Que tipo de velho você vai ser?

“Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.”

Salmos 90:12 

Há um lado da velhice que ninguém pode escolher.

A pele de pêssego se transformará em uva passa.

A explosão atlética dos vinte poucos anos se transformará em passos de tartaruga involuntários.

O pensamento rápido e a memória prodigiosa vão cedendo seu lugar ao esquecimento.

Sim, apesar de você negar ou não querer ler sobre isso, a cada dia que passa você está com a pele mais opaca, movimentos mais lentos e com a mente se embotando. Tão lentamente que você não perceberá, a não ser que olhe uma foto antiga, tire um vídeo de VHS do porão poeirento da sua casa ou tente voltar aos bancos escolares.

Mas há outra face da velhice que você vai escolher. É a parte da alma. Do coração.

Pessoalmente já conheci vários tipos de velhos.

o velho senhor luiz

Conheci velhos bagaceiros, que não aceitavam o fato de não poderem mais conquistar as meninas mais novas e que se colocavam em situações ridículas tentando bancar os meninões com seus setenta anos.

Conheci velhos resmungões, cujas lutas e decepções deixaram feridas abertas que se transformaram em uma ladainha cansativa.

Conheci velhos calados, sem esperança, só esperando a morte chegar.

Mas conheci velhos indômitos, que não tem vergonha de conviver com os que são de sua idade nem de sentar e aceitar as precipitações juvenis. Que aceitam  rir do seu reumatismo, de fazer as coisas no seu ritmo, enfim aceitar suas perdas.

A velhice é  a ponta do iceberg de nossa vida. Quando for velho você não terá mais a mesma energia que possuía para disfarçar e esconder quem  é, e tudo que sempre foi saltará das profundezas.  O velho que você  será é esse ser humano que está sendo construído agora, só que multiplicado. Nada acontecerá por acaso. Na atitude diante das perdas, das oposições, na elaboração de suas feridas interiores, na descoberta de suas necessidades mais viscerais.

Você vai errar mais do que imagina, mas o que mais vai importar é como você vai reagir diante dos seus erros. Perdoar a si mesmo, às vezes é a mais difícil das tarefas, mas aqueles que o fizerem encontrarão a vida.

Você vai sofrer perdas, por mais que tente controlar tudo a sua volta. A dor estará sempre por perto. Mas como sofrer sem perder o coração? Tanto quanto luta por suas conquistas, aceite também suas perdas. O Homem de Dores de Isaías 58 poderá nos ensinar se a gente decidir viver perto dele sempre.

Você terá sucessos surpreendentes. Mas como ser bem sucedido sem se achar. Como guardar a simplicidade quando as pessoas nos tratam com semideuses, quando nos elogiam sem cessar? Como permanecer sóbrio diante desse narcótico que é o sucesso? Como não maltratar pessoas importantes, como manter a alma vigilante? Não sei, mas continuar perguntando pode ajudar.

Você será exposto a situações inusitadas, situações nas quais a experiência nada terá a lhe dizer. Aproveite, serão momentos em que a palavra “confiar” será a chave da saída, e a palavra “aprender” o grande sentido.

Os pecados não tratados  ficarão mais enraizados do que nunca. Ganharão a ajuda das racionalizações, das generalizações e do hábito. Terríveis aliados que terão poder de derrubar e humilhar.

Os panos quentes sobre os problemas de relacionamento retornarão como azedume.

Então…

O que você está fazendo? Está gostando do tipo de pessoa que você está se tornando? Poderia conviver na mesma casa com uma pessoa exatamente igual a você?

Que tipo de velho você será? A resposta se encontra no dia que se chama hoje. Faça logo o que você precisa fazer antes que chegue o crepúsculo dos dias onde tudo é mais definitivo.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

Das limitações do conhecimento

“A sabedoria está gritando, o discernimento levanta a sua voz, nos gabinetes dos líderes mundiais, na escola pede atenção, ela se coloca no comando das empresas, e no dia a dia das pessoas pede atenção. Ela está quase sem voz…”

Paráfrase pessoal de Provérbios 8:1-3

Sobreviver espiritualmente nesse século XXI depende da nossa capacidade de discernir a diferença entre conhecimento e sabedoria, e seguir a sabedoria.

Conhecimento é saber como a realidade é e funciona, sabedoria é a capacidade de transformar tudo isso em bem para o homem. É fácil perceber qual tem sido a escolha perversa da humanidade.

Os homens descobriram mistérios do inconsciente e em lugar de mais médicos da alma temos mais vendedores manipuladores.

Os homens aprenderam a duras penas depois do Iluminismo e da fracassada educação ateísta soviética que o anseio por Deus é algo inerente ao ser humano, e em lugar de responderem ao sagrado, elevaram a nona potência sua capacidade de explorar a fé alheia.

