Sepulcros pintados ou vasos de barro?

Quando o pecado se torna um fenômeno objetivo e mensurável é por que como uma doença grave, ele já dominou o coração, a mente e o espírito.

O problema entre comunidades de seres humanos é a obsessão com aparências e com pecados visíveis. Enquanto isso os  não mensuráveis, ou seja, que não podem ser observados objetivamente, permanecem por longos anos alojados dentro do coração sem serem tratados, mas causando mal de maneira até pior.

Já vi igrejas inquisitoriais que tratam pecado sexual com requintes de detalhes para deleitar os ouvidos dos membros “santarados”, mas jamais vi alguém ser disciplinado por avareza, corrupção na política ou vaidade.

Quem pode quantificar a inveja, se ela pode ser disfarçada de “senso de justiça”?

Quem pode quantificar o orgulho, se ele voltar-se para seus questionadores chamando-os de “despeitados”?

Quem pode quantificar o partidarismo, se ele se justifica como “opiniões fortes”?

Quem pode quantificar a avareza, se o meu dízimo garante a leniência das lideranças?

Mas quem pode negar sua força devastadora?

O pecado que habita em nós, sempre encontra para si poderosas racionalizações.

Por isso o evangelho de Cristo tem na sua essência o exame de coração. O apóstolo Paulo ordena: examine-se o homem a si mesmo.

Pois o coração é o lugar onde começa e termina a verdadeira espiritualidade.

Quando Jesus faz referência ao adultério no coração, não tem por objetivo tornar a lei mais condenadora, mas tornar o exame mais profundo! Até por que atirar pedra nos outros não era uma prática que Jesus apreciasse.

Quando os judeus legalistas se empolgam com o apedrejamento de uma prostituta, a sua resposta: “quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”, é outra linguagem para “olhem para dentro de vocês”.

Nossa preferência por quantificação de pecado tem razão no maior pecado de todos: o orgulho. Quantificando posso dizer quem está melhor, me sentir melhor do que os outros.

Quantificando, posso esquecer a assustadora tarefa de olhar para dentro de mim mesmo.

De minha parte quero seguir a Jesus, e liderar de dentro para fora. Para isso, levo muito a sério, perguntas que me fazem olhar minha alma, como as que seguem. Espero que ajudem você também:

Seu relacionamento com Cristo está crescendo em intimidade? Explique.

Você sente que está dando o seu melhor servindo aos outros? Por quê?

Você tem procurado conselho espiritual para tomar decisões importantes de sua vida?

Seu ministério tem sido feito com alegria ou se tornou um fardo pesado? Por quê?

O que as pessoas dizem sobre você como líder corresponde ao que você vê em si mesmo?

Você tem colocado o desejo de agradar a Deus acima do desejo de agradar as pessoas que ministra? Tem confrontado as pessoas com amor e na verdade de Deus?

Existe alguém na sua vida que você permite que repreenda você sem que você entre em crise?

Você tem sido leal aos seus companheiros de vida cristã, ou seja, não fala mal deles, mesmo quando eles não estão presentes?

Você tem sido pontual nos seus compromissos ministeriais da mesma forma que é pontual no seu trabalho?

Como está o seu ritmo de vida? Devagar, equilibrado ou acelerado?

Você tem separado um dia na semana para descansar de todo trabalho? Se não, por quê?

Quais são as maiores críticas que você ouve do seu cônjuge? Você já considerou que elas podem ser verdades?

Como você tem lidado com o fato de muitas vezes não ter seu trabalho reconhecido?

Quanto tempo você gasta por dia com internet e TV?

Você tem conseguido não fazer nada sem se sentir culpado?

Você tem guardado as confidências das pessoas, só falando com a permissão deles?

Você gasta o que ganha, gasta menos do que ganha ou gasta mais do que ganha? Por quê?

Há algum tipo de inveja no seu coração de algo material, dom, ou amizade que alguém próximo seu tem?

Você se percebe mais brando ou mais duro no trato com outras pessoas?

Qual foi a última palavra de encorajamento que você deu a alguém?

Para começar estas são boas, mas essa jornada não termina até que venha aquele que é perfeito.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Pesquisa revela o que as pessoas consideram pecado hoje em dia

Para os judeus existem centenas de pecados. Tradicionalmente, o catolicismo aponta os sete pecados “capitais”: inveja, gula, ira, soberba, luxúria, avareza e preguiça.  Essa preocupação em estabelecer uma lista surgiu durante o Concílio de Trento (1545-1563), convocado por Felipe II, rei da Espanha, e coordenado pelo papa Paulo IV. O objetivo do concílio era fixar com clareza os dogmas da Igreja Católica.

