Outros atalhos que você deveria evitar

Continuando o post anterior, cuidado com os atalhos!

  1. O atalho da culpa para estimular a obediência. A culpa sempre estimula resultados em curto prazo, mas as pessoas acabarão fugindo daqueles que as fazem sentir-se mal sempre. Ou encontrarão em si razões para fazerem o que realmente querem fazer. Obediência sem consciência jamais terá consistência.
  2. O atalho de ir embora do lugar onde você está se sentindo incomodado em nome da paz. O incômodo é uma grande oportunidade para crescer. Crescer na capacidade de fazer negociações, na possibilidade de transformar inimigos em parceiros. Pessoas que aguentam a pressão estão mais aptas para construírem uma grande carreira e uma linda história de vida.
  3. O atalho de procurar um falso profeta para receber uma resposta de Deus. Essa questão pra mim é simples:  a quem quer obedecer nunca lhe faltará direção de Deus, quem busca ouvir a confirmação de suas próprias decisões estará sujeito ao engano. Todos encontram o que buscam.
  4. O atalho da hipocrisia como caminho para espiritualidade. Se o diabo não puder fazer de você um libertino, ele certamente vai tentar fazer de você um fariseu. Não se contente com o aplauso dos outros, há coisas muito mais prazerosas  na presença de Deus.
  5. O atalho do poder como caminho para o coração dos homens. A política como instrumento de evangelização é a grande mentira que os evangélicos acreditam e os católicos também acreditaram. A organização social tem seu papel, mas utilizar os instrumentos do estado para impor um comportamento que só vem através da fé, é um grande erro. A política não pode fazer dos homens maus, homens de bem. Tudo o que ela pode fazer e deve fazer é evitar que homens maus imponham suas maldades sobre homens de bem. Assim a tarefa do cristão político é a procura da preservação das liberdades individuais que não afetem o bem comum. A natureza coercitiva do poder não combina com o chamado livre do evangelho. Cada coisa em seu lugar.
  6. O atalho da vingança para subverter os poderes do mal. “Olho por olho e ninguém mais enxergará nesse mundo” foi o que disse Gandhi. Justiça sim, mas através de mãos competentes. Acertar as contas com as pessoas movidos pelo ódio, só nos faz prisioneiros de quem nos machucou.

O caminho é estreito, mas chega ao destino.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Os atalhos que você não deveria tomar

O diabo é o rei dos atalhos. Na tentação de Jesus isso fica bem claro. O pão para comer, a intervenção de Deus e os reinos deste mundo estariam no caminho de Jesus, mas o milagre barato, o sensacionalismo, e a adoção de valores mundanos não eram um meio para Jesus.

O caminho é estreito, mas é no caminho que encontraremos a vida. Das mais pequenas questões até as mais abrangentes, os atalhos são sempre uma possibilidade. No final os atalhos não me levam onde quero chegar.

Cuidados com estes…

1. O atalho da dissimulação para conquistar relacionamentos. Quando conheci a Claudia, minha esposa, eu não passava por um momento espiritual vibrante. Pelo contrário, o ano de 1991 foi um dos piores anos da minha vida. Assim que comecei a namorar eu disse a ela o estado da minha alma. Não tentei impressionar e falei das minhas crises. Ela também desde cedo abriu o coração comigo e isso certamente foi um caminho difícil para nós dois, mas compensou, pois criou a liga que precisávamos para um relacionamento de longa duração como esses pouquíssimos vinte anos que estamos casados.

O programa Catfish da MTV expõe bem essa tendência moderna das pessoas se esconderem atrás do computador tentando enganar para ganhar atenção. No programa pessoas são reveladas mais gordas do que as fotos de perfis nas redes sociais sugeriam e mais comprometidas do que gostariam. Quanta decepção.

2. O atalho da pressa para resultados no trabalho. Não há outro caminho na busca de resultado que não seja paciência e excelência. Ninguém pode chegar a um lugar sem conquistar o direito de ter mais influência. Não podemos chegar a uma reunião que nunca participamos e falarmos como veteranos. Podemos até conseguir atenção, mas não chegaremos ao coração das pessoas. Também não seremos promovidos até que a semente do nosso esmero venha à tona. Não ponha tudo a perder pela ansiedade do imediatismo.

