Cinco desatenções que tiram nosso foco espiritual

Poucas pessoas que eu conheço, conseguem manter a vitalidade espiritual ao longo da vida. E a razão é bem simples: elas deixam de olhar para Jesus. O texto dos Salmos diz: “Os que olham para ele estão radiantes de alegria; seus rostos jamais mostrarão decepção.”  A medida que fui envelhecendo acumulei cicatrizes de vida. Recebi minha cota de decepções, fracassos, e feridas. Fui vítima e fui vilão. Mas quando sinto que estou afundando, sei que preciso reajustar meu foco. Tudo cansa nessa vida, os louvores, os pastores, a liturgia, as programações, se os olhos se desviarem de Jesus. É Cristo quem dá sentido as coisas simples que fazemos. Sem Jesus você afunda, mesmo que se encontre em um ambiente altamente ativo e religioso.

Como Pedro no barco, olhamos para os ventos fortes que nos ameaçam e perdemos a capacidade de andar sobre as águas. Posso alistar cinco desatenções que tiram seu foco do centro de vitalidade espiritual que é Jesus.

1. Propaganda de qualidade. O diabo é excelente marqueteiro. O pecado está muito bem auxiliado de argumentos, luzes bonitas, talento e arte. Tanto é assim que sorvemos veneno como se fosse um néctar divino. Faça como tantos outros já fizeram… é o que diz o comercial. (1)  O diabo faz o jogo e mostra e esconde com a gente.

Ele mostra as palavras promissoras do adultério, mas esconde o choro de quem será ferido.

Ele mostra tudo o que você não tem, mas tapa os olhos pra tudo o que você recebeu.

Ele mostra a breve doçura da vingança, mas coloca uma cortina de fumaça sobre o interminável ciclo do ódio.

Ele mostra o frenesi da fama, mas omite a necessidade da máscara, o medo de ser esquecido, a invasão de privacidade e as amizades interesseiras.

Ele mostra o poder que dá o dinheiro, mas não menciona o quanto tempo, alegria e paz arranca o dinheiro.

2. Dedos acusadores. Tem gente que está sempre desenterrando os ossos de nossas falhas, se você ouvir, vai afundar. Muita gente guarda os seus pecados no bolso para te fazer sofrer, mas quando você olha para Cristo, ouve que todos os seus pecados foram lançados nas profundezas do mar. (1)

3. Minorias barulhentas. É gente bem organizada que se pronuncia com muita articulação para manter tudo como sempre foi para destruir e jamais organizar. Eles tentam se apropriar de Cristo, falar em nome de todos e acabam confundindo nosso coração. Lembre que são sempre minorias.

4. Personalidades fortes. Nenhuma personalidade pode ter maior ascendência sobre a sua vida do que Jesus. Nem pai, nem mãe, nem amigo. A igreja em Corinto começou a entrar em um processo autofágico quando começou um culto a personalidades. (2)

5. Tradições antigas. O gosto por tradições antigas toma a forma de manias pessoais. Tem gente que não viaja para crescer porque a cama que vai ficar não é igualzinha a sua, ou porque a rotina não obedece ao seu gosto pessoal. Ouvi falar de um homem que ganhou uma máquina de lavar nova em folha, mas se recusa a usá-la, pois não quer abandonar o costume de lavar sua roupa a mão, e também não permite que a família use a máquina. Tem muita gente cujas manias pessoais têm força de Palavra de Deus em sua vida e por isso vive um processo de decadência. Para seu bem, não cultive essas esquisitices, pois elas acabam evoluindo a ponto de se tornarem uma paranoia. (3)

Volte para o foco. Você vai ouvir, comer e beber do melhor. Pode ter certeza.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Miquéias 7:19

(2)  I Coríntios 3:1-5

(3)  Marcos 7:13

Como enfrentar a desmotivação?

Adaptado e transubstanciado do artigo “Tired of boredom” de Fred Smith:

– Estou desmotivado, não sei  o porquê!

– Ando meio desanimado com tudo.

Essa é a queixa que eu mais ouvi durante anos de aconselhamento pastoral. E o que mais chama a atenção é que quem traz esse sentimento não está passando por qualquer tipo de crise, simplesmente estão achando a vida aborrecida.

Se você está passando por isso também é bom refletir sobre as causas e tomar providências, pois o desânimo prolongado é uma porta aberta para a depressão.

