Seis razões para o avanço do ateísmo entre jovens.

Richard Dawkins

Richard Dawkins

É fato, o ateísmo está crescendo entre os jovens: veja essa matéria. Gostaria de investigar algumas razões para isso a fim de trazer subsídios para pensarmos em um caminho de retorno e talvez de precaução. Eis o que venho pensando:

1. Cristãos e igrejas com projetos de poder e dominação. A todo o momento eu me pergunto como os ditos cristãos não conseguem perceber os delírios megalômanos dos seus líderes, e quão distantes seus projetos estão do que Cristo propôs e exemplificou nos evangelhos. Então não é de se admirar que “o Corpo de Cristo”, tão diferente dEle mesmo, cause repulsa nas pessoas. Como já ouvi alguém de fora dizer: Se esses que estão falando de Jesus serão os habitantes do céu, me desculpem mas prefiro ir para o inferno!

2. Pais ausentes. Já escrevi sobre isso, mas não canso de dizer. Uma geração sem pai está vários passos atrás na jornada espiritual de encontrar o Pai. Os novos ateus que encontro poderiam mudar a frase “não acredito em Deus” para “não acredito no meu pai” sem que seu discurso perdesse o sentido, justamente porque o pai é a (me desculpem o paradoxo da declaração) razão afetiva da descrença ressentida deles.

3. A propaganda de que a tecnologia resolve todos os problemas. Segundo a cartilha pós-moderna, tudo que eu preciso está ao alcance de um clique! Aquele jovem inexperiente com as reais exigências da vida e desconectado com seus mais profundos anseios compra essa mentira e pensa que está vivendo na ilha da fantasia da deusa tecnologia. A semelhança dos povos antigos que dependiam da presença do sol para a maioria das coisas importantes  que faziam e terminaram adorando-o, da mesma maneira o jovem do século XXI rodeia-se de bugigangas tecnológicas para tudo que julga fundamental e instintivamente adora no altar tecnológico.

4. Cristãos mal preparados nas universidades. Como diria C. S. Lewis, a boa filosofia deve existir, se não for por outra razão, que seja para combater a má filosofia. Poucas igrejas preparam seus jovens para o embate de ideias que enfrentarão na universidade. Sem preparo, ele acaba intimidado, e no coração começa a duvidar do que lhe foi ensinado. É uma guerra espiritual, pois uma ideia uma vez que conquiste a mente, governará o indivíduo. Está mais do que na hora das lideranças prepararem seus membros para o debate de ideias da universidade.

5. Selva de pedra. O salmo 19 diz que a criação é um livro que discursa sobre a glória e o desígnio inteligente de Deus. Um estudante de veterinária ao estudar os animais e a biologia me disse que não era possível descrer da existência de Deus diante de tamanho detalhamento no funcionamento do mundo animal. Parece que a rotina da cidade grande e suas estruturas de concreto cria uma cortina de fumaça nos olhos espirituais do homem. Tom Jobim faz uma preciosa confirmação dessa verdade quando diz: “A vida tem um sentido oculto, certamente. Fui criado em ambiente cético, de maneira agnóstica. Diante da natureza, sinto que toda a negação é ingênua, que Deus não nos teria criado para o nada”.

6. Desobediência aberta. “Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor…” Uma verdade simples e objetiva é revelada no evangelho: é na obediência que conhecemos a Deus. Esse conhecimento é experiencial. E isso se dá quando eu aprendo e coloca a Palavra em prática na minha vida. A desobediência é uma forma de ignorar a Deus, e a prática de ignorar a Deus acaba dando a mente e ao coração a falsa convicção de que Deus de fato não existe.

Que essas questões nos forneçam pistas de um caminho alternativo para alcançarmos esses corações desalentados e talvez entendermos um pouco a nós mesmos.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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Acertando as contas com papai!

“Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais; do contrário, eu virei e castigarei a terra com maldição.”

Malaquias 4:6

Um amigo meu cujo pai era músico de primeira, às vezes encontrava seu pai chorando enquanto tocava o violão. Intrigado ele perguntava o que estava acontecendo. O pai respondia: Filho, apesar dos muitos anos ainda sinto saudades do meu pai. Quando toco lembro-me dele.

Perdi meu pai no dia 23 de julho, não faz um mês. E esse é o primeiro ano que não tive ninguém para ligar e cumprimentar no dia dos pais. Quando era criança eu ansiava tanto por ele, que sua ausência provocava um caos no meu relacionamento com os outros. Foi Cristo quem pacificou meu coração. Aprendi a memória seletiva. Fiquei apenas com as boas lembranças sem repisar o que passou. Agradeço a Deus pelo que foi, e celebro o que virá.

Digo estas coisas para reforçar uma verdade, que Freud evidenciou, mas que qualquer observador atento poderá concluir: o pai é a coluna afetiva na alma da gente. Ansiamos por paternidade. Nosso relacionamento com ele afeta nossa teologia, nossa capacidade de liderança, nosso trabalho e nossa paz. Por mais injusto que isso possa parecer, o pai afeta a alma do filho mais do que a própria mãe. Lutamos por sua aprovação, brigamos com sua condenação, procuramos por ele em tudo que fazemos.