3. O atalho das promessas impossíveis para conquistar a confiança. Essa é a estratégia típica do político em todo lugar do mundo. No Brasil chega a ser cômico, pois candidatos a vereadores prometem fazer o que somente o prefeito tem poder para fazer. Atendentes de loja costumam prometer produtos que vão levar muito tempo. Um discípulo evita esses atalhos porque é assim que gostaria de ser tratado.

4. O atalho do medo para conquistar autoridade. Maquiavel já escreveu que o amor não evitava a traição,  e recomendou o medo como instrumento de liderança. Bom, infelizmente é assim mesmo com grande parte dos líderes, mas a cruz no evangelho precede a glória. E o homem de Deus deve resistir esse caminho diabólico. O discípulo abraça a responsabilidade para ter direito a autoridade.

5. O atalho da cola para passar na escola. Quando a gente é mais novo, é muito sem noção. Mas nossos professores deveriam trabalhar mais na nossa consciência. O conhecimento não passa para nossas mentes pelo fato de estarmos em uma sala de aula. Chegará um dia em que precisaremos do raciocínio e não teremos outra saída a não ser saber. Os “nerds” desprezados acabam rindo por últimos dos malandros espertalhões quando pegam as melhores vagas no mercado de trabalho simplesmente pelo fato de não terem pulado etapas. O conhecimento tem um preço, e o preço é quebrar a cabeça mesmo.

Continua…

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Seus roteiros, sua vida!

Palavra ministrada na Assembléia de Deus Palavra da Fé de Rio Grande no dia 07/04/2013.

O líder do louvor que foi afastado por não viver um padrão mínimo de integridade agora abandona a fé.

O membro cuja presença não foi notada pelos líderes da comunidade  nunca mais apareceu nas reuniões na igreja.

O pastor de pregações inflamadas foi flagrado em adultério dentro do templo com a secretária e nunca mais pensou em entrar novamente em uma igreja.

Por detrás desses problemas mais prosaicos até os mais escabrosos, típicos de igrejas evangélicas está uma identidade frágil. A superficialidade da experiência das pessoas faz delas uma folha ao vento das situações.

Quando alguém é de fato tocado pelo Deus altíssimo, sua verdadeira identidade é redescoberta. É como se no ato humilhante de nos reconhecermos pecadores  resgatássemos nossa dignidade.

Aconteceu com Jacó, que segundo os eruditos tinha nome que exprimia um traço característico de seu jeito de ser: “aquele que age traiçoeiramente”. A Bíblia nos relata que quando ele pede para ser abençoado, tudo o que Deus faz é mudar seu nome. Agora ele se chamaria “Israel” que significa “príncipe de Deus”. A grande mudança foi sua identidade. Daquele momento em diante, toda vez que ele manquejasse ele lembraria que era um “príncipe de Deus”.

Ora, porque Deus mudaria um nome? É simples, para mudar uma identidade. Porque uma identidade nova produz uma pessoa nova. Por outro lado uma identidade velha, com uma nova religião só produz frustração.

Nossa identidade é nosso roteiro de vida. As provações, as perdas, as dores trarão a tona o que realmente pensamos de nós. As pessoas seguem fielmente os scripts inseridos e cridos no profundo dos seus corações. Qual é o seu roteiro?

Alguns veem sua vida como um drama, e eles as vítimas, então tudo será uma conspiração cósmica contra elas.

Outros acreditam que sua vida é um circo e que eles são os palhaços. Precisam fazer rir sempre.

Muita gente  se enxerga como herói de um grande épico. Precisam resolver o problema do mundo. Não aceitam ajuda, mas se matam para satisfazer as mais loucas necessidades de todos.

Outros acreditam que a vida é um palco, e que eles precisam ter a atenção de todos, de qualquer maneira. Seja tocando no barzinho a noite, seja dirigindo o louvor na igreja. Quando a vida não confirma o script, eles entram em curto circuito.

