uma máscara que fala para outra máscara. É tempo de parar com o faz de conta. É tempo de levantarmos a bandeira da transparência comunitária para experimentarmos o verdadeiro amor.

2. Libertação do pecado. Todas as pessoas que Jesus curou nos evangelhos, saíram de suas cascas.

O cego de Jericó, não quis saber dos discípulos tentando fazê-lo calar a boca.

A prostituta perdoada, não teve nenhum problema de entrar em um covil de fariseus para estar aos pés de Jesus.

Zaqueu sabia bem que ninguém gostava dele, mas foi em frente no seu plano de encontrar a Jesus.

O leproso assustou a todos quando foi se achegando a Jesus saindo do meio da multidão.

Quem sai da casca, sai das trevas, do segredo, do orgulho, do amor as aparências e entra na zona da cura e da libertação!

3. Direção na vida. Quem se esconde vive uma mentira, que acaba por acreditar. E por acreditar em uma mentira, fica cego as consequências de seus vícios e atitudes malignas. As trevas o cegam diz a Palavra. Uma vida transparente, sabe onde vai, pois anda com humildade.

Não sei o que você vai fazer, mas se eu fosse você parava com o jogo de cena, e começava abrir o jogo.

E quem não tiver pecado, que atire o primeiro julgamento.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Como o caráter pode nutrir relacionamentos?

Muita gente que hoje lê esse texto está com problemas de relacionamento. Não pretendo oferecer uma solução fácil, quero oferecer um caminho efetivo para você trazer restauração e nutrição aos seus relacionamentos. Mas não é uma questão de inteligência, é uma questão de caráter. Vejamos:

1. Humildade.

Qual é o resultado do contato das pessoas com você? Elas saem de um encontro com você destruídas a respeito delas mesmas, ou animadas a darem passos para serem melhores. Meu estilo crítico escondia a arrogância do meu coração quando ainda era jovem. Uma porção de fracassos, sensação de isolamento e a ajuda de gente que eu amava fizeram com que eu mudasse minha abordagem com as pessoas.

Você é exibido? Você faz propaganda de seus dons, ou procura reconhecer os dons dos outros. Quem gosta de falastrão é jornalista.

Porque os filhos acabam se distanciando dos pais? Porque não veem seus pais compartilharem lutas e dificuldades.

Muitas vezes a chave da solução de um problema não está na inteligência, mas na humildade.

2. Estabilidade.

Tem gente que nunca sabemos o que esperar deles. Podem estar brincalhões, e em outro momento estão mal humorados.

Às vezes podemos contar com eles, às vezes não.

Conheci um homem que era assim. Era de fases. Não é de se admirar que sua vida espiritual passou do legalismo a promiscuidade. E também não é por acaso que fracassou no casamento.

Nossos problemas não devem servir de álibi para a grosseria. O fruto do Espírito é o domínio próprio. As mulheres precisam ter domínio sobre sua TPM. Não podem utilizar como desculpa para infernizar seus maridos. Os homens não podem permitir que os desgostos no trabalho sejam descarregados em casa.

3. Encorajamento.

Encorajamento é a capacidade de reconhecer um trabalho bem feito, assim como o estímulo a uma vida excelente. E as pessoas necessitam terrivelmente serem encorajadas. Quando olho o Novo Testamento percebo que Paulo fez um trabalho intenso de visitas às igrejas que havia fundado. E nas cartas percebemos que grande parte do seu trabalho era o de encorajar os discípulos em uma sociedade hostil. As pessoas se desanimam com facilidade, e uma boa palavra pode fazer maravilhas por elas. Tenho observado em minha experiência que as pessoas têm mais dificuldade de encorajar seus companheiros do que qualquer outro. Mais uma vez a razão disso é a grande carência das pessoas que se reflete na competição selvagem. Assim é que, um professor raramente reconhece outro professor. Um mecânico raramente reconhece outro mecânico. Um vendedor raramente reconhece outro vendedor. Saia hoje mesmo com o propósito de encorajar seus colegas, que fazem o mesmo trabalho que você e veja como a vida pode ficar mais leve.

4. Segurança.

Você precisa respeitar a si mesmo, antes de respeitar aos outros.

Você precisa cuidar o que fala de si mesmo para poder cuidar o que fala dos outros.

Você precisa crer que Deus está contigo, para ser bênção na vida dos outros.

