Das limitações do conhecimento

“A sabedoria está gritando, o discernimento levanta a sua voz, nos gabinetes dos líderes mundiais, na escola pede atenção, ela se coloca no comando das empresas, e no dia a dia das pessoas pede atenção. Ela está quase sem voz…”

Paráfrase pessoal de Provérbios 8:1-3

Sobreviver espiritualmente nesse século XXI depende da nossa capacidade de discernir a diferença entre conhecimento e sabedoria, e seguir a sabedoria.

Conhecimento é saber como a realidade é e funciona, sabedoria é a capacidade de transformar tudo isso em bem para o homem. É fácil perceber qual tem sido a escolha perversa da humanidade.

Os homens descobriram mistérios do inconsciente e em lugar de mais médicos da alma temos mais vendedores manipuladores.

Os homens aprenderam a duras penas depois do Iluminismo e da fracassada educação ateísta soviética que o anseio por Deus é algo inerente ao ser humano, e em lugar de responderem ao sagrado, elevaram a nona potência sua capacidade de explorar a fé alheia.

Os homens conseguiram enviar satélites para a órbita terrestre, cavaram a terra e nela colocaram cabos de transmissão, inventaram a internet e em lugar de uma irmandade universal criamos uma exploração abissal.

Inventamos as sementes a prova de pragas, conseguimos produzir mais alimentos por metro quadrado e estocar a salvo de qualquer ameaça, mas em lugar de resolvermos o problema da fome, temos mais desperdício do que nunca.

Descobrimos os planetas, novas galáxias, nos embrenhamos no cosmos, mas desconhecemos aqueles que moram dentro de nossa casa e que chamamos de família.

Governos sempre sabem como achar verba para subsidiar construções faraônicas como estádios de futebol, mas a educação e a saúde das pessoas morrem a míngua.

Desenvolvemos estradas para garantir a segurança dos homens, mas elas foram transformadas em uma passarela do ódio e do desrespeito.

Construímos  catedrais arquitetonicamente perfeitas com a justificativa de Deus, mas tudo que elas servem é para ser vitrine de homens sedentos pela glória que só pertence ao Altíssimo.

Criamos postos de trabalho, novas profissões para construirmos um mundo novo para aqueles que amamos, mas o preço que precisamos pagar é jamais podermos desfrutar da companhia de nossa família.

Produzimos bens dos mais diferentes tipos para ajudar o homem, mas para isso utilizamos o trabalho escravo desses mesmos homens.

Dizemos constante em alto e bom som que a felicidade é o propósito do homem, mas vivemos ensinando a nossos filhos desde pequenos a não se contentarem com nada.

Estudamos anos a fio em seminário o grego e o hebraico, e  a mais sadia teologia, mas em lugar das pessoas conhecerem a Jesus tudo que fazemos em nossas igrejas é deixar nas pessoas a sensação de quão inteligentes somos.

Onde está a sabedoria em todo esse conhecimento?

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

O “não” também faz bem para alma

Há um músculo na alma dessa  geração que está subdesenvolvido e comprometendo o andamento de uma vida normal. Estou falando da arte de dizer não a si mesmo.

Somos ensinados a jamais aceitar um “não” como resposta, mas seria desejável que disséssemos a nós mesmos com maior frequência um sonoro e decidido não.

Talvez se Ruben tivesse dito não ao seu ciúme, Jacó não tivesse precisado chorar de saudade de José 13 longos anos.

SE Davi tivesse dito não ao desejo de possuir a bela Bate-Seba, ele não precisasse enfrentar a dor de ver sua família virar pó diante de seus olhos anos depois.

Se Acabe tivesse aceitado que Nabote tinha direito a sua vinha, um homem de honra não tivesse sido morto tão covardemente.

Se Pôncio Pilatos tivesse dito não ao desejo de agradar aos seus superiores e se dar bem soltando Barrabas e prendendo Jesus, teria tido o encontro mais revolucionário de sua existência.

Se Judas tivesse dito não ao desejo de ter muito dinheiro, tivesse sido um instrumento histórico de divulgação das boas novas.

Se os fariseus e saduceus tivessem dito não a vaidade de serem grandes nomes no cenário religioso e ostentarem cargos atrativos aos olhos humanos, eles teriam visto a vida diante de seus olhos e teriam se alegrado.

Segundo o espírito desta época viver sem limites parece tão romântico. Mas se não houvesse limites de cores, de traços não haveria pintura, nem obra de arte. Se não existisse limite de tempo e pausa não haveria música. Se não existisse o limite das regras, não haveria a graça do jogo. O mesmo acontece no campo espiritual.

Através do ensino de Jesus e da observação da experiência humana é possível entender claramente que uma série de “nãos” bem colocados pode ser a diferença entre um futuro incrível e uma vida miserável.

Vejamos alguns problemas comuns do dia a dia. Praticamente 90 por cento dos problemas de dívidas das pessoas está relacionada a incapacidade de economizar. E economizar significa dizer não a si mesmo. Na mesma toada podemos falar da obesidade crescente da população mundial, dos crimes passionais, a ambição dos líderes nacionais. Nada foge a simplicidade do que Jesus ensinou como caminho do discipulado: dizer não a si mesmo.

Diz o elogio do descontrole na música popular:

“É meu defeito, eu bebo mesmo

Beijo mesmo, pego mesmo

E no outro dia nem me lembro.

É tenso!”

Todo mundo que eu vejo nas ruas canta e ri, mas quando é vítima não acha engraçado. Porque viver sem limites não faz bem.  Em uma geração que rejeitou o evangelho não fica nenhuma referência ética, apenas a sensação de que algo está errado. Talvez as pessoas acabem entendendo tudo errado em função do legalismo que formata a vida no princípio da camisa de força o que também não é bom.

Há também aqueles que agem como crianças mimadas e choramingam pelos cantos os “nãos” que dizem a si mesmos. Se crermos com entendimento não teremos razões para isso conscientes que pequenos “nãos” nos preparam para um grande “sim”.

A chave do equilíbrio é  o amor. Em cada momento minha pergunta diante das decisões que preciso tomar é: a luz da eternidade minha decisão traz a gloria de Deus, o bem para mim e para meu próximo? Nem sempre a resposta é simples, mas temos promessa de que Jesus estaria sempre conosco todos os dias e isso inclui nossas decisões mais intrincadas.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.