Os tempos mudaram e parece que hoje em dia a lista de pecados é bem diferente. Um novo estudo do Instituto Barna examinou quais as tentações as pessoas parecem enfrentar mais comumente e como conseguem lidar com essas “iscas” morais e éticas.  A pesquisa foi realizada em conjunto com um projeto de livro de Todd Hunter, chamado “Nossos Pecados Favoritos”.

Curiosamente, parece que a tecnologia tem gerado uma nova categoria de pecados. A pesquisa mostra quase metade dos entrevistados (44%) dizem que são tentados a gastar muito tempo com isso, incluindo vídeo games, internet, televisão e vídeo. Outra “nova” tentação relacionada à mídia é expressar raiva ou “detonar” alguém por mensagem de texto ou e-mail. Em geral, uma em cada nove pessoas (11%) diz que se sente tentado a fazer isso às vezes ou frequentemente.

Embora os pecados sexuais não sejam novos, ver pornografia online continua a crescer e assumir um papel de destaque. Cerca de um em cada cinco entrevistados (18%) diz que são tentados seguidamente a ver pornografia ou conteúdo sexual na internet. Os homens (28%)  confessam sentirem-se mais tentados a ver pornografia que as mulheres (8%).

Não é de estranhar que os mais jovens, que nasceram em um mundo mais voltado à tecnologia, são mais propensos que a média a lidarem com essas tentações modernas. Mais da metade dos entrevistados com menos de 20 anos (53%) dizem que ser fortemente tentados a passar tempo demais online e um quarto (25%) diz sentir vontade de usar a tecnologia para expressar sua raiva contra as outras pessoas.

Pecados mais antigos como “comer muito” (gula) continua sendo um dos primeiros nas listas de tentações (55%). Já a conduta sexual imprópria é admitida por menos de um em cada dez pessoas (9%). Como era de se esperar, as pessoas mais velhas tem menos problemas com tentações relacionadas ao sexo (3%).

Por outro lado, cerca de um terço dos entrevistados admitem que gastam mais do que deviam  (35%), um em cada quatro (26%), diz que fazer fofoca ou dizer coisas negativas sobre os outros é uma tentação comum. Inveja ou ciúme (24%) ainda é um pecado mais corriqueiro que  mentir ou trapacear (12%) e logo após vem a tentação a usar álcool ou drogas (11%).

Enquanto as pessoas que viveram séculos atrás não considerariam a procrastinação e a ansiedade como atitudes pecaminosas, essas parecem ser as tentações que as pessoas estão mais propensas a admitir.

Três em cada cinco (60%) dizem que são tentados a se preocupar ou ficar ansiosos o tempo todo. O mesmo número diz que procrastinação é um grave tentação para eles. Na mesma linha, 41% admitem que são tentados a ser preguiçosos e não se dedicar tanto ao trabalho quanto deveriam.  Curiosamente, nas tentações relacionadas com o trabalho, os evangélicos são mais propensos que os católicos a vê-las assim (57% dos protestantes acreditam que a procrastinação é uma tentação e 40% admitem ser preguiçosos os números de católicos são, respectivamente, 51% e 28%).

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David Kinnaman, presidente do Grupo Barna, foi um dos lideres do estudo e fez uma breve análise dos resultados, destacando quatro pontos:

* Primeiro, o conceito de moralidade está passando por uma mudança. Um exemplo disso é a forma como a tentação “virtual” cresceu. Para os líderes religiosos, essa mudança reforça a importância da inclusão de tecnologia como parte de uma discussão mais ampla sobre a espiritualidade e mordomia do tempo.

* Segundo, os mais jovens parecem ter uma perspectiva moral distinta quando comparada com as gerações mais velhas. Aparentemente, eles não veem a tentação como algo a ser evitado, mas sim uma característica da vida moderna.

* Terceiro, problemas no trabalho está no topo da lista de tentações atualmente. Prova disso é que os entrevistados parecem mais preocupados com a procrastinação e produtividade, reforçando os conceitos de preguiça e inveja como “pecados capitais”.

* Por fim, apenas 1% das pessoas são capazes de perceber que ceder à tentação é, de fato, um pecado. A maioria dos entrevistados parecem ver a tentação mais como um fluxo constante de altos e baixos que as pessoas precisam lidar. Isso revela uma longa distância entre os conceitos bíblicos de pecado e de santidade e o pensamento moderno.