O GNT, canal por assinatura produz um daqueles raros bons programas da TV, chamado “Em Busca do Pai”. Ali são tomados depoimentos de várias pessoas que demonstram de forma comovente como o pai é central na nossa formação humana. Milton Gonçalves conta como seu reencontro com seu pai foi decepcionante após um abandono aos seis anos de idade. Ele declara: “Um pai não tem o direito de abandonar seu filho.” Logo em seguida o programa mostra a vida de um historiador que desconhece seu pai. A angústia de não saber nem ter ideia de quem é seu pai é evidenciada no lamento que ele faz: “Mesmo sendo pai, ainda hoje o dia dos pais é um dia difícil.”

Por força dessa experiência tão comum em uma sociedade em que as mães dão de 10 a zero nos pais, que os filhos ficam tão vulneráveis a outros pais perigosos:

Namorados canalhas

Traficantes.

Líderes abusivos.

Filosofias ateístas.

Como você se sente em relação ao seu pai? O que você sente vai liberar um destino para sua jornada. Antes de dar continuidade na sua vida, você precisa resolver essa questão central.

Alguns sentem ódio. Existem pais que palmilharam o caminho do inferno em suas vidas e foram especialistas em impingirem sua maldade sobre seus filhos. As marcas de sua perversidade é um peso para você. Mesmo assim para o bem de sua alma o único caminho de saída para o ciclo do ódio é a porta do perdão. Saia por ela. É uma decisão que Deus vai lhe ajudar a fazer.

Outros sentem idolatria. Às vezes a sombra de um pai altamente competente nos paralisa e assombra de tal forma que preferimos fugir de uma vocação, ou de tentar ser bem sucedido escondendo nosso medo por detrás de um comportamento transgressor.Pense nisso e liberte-se dessa imagem opressora para poder ser quem você é, pela graça de Deus.

Alguns sentem profunda decepção. A quem vive isso quero lhe dizer: lembre-se que seus pais herdaram também a limitação dos próprios pais. Lembre-se que você vai falhar também. Lembre-se que os pais que parecem ser perfeitos com os quais você compara seu próprio pai, na intimidade também revelam suas maldades.

Alguns sentem distância. Se você não consegue proximidade com seu pai, tenha cuidado para que você não transfira para todas as figuras de autoridade essa mesma distância. Abra seu coração para que alguém abençoado possa ser um pai substituto, um pai espiritual.

Alguns sentem saudades.  Fique em paz com suas saudades. Nem tente apagar isso do seu coração.  Simplesmente dê graças a Deus porque a saudade é o cheiro de vivências boas que nossa alma guardou dentro de si.

Alguns sentem culpa. Pelo que disseram ou  pelo que não fizeram ao pai que já não está mais aqui. Ora, na cabeça de quem fica parece que faltou mais um abraço, mais um beijo. Perdoe-se, pois Deus perdoa. Olhe para Jesus, pois Ele não vai te acusar.

Que o Senhor nos dê graça.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

Não posso ser o melhor amigo do meu filho!

Fabrício Carpinejar, no Blog do Carpinejar

Não posso ser o melhor amigo dos meus filhos, mas realizar uma oposição criativa.

Tenho que dizer coisas desagradáveis que nenhum melhor amigo diz, como “tá na hora de tomar banho!”, “acabou o tema?”, “não volta tarde”, “põe o casaco”.

Sou pai, necessito orientar, não concordar sempre e falar amém para aventuras.

Não quero mesmo que meus filhos contem tudo, quero que saibam que podem me contar tudo.

Não preciso saber seus segredos para que eles tenham confiança em mim.

Que possam manter um pouco de sua intimidade até longe de mim para que eu não fique toda hora opinando.

Ser pai é um papel difícil, é segurar o sim, é segurar o não, jamais temer tomar partido.

Pai não fica em cima do muro, é o muro.

É limitar as vontades, ser determinado, firme.

Sem meio-termo: errar e pedir desculpa, acertar e comemorar.

Não posso ser legalzinho. Pai legalzinho demais tem culpa no cartório. Tem medo de perder o filho e faz todas as vontades dele. Fazer todas as vontades do filho é perder o filho.

Posso ser legal. Isso sim. Legal. Filhos vão gostar de mim e vão me odiar.

Vão gostar de mim me odiando.

E preciso permitir que os filhos me odeiem. Que me critiquem. Que me xinguem.

Para eles poderem me superar, ser melhor do que eu.

Que falem mal de mim nas costas. Mas nas costas. Que é preciso ter educação até para falar mal. Falar mal do pai é unir os irmãos – eles têm um assunto em comum.

Passarão vergonha com meu amor. Gritarei gol durante os jogos da escola, contarei piadas sem graça para seus amigos. Terão orgulho também de mim. Quando algum professor perguntar o que eles são do Carpinejar.

Pai é passar da idade, é envelhecer para o filho entender que é de outra geração.

— Não viu essa banda no Youtube, pai? Que bizarro…

Pai é a honestidade da lembrança. É a franqueza do gesto. É a responsabilidade.

Assumir o que se vive, não ficar procurando culpados.

Ser pai é dar a cara ao tapa esperando o beijo.