A conversão de Nero

nero

“O objetivo dele era criar em si mesmo, dos dois (gentios e judeus), um novo homem, fazendo a paz”

Efésios 2:15

Fabrício Carpinejar em um artigo da Zero Hora sob o título: Pedido de desculpas aos meus irmãos escreve assim:

“Não pretendo ter mais razão. Prefiro transformar o orgulho em amor.

Peço desculpas aos dois publicamente. Tenho saudade de nossos churrascos, dos abraços gritados, dos conselhos sussurrados, de me emocionar à toa. E de trapacear no jogo de ludo.

Peço desculpas. Eu errei.

Nossa mãe, Maria Elisa, não suporta a gente distante.

– Não desejo morrer com vocês brigados. Não eduquei minha gurizada ao ressentimento.

Por favor, meu presente de Natal é comemorar com vocês. Prometo que empresto minha bicicleta amarela.”

A crônica me tocou fundo e a muitos que escreveram no seu blog dizendo que sua atitude foi inspiração para elas. Conflito é o que não falta  nesse mundo louco. Somos uma briga que brota de dentro para fora. O caos de nossa relação problemática e mal resolvida conosco mesmo transborda como um cálice amargo que damos de beber a outros. Então vem a revelação: há amor abundante para todos que foi transbordado na cruz e Deus aponta agora para cada um e designa uma missão: ajudem as pessoas a se reconciliarem!

Entre duas pessoas que se desentendem quase sempre há um elemento invisível, que acirra os ânimos em lugar de apaziguar. A infame relação de sogra/genro e nora/sogra costuma contar com outras personalidades envolvidas. Sempre dizemos aos noivos que eles casam com a família do outro também, há os que ignoram, e são precisamente esses que tem os maiores problemas, pois não se sentem responsáveis de preservar o laço entre todos.

Creio que alguns fazem assim para poderem garantir um lugar especial no coração de quem briga. Afinal se ele brigar com todos e ficar só comigo, serei a tábua de salvação, deterei o amor exclusivo, reinarei absoluto.

Outros são egoístas. Como o conflito nunca rebentará em seus colos, eles não se importam. Não creem que tem tudo a ver com eles. Sentem-se tranquilo para aconselhar porque tem certeza que não arcarão com o ônus das decisões do outro.

Outros ainda são simplesmente cegos. Não tem ideia da importância da palavra que dão nos bastidores dos acontecimentos.

Ah quantos reinos irromperam em ciclos  intermináveis de ódio apenas pelos conselheiros do rei. Veja o caso de Aitofel que segundo a Bíblia, os conselhos eram considerados como palavra do próprio Deus: perguntado pelo rei usurpador Absalão o que ele deveria fazer, deu um conselho que aprofundou o abismo que já havia entre o filho e o pai:

“Aconselho que tenhas relações com as concubinas de teu pai, que ele deixou para tomar conta do palácio. Então todo o Israel ficará sabendo que te tornaste repugnante para teu pai, e todos os que estão contigo se encherão de coragem”.(1) II Samuel 16:21

Os jovens conselheiros de Roboão cindiram uma nação:

… seguiu o conselho dos jovens e disse: “Meu pai lhes tornou pesado o jugo; eu o tornarei ainda mais pesado. Meu pai os castigou com simples chicotes; eu os castigarei com chicotes pontiagudos”. (2) I Reis 12:14

A mãe de Acazias afastou seu filho de Deus:

“Ele também andou nos caminhos da família de Acabe, pois sua mãe lhe dava maus conselhos.”(3) II Crônicas 22:3

Quantas igrejas  dizimadas porque o círculo íntimo do pastor tinha sangue nos olhos. Quantas diferenças perpetuadas porque que quem poderia promover a paz preferiu lavar as mãos na atitude demoníaca passiva.