Antes que Jesus fizesse qualquer coisa, ou realizasse qualquer milagre  Deus fortaleceu sua identidade: “Tu és meu filho amado, em quem tenho prazer.” Logo após Jesus foi levado para o deserto para ser tentado. E não foi por acaso que a estratégia do diabo foi questionar precisamente sua identidade de filho: “Se és filho de Deus…”

Minha identidade determina meu destino diante de tentações, e encruzilhadas da vida. Só que todos nós antes de ouvirmos a voz de Deus, ouvimos a voz daqueles que nos revelaram quem éramos para nós mesmos.

O que essas vozes disseram, cada um tem que discernir por si mesmo, e conferir se é verdade pela Palavra.

Quem as pessoas mais importantes da sua vida disseram que você era?

Máquina de trabalho?

Corpão?

Indesejado?

Lixo?

Rebelde?

Incompetente?

Fraco?

O Cara?

Vejam aquele povo que saiu do Egito,(1) eles não conseguiram conquistar a terra prometida porque não conseguiram tirar o roteiro que os egípcios tinham imposto sobre a cabeça deles. Imagino quantas vezes sob o peso da chibata eles não ouviram:

– Parem de reclamar seus fracos!

– Não adianta sonhar, vocês sempre serão escravos!

– Não tentem nada diferente, ou terão de provar algo pior do que a vida de escravo!

Aquilo foi sendo injetado como um vírus letal, e no momento da pressão de conquistar, de se depararem com o desafio, eles acabaram crendo no Egito e não em Deus. Minha identidade determina meu destino.

Lembro das palavras de uma jovem que foi entrevistada em um programa da MTV sobre a AIDS alguns anos atrás. Ela falava com lágrimas nos olhos sobre como havia sido infectada pelo vírus e o processo penoso de tomar vários medicamentos antirretrovirais todos os dias.

– Em uma noite estávamos entre amigos bebendo em um bar, quando chegou um pessoal que nunca tínhamos visto na vida, e nos convidaram para irmos ao apartamento deles continuar bebendo. Fomos pra lá e colocaram algo na minha bebida, e quando fiquei descordada um dos caras transou comigo. Alguém comentou comigo, e eu decidi fazer o exame e deu positivo. Até hoje eu me pergunto como é que eu pude me rebaixar tanto!

O problema são os roteiros.

Às vezes depois de anos de vida com Deus o diabo e toda força das trevas também investem contra nossa vida tentando nos fazer esquecer quem somos. Um relacionamento quebrado pode ser devastador. Quem diz que divórcio é fácil, certamente não sabe do que está falando. Nem sequer levar um fora de alguém que a gente gosta em um relacionamento de namoro é fácil. E os pensamentos que nos assolam costumam nos remeter a lata de lixo.

Em outras circunstâncias o narcótico do sucesso, nos faz esquecer amigos preciosos e maltratar as pessoas mais importantes de nossa vida. Mais uma vez é nossa identidade que é afetada. “Sou o que sou diante de Deus e nada mais” são palavras de Francisco de Assis, que repito a mim mesmo quando fico “alto” por alguma coisa que considero conquista.

Em outras ocasiões pessoas fortes tentam nos intimidar, nos colocar “no nosso lugar” como tentou fazer Acabe com Elias quando disse a ele:

“É você mesmo, perturbador de Israel?” (2)

Elias não se dobrou diante daquele homem poderoso, pois a voz de Deus estava soando mais forte na alma dele. Mas o fato é que nunca estamos totalmente seguros.

Por isso precisamos lembrar que intimidade fortalece a identidade. Sou quem Deus diz que sou.

Não precisamos acreditar em nós mesmos, precisamos acreditar no que Deus diz de nós.

O ativismo de nossa época rouba o tempo da comunhão com Deus, e acabamos nos agarrando a valores exteriores para forjar nossa identidade: beleza, riqueza e fama. Esquecemos a voz outrora retumbante e escorregamos feio.

Mas na presença de Deus descubro quem sou:

Amado de Deus

Pecador

Servo de Deus.

Sal da terra.

Luz do mundo.

Chamado para ser santo.

Discípulo.

Nova criação.

E por aí vai.

Qual roteiro você está seguindo?

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Números 13:33

(2)    I Reis 18:17