A primeira causa é um trabalho irrelevante. Quando você está ocupando o seu tempo com questões que você não vê nenhum impacto ou importância o senso de inutilidade nos joga para baixo. Lembro quando fui contratado por uma universidade para um trabalho temporário nas matrículas e tudo o que eu tinha que fazer era ficar em uma porta perguntando: “Crédito educativo?” As pessoas diziam não, e eu indicava outra porta. Se diziam “sim” eu respondia que era ali mesmo. Show de relevância, não? Pois é, aquilo chegava a ser uma tortura. Ainda bem que não durava mais que duas semanas.

A segunda causa é não perceber a relevância do meu trabalho. Não foram poucas as vezes que eu precisei lembrar a mim mesmo, depois de haver sido vítima de falatórios injustos ou tratamento indigno, que eu estava fazendo a diferença na vida das pessoas. As vezes é preciso inclusive retirar do armário aquelas cartas de encorajamento que a gente recebe ao longo da vida para não perder o foco e reativar o ânimo.

A terceira causa de desânimo é a má administração do seu tempo. Quando iniciamos o dia sem saber o que vamos fazer, não é de se admirar que cheguemos à noite com uma sensação de vazio. Quando não temos metas, quando procrastinamos, quando ocupamos nosso tempo com tarefas que não levam a nada tais como verificar o facebook mil vezes ao dia, caminhar de um lado para outro conversando inutilidades com os amigos de trabalho ou rindo da cara das pessoas dentro da sala de aula, somos candidatos certos a esse sentimento de monotonia.

Não procure mudar seus sentimentos, mude seus hábitos e o resto virá como consequência. Eis algumas coisas simples que podem ser feitas para virar esse jogo:

  1. Altere algumas rotinas de sua vida. Às vezes não podemos mudar o que fazemos. Se esse é o seu caso, comece a fazer diferente. A repetição muitas vezes rouba o sentido do que fazemos. Isso é verdade em todas as áreas. Se um músico tocar a mesma música sempre, vai cansar aos outros e a si mesmo. A própria Bíblia diz: “Cantai, ao Senhor um cântico novo”, uma rotina de culto destrói o sentido da vida em Deus, a mensagem do evangelho, precisa mudar sua linguagem para não perder o sentido, em cada geração. O próprio casamento sofrerá um desgaste se de tempos em tempos declarações de amor novas não forem proferidas ou uma visita a novos lugares não acontecer.
  2. Acrescente uma nova dimensão em sua vida. Se você não costuma praticar esportes, comece. Se você não tem o hábito de ler, escolha uma temática interessante para desenferrujar o cérebro. Muitos vão rir agora, mas conheço um gaúcho muito macho e de família, que gosta de fazer ponto cruz. Isso mesmo ponto cruz. Minha própria esposa teve seu ânimo renovado ao começar a fazer um curso de pintura em tecido. As rotinas podem matar, mas nós também podemos mata-las se assim desejarmos, em lugar de ficar culpando os outros pelo nosso desalento.
  3. Jogue o lixo da sua vida fora. Existe gente que gasta um tempo desproporcional conversando bobagem. Claro que há tempo de relaxar, e o arco constantemente retesado perderá seu vigor, mas minha observação é de que tem gente exagerando na dose. Quem fica ouvindo fofocas o tempo inteiro, ou fazendo chacota dos outros, certamente perderá seu ânimo com a humanidade. Precisamos de conversa boa, desafiadora, instrutiva. Quanto desse tipo de conversa você tem tido? Outros acumulam lixo no seu físico. Comem porcarias, e comem muito, e ainda ficam orgulhosos de seu descontrole. Só que lixo só produz mau cheiro, atrai ratazanas e toda espécie de doenças físicas, mentais e espirituais.

Para encerrar a inspiração de um estilo de vida que é uma guerra aberta ao desânimo.

Howard Hendricks é professor de seminário e formou muitos líderes cristãos nos EUA. Ele é um exemplo de energia e longevidade no ministério. Ele ministra a mais de 50 anos a matéria “Exposição da Bíblia e Hermenêutica”.

Um dia um aluno passou pelo seu escritório altas horas da noite e ficou intrigado que a luz estivesse acesa. Curioso, no outro dia ele perguntou ao “Profe”   (como é conhecido entre os alunos) o seguinte :

– O que o senhor estava fazendo àquela hora da noite no seu escritório, “Profe”?

– Preparando a aula da próxima semana? Respondeu Hendricks.

– Lecionando há tantos anos a mesma matéria, ainda se prepara para aula?

– Claro, meu filho, não quero que meus alunos bebam de água parada, mas água corrente e fresca!

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.