Quantos líderes inseguros no trabalho, que gostam de ver os subordinados brigando entre si, uma equipe cheia de potencial que se perde, porque eles gostam do paternalismo que é despertado na empresa quando seus empregados atracam-se como crianças pequenas.

Ora basta andarmos descuidadamente para nos tornarmos aqueles que colocam fogo na questão. Quero dizer que se você é realmente instrumento da graça, você é responsável pela busca da reconciliação nos conflitos que estão diante de você agora mesmo, de ser um ferramenta de paz, de diminuir as diferenças de sugerir possibilidades de entendimento e até de convocar uma trégua.

Se você está perguntando o que Nero tem a ver com isso, quero lembrar que foi ele quem por capricho e loucura mandou atear fogo em Roma para inspirar uma composição musical. Alguns de nós pelas razões que já nominamos temos a mesma sanha. Chegou a hora da conversão, afinal você é um ministro da reconciliação.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério

“Do meu jeito ou nada feito!”

Conversão! Palavra que denota movimento.  No caso da vida de discípulo pode ser chamada de guinada de 180 graus, ou como muitos gostam de dizer ter a vida virada de pernas pro ar. Significa que minha caminhada mudou. Minha vida assumiu um novo “modus operandi”. A Bíblia traduz essa palavra como arrependimento que significa mudança de mente. Muita gente confunde isso com lágrimas, mas é mais do que isso. Ninguém que queira ser discípulo de Jesus pode fugir dessa escolha!

Sou chamado a uma mudança essencial que abre as portas da vida em abundância. Do meu jeito, para o jeito de Deus.

Paulo falou dela quando disse: “Não sou eu mais quem vivo, Cristo vive em mim”

Jesus falou dos caminhos que ela pode levar para Pedro: “quando você era jovem, vestia-se e ia aonde queria, mas, quando for velho, estenderá as mãos enquanto outra pessoa irá vesti-lo e leva-lo para onde você não quer ir”.

É o que fez de Moisés um libertador em lugar de um simples teólogo da libertação.

Foi o deslocamento na coxa de Jacó que mancava para lembrar que não era mais o mesmo.

Foi a viagem da conhecida terra de Ur de Abraão, para uma terra que ainda não tinha sido vista.

Do meu jeito as coisas se resolvem mais rápido, do jeito de Deus elas mudam.

Do meu jeito alívio rápido e dor crônica, do jeito de Deus são dores de parto que precedem a alegria do nascimento.

Do meu jeito eu me sinto mais em casa, do jeito de Deus é uma aventura assustadora.

Do meu jeito vem as guerras que não acabam mais, do jeito de Deus os nós vão se desatando.

Muita gente dentro e fora das igrejas, que vivem frustrados se queixando de que não conseguem ver a diferença do evangelho em suas vidas vivem na verdade a frustração de viver do seu jeito e querer os resultados do jeito de Deus.

Muitas práticas boas podem nos enganar no caminho. Posso dar o dízimo, mas continuar com meu coração no dinheiro, posso ler a Bíblia, mas não viver a Palavra, posso orar apenas para tentar manipular a Deus. Viver do jeito de Deus é um chamado que permeia toda a vida:

Há o meu jeito de falar e há o jeito de falar de Deus.

Há o jeito de eu fazer negócios, e há o jeito de Deus fazer negócios.

Há o jeito de eu levar o meu casamento, e há o jeito de Deus de edificar um casamento.

Há um jeito de eu encarar minha carreira e vida acadêmica e há o jeito de Deus.

Há um jeito de eu resolver meus conflitos e há o jeito de Deus.

Há o meu jeito de ver as pessoas, e há o jeito de Deus.

Você saberá que fez o movimento mais fundamental da sua vida de discípulo, quando você diariamente, progressivamente e conscientemente fizer a mudança do seu jeito para o jeito de Deus. Todo o bem que vem do evangelho para sua vida, decorre desse abalo existencial pessoal. O seu chão já tremeu?

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.