Os homens conseguiram enviar satélites para a órbita terrestre, cavaram a terra e nela colocaram cabos de transmissão, inventaram a internet e em lugar de uma irmandade universal criamos uma exploração abissal.

Inventamos as sementes a prova de pragas, conseguimos produzir mais alimentos por metro quadrado e estocar a salvo de qualquer ameaça, mas em lugar de resolvermos o problema da fome, temos mais desperdício do que nunca.

Descobrimos os planetas, novas galáxias, nos embrenhamos no cosmos, mas desconhecemos aqueles que moram dentro de nossa casa e que chamamos de família.

Governos sempre sabem como achar verba para subsidiar construções faraônicas como estádios de futebol, mas a educação e a saúde das pessoas morrem a míngua.

Desenvolvemos estradas para garantir a segurança dos homens, mas elas foram transformadas em uma passarela do ódio e do desrespeito.

Construímos  catedrais arquitetonicamente perfeitas com a justificativa de Deus, mas tudo que elas servem é para ser vitrine de homens sedentos pela glória que só pertence ao Altíssimo.

Criamos postos de trabalho, novas profissões para construirmos um mundo novo para aqueles que amamos, mas o preço que precisamos pagar é jamais podermos desfrutar da companhia de nossa família.

Produzimos bens dos mais diferentes tipos para ajudar o homem, mas para isso utilizamos o trabalho escravo desses mesmos homens.

Dizemos constante em alto e bom som que a felicidade é o propósito do homem, mas vivemos ensinando a nossos filhos desde pequenos a não se contentarem com nada.

Estudamos anos a fio em seminário o grego e o hebraico, e  a mais sadia teologia, mas em lugar das pessoas conhecerem a Jesus tudo que fazemos em nossas igrejas é deixar nas pessoas a sensação de quão inteligentes somos.

Onde está a sabedoria em todo esse conhecimento?

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Por que orar?

A motivação do ego oscila entre emoções, modas, tendências. À medida que nos acostumamos a orar, deixamos de ser levados por tais bagatelas.

Eugene Peterson

Se Jesus que era Deus precisou orar, eu também preciso. Poderia listar uma centena de razões, mas por enquanto vou listar apenas sete:

Porque Jesus orou?

1. Porque a oração é o banho de água fria depois da embriaguez do ego.  Um colega pastor costumava procurar seus companheiros de ministério depois das ministrações e olhar nos olhos deles  e dizer “Devolve essa glória pra Deus”.  Nosso “eu” é muito frágil e facilmente se deixa embriagar por qualquer sucesso ou conquista. É preciso orar para se colocar no devido lugar e manter a sobriedade.

2. Porque a oração é a psicanálise da alma. Muito dinheiro gasto com psicanalistas e psicólogos seria poupado se as pessoas se despissem da roupagem religiosa, da linguagem que fala muito mas não diz nada, das orações insossas que escondem ressentimentos, invejas, ódios e amarguras. Oramos aquilo que achamos que deveríamos de sentir, em lugar de rasgar a alma para Deus. É preciso orar para a sanidade emocional.

3. Porque a oração é o laboratório das experiências divinas. É na oração que comprovamos nossas afirmações teológicas mais profundas. Os teólogos em geral são uma classe que ora pouco, e por isso mesmo limitados no crer das possibilidades de Deus. Quem não ora vê só o que é, mas quem ora vê como as coisas podem ser.

4. Porque a oração é a melhor consultoria do Universo. Pedir a sabedoria a Deus deveria ser uma oração constante. Os líderes em especial são uma classe que precisa mais do que qualquer outra, pois as experiências antigas acabam nos deixando confiantes demais que já sabemos quais são os caminhos e as respostas, mas a vida não nos descansar na rede e nos surpreende sempre.  É preciso orar para fazer escolhas inteligentes.

5. Porque a oração é o nosso movimento filial para os braços do Pai. Existem carências interiores que acabam levando nossa alma para o pecado, mas não é preciso que seja assim. Quando precisarmos de um colo, podemos procurar a Deus. Mas certamente esse caminho será mais fácil se nos habituarmos a ele. É preciso orar para desfrutar da presença de Deus.

6. Porque a oração é a conspiração para implementação do Reino. Venha o Teu reino, Jesus nos mandou orar. Quando o desejo do Reino estabelecido se transforma em oração, uma igreja, sociedade e família sentirão o impacto poderoso daqueles que clamam.

7. Porque a oração é o posto de abastecimento do amor de Deus. Os inimigos podem nos cegar de ódio e vingança. Mas é impossível orar por um inimigo e continuar odiando-o. É preciso orar para amar os inimigos.

Por essas e outras, não pode haver discipulado sem oração.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.