O cenário da Cruz continua o mesmo!

“Não havia nada de atraente nele, nada que nos levasse a olhá-lo com atenção.”

Isaías 53

O que a Cruz revelou no passado continua revelando hoje.

Ali discernimos o homem, o pecado e Deus da mesma sorte que vemos hoje.

Ainda vendemos nosso Cristo por 30 moedas de prata. Ou por R$ 900,00.

Ainda gente boa na hora que o bicho pega foge da Cruz.

Ainda o silêncio misericordioso dos céus é interpretado como omissão. Desce da Cruz é o que pedimos. Quem ficaria de pé se a face do juiz divino se revelasse sem freios?

Ainda fazemos pouco caso dos perdedores, ainda preferimos tronos suntuosos aquela velha Cruz.

Ainda matamos o amor por inveja, avareza e medo.

Ainda o pecado é cruel, sujo, contundente e irrefreável.

Ainda a humanidade está falida.

Ainda não achamos graça numa pregação que não venha acompanhada dos signos externos de poder.

Ainda o poder político se presta para servir a conveniência de poucos do que a justiça.

Ainda aqueles que sabem e viram o bastante para formar uma opinião da verdade estão ausentes do lugar onde deveriam estar.

Ainda as incensadas incertezas dos intelectuais cedem lugar ao protagonismo de quem é convicto em sua iniquidade.

Ainda queremos matar Deus. Ele continua sendo um estrangeiro para nós.

Ainda há só um jeito: graça.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

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Você crucificaria Jesus?

Se você se arrepia de ver a intimidade e afeto que Ele tem com aquela prostituta, sem se importar com o que  aquilo parece. Se tudo isso o deixa profundamente incômodo, pois afinal é preciso cuidar com a aparência do mal, e claro até seu futuro religioso pode estar em jogo ao fazer parte dessas loucuras, talvez seja o momento de abrir fora.

Se você se irrita quando alguém que não merece é bem tratado, acolhido ou pago, então você já começou o trabalho.

Se você se incomoda porque ouve que o dinheiro, (ah o dinheiro que resolve tanto os nossos problemas) é uma grande armadilha no caminho espiritual, posso sentir daqui o seu desconforto.

Se você gosta de ocupar os holofotes, de ser cumprimentado por todos, de ser lembrado sobre suas boas obras, de ser honrado, talvez esse homem que se diz Deus seja uma sombra para você na sua instituição. Então porque tolerá-lo e deixa-lo crescer a um ponto sem retorno?

Se o seu negócio é o tráfico de poder, intimidar quem pensa diferente, ameaçar, pisar cachorro morto e colocar todo mundo no seu lugar, então essa pregação inofensiva que não grita no meio das ruas, nem esmaga a tocha que fumega, talvez atraia o seu gosto por sangue.

Se você sente seus sonhos pessoais ameaçados por seu chamado a uma vida de serviço ao próximo, então talvez você considere que algo precisa ser feito logo.

Se você vê toda a sua religiosidade rasa e descomprometida desmascarada por suas palavras, então pode ser que ele seja mesmo um inimigo real.

Se Ele tem derrubado seu ganha pão no templo, tentado se intrometer em uma  vida perfeita como a sua, que funciona muito bem obrigado, talvez eu veja você tramando.

Se Ele conta histórias em que o vizinho espírita é o grande herói e o pastor protestante uma figura indiferente, a chapa está esquentando.

Se Ele não costuma aparecer em suas festas tão asseadas com gente estudada e interessante, que diagnosticam com precisão os problemas do mundo sem jamais olhar o próprio coração ou mover uma palha, mas dá preferência para gente mais simples, que mal sabe fazer a diferença entre o pretérito perfeito e o futuro do presente, então não há porque tolerar esse galileu presunçoso e de mau gosto.

