O “não” também faz bem para alma

Há um músculo na alma dessa  geração que está subdesenvolvido e comprometendo o andamento de uma vida normal. Estou falando da arte de dizer não a si mesmo.

Somos ensinados a jamais aceitar um “não” como resposta, mas seria desejável que disséssemos a nós mesmos com maior frequência um sonoro e decidido não.

Talvez se Ruben tivesse dito não ao seu ciúme, Jacó não tivesse precisado chorar de saudade de José 13 longos anos.

SE Davi tivesse dito não ao desejo de possuir a bela Bate-Seba, ele não precisasse enfrentar a dor de ver sua família virar pó diante de seus olhos anos depois.

Se Acabe tivesse aceitado que Nabote tinha direito a sua vinha, um homem de honra não tivesse sido morto tão covardemente.

Se Pôncio Pilatos tivesse dito não ao desejo de agradar aos seus superiores e se dar bem soltando Barrabas e prendendo Jesus, teria tido o encontro mais revolucionário de sua existência.

Se Judas tivesse dito não ao desejo de ter muito dinheiro, tivesse sido um instrumento histórico de divulgação das boas novas.

Se os fariseus e saduceus tivessem dito não a vaidade de serem grandes nomes no cenário religioso e ostentarem cargos atrativos aos olhos humanos, eles teriam visto a vida diante de seus olhos e teriam se alegrado.

Segundo o espírito desta época viver sem limites parece tão romântico. Mas se não houvesse limites de cores, de traços não haveria pintura, nem obra de arte. Se não existisse limite de tempo e pausa não haveria música. Se não existisse o limite das regras, não haveria a graça do jogo. O mesmo acontece no campo espiritual.

Através do ensino de Jesus e da observação da experiência humana é possível entender claramente que uma série de “nãos” bem colocados pode ser a diferença entre um futuro incrível e uma vida miserável.

Vejamos alguns problemas comuns do dia a dia. Praticamente 90 por cento dos problemas de dívidas das pessoas está relacionada a incapacidade de economizar. E economizar significa dizer não a si mesmo. Na mesma toada podemos falar da obesidade crescente da população mundial, dos crimes passionais, a ambição dos líderes nacionais. Nada foge a simplicidade do que Jesus ensinou como caminho do discipulado: dizer não a si mesmo.

Diz o elogio do descontrole na música popular:

“É meu defeito, eu bebo mesmo

Beijo mesmo, pego mesmo

E no outro dia nem me lembro.

É tenso!”

Todo mundo que eu vejo nas ruas canta e ri, mas quando é vítima não acha engraçado. Porque viver sem limites não faz bem.  Em uma geração que rejeitou o evangelho não fica nenhuma referência ética, apenas a sensação de que algo está errado. Talvez as pessoas acabem entendendo tudo errado em função do legalismo que formata a vida no princípio da camisa de força o que também não é bom.

Há também aqueles que agem como crianças mimadas e choramingam pelos cantos os “nãos” que dizem a si mesmos. Se crermos com entendimento não teremos razões para isso conscientes que pequenos “nãos” nos preparam para um grande “sim”.

A chave do equilíbrio é  o amor. Em cada momento minha pergunta diante das decisões que preciso tomar é: a luz da eternidade minha decisão traz a gloria de Deus, o bem para mim e para meu próximo? Nem sempre a resposta é simples, mas temos promessa de que Jesus estaria sempre conosco todos os dias e isso inclui nossas decisões mais intrincadas.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.