Você precisa ter certeza do amor dos outros para não andar mendigando por aí.

Você precisa se enxergar como Deus te enxerga. A Bíblia me fala em diferentes textos quem eu sou em Cristo. Não quem eu sou aos olhos da sociedade. Em Cristo, sou sal, sou luz, sou embaixador, sou ministro da reconciliação, sou nova criatura.

Até para conseguir um namorado você precisa segurança. Tem gente que vive dizendo: Quem vai me querer? Essa atitude vai minando a confiança e as pessoas vão se afastando. Li em algum lugar: “Se você não se sente bem consigo mesmo, os outros também não vão se sentir.” Simples assim.

 5. Confiança.

Se Jesus foi traído, o que poderemos dizer de nós? Mesmo assim apesar de Judas o haver entregado aos guardas do templo, de Pedro com confissões tão dramáticas haver negado qualquer ligação com ele, e de todos terem fugido na hora decisiva, Jesus confia a eles a evangelização do mundo! Não é impressionante! Continuar confiando apesar das decepções é a graça que precisamos pedir a Deus para gerar em nós a fim de que possamos continuar vivendo o amor nos nossos relacionamentos.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Você também é um dos corruptos?

“O caráter de um homem é o seu destino.”

Heráclito

Todos são corruptos? Não há ninguém íntegro, do judiciário, planalto e casa branca? Existem indícios que sim. Mas o que diremos de nós mesmos?

1. “Não usamos de engano”

As pessoas podem contar comigo quando digo sim a elas? Ou sou rápido em suspender compromissos em função de ofertas mais vantajosas que aparecem de última hora. Quem ouviu minha palavra, não precisa de minha assinatura?

2. “Temos esse ministério pela misericórdia que nos foi dada”

As pessoas tem uma imagem de mim que não condiz com a realidade? Quanto disso é imaginação delas e quanto disso é trabalho duro em meu marketing pessoal? Sou pronto a desfazer falsas expectativas quanta a minha vida intelectual, lutas pessoais, falhas de caráter?

3. “Recomendamo-nos a consciência de todos , diante de Deus”

Quando as luzes estão apagadas e ninguém me vê, quais são os pensamentos que ocupam preferencialmente a minha mente? O que entretenho e dou as boas vinda a minha alma na maior parte do tempo em que algo não me distrai? O que faço com o troco a mais que me dão, o que desejo a meu inimigo, o que faço para poder ser bem sucedido, o que falo sobre os outros quando não estão presentes? O que faço com o computador quando o patrão não está observando, o que faço com a vassoura quando a peça está vazia, o que digo sobre o real problema do carro que me entregaram esta manhã?

4. “Renunciamos procedimentos secretos e vergonhosos”

Resolvo meus problemas pessoais sendo leal a todos? Todas as pessoas com as quais tenho problemas conhecem meu pensamento e objeções aos seus atos, ou sabem pela boca de outros? Sou dado a sutilezas ou sou direto e claro no que penso e quero?

5. “Temos esse tesouro em vasos de barro”

Quanto tempo eu levo para admitir meu erro que já está evidente para todos? Quanto eu uso do meu poder de argumentação, racionalizações, manipulação emocional, vitimação e posição ministerial para evitar dizer aquelas terríveis e quase impronunciáveis palavras: Perdoem-me eu errei!

6. “Ao contrário de muitos, não negociamos a palavra de Deus visando lucro”

Sou pronto a tomar posição contra o erro mesmo que isso implique em risco para minha posição, minha conveniência financeira e minha reputação? Estou pronto a dar a cara a tapa tanto quanto espero quando sou injustiçado  outros tomem posição ao meu lado? Quanto sou solidário quando eu não ganho nada em me solidarizar?

7. “pois estamos tendo o cuidado de fazer o que é correto, não apenas aos olhos do Senhor, mas também aos olhos dos homens.”

Estou pronto a dar contas de minha vida, enfrentar perguntas difíceis sobre minha vida sexual, financeira e relacional? Acho humilhante ter que prestar contas aos outros das obras de minhas mãos?

Se depois dessa acareação eu ainda estiver de consciência leve então não é de se admirar que tudo que eu faça tenha investimentos, influência, estabilidade, confiança e o nome de Deus glorificado.

Um abraço quebra costelas.

(1)    Todas as citações encontram-se em alguma parte da segunda epístola de Paulo aos Coríntios.