Se você tentou comprar sua atenção com promessas mal intencionadas, com louvores calculados e falsas devoções e não o viu  mover um músculo de impressionado, ah meu amigo sei o quão frustrante isso pode ser. Sempre foi, sempre será. Esse nazareno não se deixa domar pelas manhas de ninguém. Vamos crucifica-lo e assim teremos justificativa dizendo: era apenas um louco pregando um grande devaneio que Ele chamava de boas notícias.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Cinco desatenções que tiram nosso foco espiritual

Poucas pessoas que eu conheço, conseguem manter a vitalidade espiritual ao longo da vida. E a razão é bem simples: elas deixam de olhar para Jesus. O texto dos Salmos diz: “Os que olham para ele estão radiantes de alegria; seus rostos jamais mostrarão decepção.”  A medida que fui envelhecendo acumulei cicatrizes de vida. Recebi minha cota de decepções, fracassos, e feridas. Fui vítima e fui vilão. Mas quando sinto que estou afundando, sei que preciso reajustar meu foco. Tudo cansa nessa vida, os louvores, os pastores, a liturgia, as programações, se os olhos se desviarem de Jesus. É Cristo quem dá sentido as coisas simples que fazemos. Sem Jesus você afunda, mesmo que se encontre em um ambiente altamente ativo e religioso.

Como Pedro no barco, olhamos para os ventos fortes que nos ameaçam e perdemos a capacidade de andar sobre as águas. Posso alistar cinco desatenções que tiram seu foco do centro de vitalidade espiritual que é Jesus.

1. Propaganda de qualidade. O diabo é excelente marqueteiro. O pecado está muito bem auxiliado de argumentos, luzes bonitas, talento e arte. Tanto é assim que sorvemos veneno como se fosse um néctar divino. Faça como tantos outros já fizeram… é o que diz o comercial. (1)  O diabo faz o jogo e mostra e esconde com a gente.

Ele mostra as palavras promissoras do adultério, mas esconde o choro de quem será ferido.

Ele mostra tudo o que você não tem, mas tapa os olhos pra tudo o que você recebeu.

Ele mostra a breve doçura da vingança, mas coloca uma cortina de fumaça sobre o interminável ciclo do ódio.

Ele mostra o frenesi da fama, mas omite a necessidade da máscara, o medo de ser esquecido, a invasão de privacidade e as amizades interesseiras.

Ele mostra o poder que dá o dinheiro, mas não menciona o quanto tempo, alegria e paz arranca o dinheiro.

2. Dedos acusadores. Tem gente que está sempre desenterrando os ossos de nossas falhas, se você ouvir, vai afundar. Muita gente guarda os seus pecados no bolso para te fazer sofrer, mas quando você olha para Cristo, ouve que todos os seus pecados foram lançados nas profundezas do mar. (1)

3. Minorias barulhentas. É gente bem organizada que se pronuncia com muita articulação para manter tudo como sempre foi para destruir e jamais organizar. Eles tentam se apropriar de Cristo, falar em nome de todos e acabam confundindo nosso coração. Lembre que são sempre minorias.

4. Personalidades fortes. Nenhuma personalidade pode ter maior ascendência sobre a sua vida do que Jesus. Nem pai, nem mãe, nem amigo. A igreja em Corinto começou a entrar em um processo autofágico quando começou um culto a personalidades. (2)

5. Tradições antigas. O gosto por tradições antigas toma a forma de manias pessoais. Tem gente que não viaja para crescer porque a cama que vai ficar não é igualzinha a sua, ou porque a rotina não obedece ao seu gosto pessoal. Ouvi falar de um homem que ganhou uma máquina de lavar nova em folha, mas se recusa a usá-la, pois não quer abandonar o costume de lavar sua roupa a mão, e também não permite que a família use a máquina. Tem muita gente cujas manias pessoais têm força de Palavra de Deus em sua vida e por isso vive um processo de decadência. Para seu bem, não cultive essas esquisitices, pois elas acabam evoluindo a ponto de se tornarem uma paranoia. (3)

Volte para o foco. Você vai ouvir, comer e beber do melhor. Pode ter certeza.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Miquéias 7:19

(2)  I Coríntios 3:1-5

(3)  Marcos 7:13