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Fonte: Gospel Prime

Alguns são culpados, todos são responsáveis

“Não há nenhum justo, nem um sequer”

Romanos 3:10

‎”Ah se tudo que realmente existisse, fossem pessoas más agindo insidiosamente em algum lugar, e tudo que precisássemos fosse separá-las de nós e destruí-las. Mas a linha que separa o bem e o mal cruza o coração de cada ser humano, e quem está disposto a destruir um pedaço do seu próprio coração?”

Alexander Solzhenitsyn

James Holmes 24 anos é o nome de mais um tímido e solitário americano, como foram também todos os outros americanos que mataram em Columbine, Virginia Tech, Chardon. Já nos habituamos a ouvirmos essas histórias das bandas de lá. Parece que é questão de tempo até que tenhamos notícias de um novo massacre do tipo. Será que são apenas coincidências? Os jornais dizem nas manchetes que o sucedido reabre um debate sobre o acesso fácil que os americanos têm as armas. As pesquisas revelam que o americano médio, fica chocado com as mortes, mas não muda convicção nenhuma em razão delas. Se quisessem evitar que a mesma história continuasse a se repetir como tem sido, a reflexão deveria ser diferente. Em razão da indústria da notícia, que ganha muito com reproduções cinematográficas a atenção acaba sempre se voltando para as vidas dos assassinos e os detalhes sobre a sociopatia deles.

O raciocínio individualista e os interesses econômicos acabam destruindo a capacidade de diagnóstico preciso. O problema é dele, não é nosso é o que se pensa. Cômodo, mas não  honesto. O fato é que não se pode isolar o problema de um homem do contexto onde ele vive.  Quando vejo esses crimes em série penso que é incrível que se passe por alto essa violência brutal que um adolescente  é exposto desde cedo na sociedade americana. Pelos enlatados televisivos que recebemos de lá podemos perceber o quanto um jovem precisa ser competitivo, popular, enquadrado em certo tipo específico de beleza para conseguir ter dignidade entre seus pares. Não é de estranhar que alguns reajam com outro tipo de violência, especialmente os tímidos que parecem não ter vez por lá. James Holmes será julgado culpado, mas todos são responsáveis.

Em outros tempos da história do Brasil, as famílias condenavam oficialmente as prostitutas chamadas de mulheres de vida fácil e esse moralismo acusatório parecia dar um ar de nobreza aos outros. Na verdade uma olhada na história dessas mulheres revela que não havia nada de fácil na vida que escolhiam, haja visto que em sua maioria esmagadora elas eram  órfãs, ou tinham sido abandonadas, quase nenhuma se prostituía por prazer. A hipocrisia era tanta, que o pai de família ao mesmo tempo em que se posicionava a favor da moral e dos bons costumes no discurso politicamente correto, era o mesmo que consumia os serviços carnais prestados pelas prostitutas. As prostitutas tinham culpa, mas todos eram responsáveis.

Dois anos atrás, Davi Silva líder do grupo Casa de Davi, veio a público assumir que durante anos mentiu sobre visões, experiências sobrenaturais e curas que testemunhou em encontros concorridos nos quais falou durante mais de 10 anos. A liderança do ministério apresentou sua confissão e pedido de perdão. Entre pedradas ressentidas e ofertas de perdão, não se ouviu nem se fez uma tentativa de reflexão sobre a responsabilidade da comunidade pentecostal em sua busca pelo sobrenatural como um fim em si mesmo, ou sobre o papel das multidões que honram as visões e as palavras “novas” mais do que a fidelidade e o caráter. Davi Silva foi culpado, mas a espiritualidade pentecostal também é responsável. Poderíamos para sermos justos mencionar os frequentes tropeços de pastores relacionados à  sexualidade nas igrejas tradicionais, que embora sejam zelosas e duras ao disciplinar não contabilizam na mesma ordem muitas restaurações.

Assim como não posso  desconsiderar que os problemas de caráter e temperamento que os meus filhos evidenciam no dia a dia  são de alguma forma minha responsabilidade, não posso deixar de perguntar a mim mesmo quanto dos problemas da universidade, do ambiente de trabalho, da igreja tem em mim um cúmplice seja pela omissão, seja pela ação desastrada. Gostamos de produzir monstros para legitimar nossa própria loucura.

Creio que foi isso que Jesus quis dizer quando confrontou os judeus que desejavam a morte da prostituta, mas que se esqueceram de trazer o adúltero também, em uma atitude machista e discriminatória. Ele não disse que o pecado não era feio, só comprovou que todos eram responsáveis. (1)

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    João 8:1-11 e Levítico 20:10